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Apicultor do cerrado

Geólogo que cresceu em Brasília transformou o trabalho com abelhas numa propriedade em Sobradinho em fonte de renda e, em 2016, deve colher 1 tonelada do líquido adocicado

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postado em 02/10/2016 12:54 / atualizado em 02/10/2016 13:10

Ana Paula Lisboa

Gabriela Studart

Num sítio de nove hectares, localizado entre Sobradinho e Planaltina, José Carlos Fiuza, 62 anos, cuida de 40 enxames, cada um com cerca de 50 mil abelhas no momento. Os insetos dali produzem cerca de 700kg de mel por ano e, em 2016, a expectativa da marca Doce Mel é chegar a 1 tonelada. A prolongada seca da capital federal castiga o gramado e a saúde respiratória dos brasilienses, mas, para esse ramo, é sinal de boas notícias. “A região é muito propícia para apicultura. A água leva o néctar das flores, então, quanto mais seco o clima, melhor a produção de mel. Além disso, a umidade baixa é importante para que o produto não fermente”, diz o funcionário aposentado do Banco do Brasil há sete anos. Na casa onde mora, no Lago Norte, clientes aparecem para adquirir o líquido adocicado (interessados podem marcar para buscar pelo telefone 3368-4922). O pote de 800g custa R$ 32; a bisnaga de 500g sai por R$ 19; e a de 330g é vendida por R$ 15.


 

A produção de José Carlos foi reconhecida duas vezes como a melhor do Brasil no Congresso Brasileiro de Apicultura. O mel produzido no cerrado é considerado de qualidade superior. “Dois fatores contribuem para isso: o clima seco e as plantas locais que dão uma composição ótima. Já comi mel de todas as regiões do Brasil e não encontrei nada igual: o daqui é denso, é quase um doce”, descreve ele que não usa açúcar no dia a dia. O microempreendedor individual conta com a ajuda de um caseiro e, na época da safra, a esposa o auxilia a colher os favos de mel. Tudo é tratado em vasilhames e equipamentos de inox para garantir a higiene.


“Preciso produzir pelo menos 300kg de mel por ano para cobrir os custos fixos. Tudo o que passa disso se transforma em lucro. É um ramo interessante financeiramente. O que você investe num ano, colhe no outro”, diz, preferindo não revelar quanto ganha por mês com a atividade. “Tenho quatro filhos — hoje adultos —, então, mesmo que eu e minha esposa — que era funcionária do Banco do Brasil — trabalhássemos fora, os ganhos com o mel sempre foram importantes para ajudar a bancar, por exemplo, as escolas dos meninos”, conta.


 

“Faço meu horário. Na época de safra, é preciso fazer vistoria nos exames a cada 10 dias. É preciso ficar lá no calor, em baixo de sol, às vezes, ser picado”, pondera. “Sempre fiz tudo certinho — os prêmios são prova isso. Tenho muitos clientes antigos, e os novos chegam por indicação”, comenta ele, cujo hobby é estudar filosofia.

Novos rumos
As experiências com os insetos polinizadores começaram há 25 anos, quando José Carlos comprou a Chácara Serrinha. “Eu tinha muitas árvores frutíferas e coloquei seis caixas de abelhas, primeiramente, para polinizar o pomar. Só que deu muito mais mel do que eu esperava, então, eu distribuía para amigos. Não pensava que poderia dar dinheiro, mas é um ramo de rentabilidade maior que o das frutas”, percebe. Hoje, frutos, como laranja, goiaba e graviola, são colhidos apenas para consumo próprio, e o sítio é sustentado com as vendas do líquido retirado do néctar das flores. Antes de mexer com enxames, o cearense de Fortaleza que mora em Brasília desde 1961 resolveu estudar.


“Fui à Associação Apícola do Distrito Federal, fiz um curso, me informei sobre os cuidados necessários, pois é perigoso mexer com isso sem conhecimento. É preciso proteger a si e aos outros”, alerta. O geólogo pela Universidade de Brasília (UnB) aliou a busca por conhecimento ao cuidado constante com as abelhas. Ele participou de uma formação de apicultor na Fazenda Água Limpa da UnB e de diversas capacitações da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-DF) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).


“Hoje, mexo com abelhas africanizadas, um tipo híbrido entre africanas e europeias. As primeiras são muito agressivas, mas produzem mais mel. As segundas são mais mansas, mas são muito sujeitas a doenças e têm baixa produção. Com essa mistura, os resultados são melhores”, conta. Ele observa que toda abelha é defensiva e reage para proteger a colmeia.
“É muito importante analisar bem o local em que se coloca um enxame. É preciso ter bastante espaço, pois elas podem voar para a propriedade vizinha e machucar animais e pessoas. Além disso, o apiário deve ficar perto de uma fonte de água, para que elas não precisem se movimentar muito. Aqui, na chácara, um córrego resolve isso, mesmo assim, deixo uma torneira a 50 metros das colmeias”, revela.

 

Na estante

 

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A onda corporativa: corporativismo e
ditaduras na Europa e na América Latina
A obra tem como principal objetivo analisar a relação entre corporativismo e ditadura. Os autores também analisam o corporativismo como um dispositivo social e político contra a democracia liberal e que permeou a direita durante a primeira onda de democratizações, demonstrando que esse sistema esteve na vanguarda do processo de difusão transnacional, tanto como uma nova forma de representação de interesses organizados quanto como alternativa autoritária à democracia.
Autores: António Costa Pinto e Francisco Palomanes Martinho
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