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Correio Braziliense

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>> entrevista Tana Storani

Para trabalhar no exterior

Há oportunidades para brasileiros no exterior: pessoas de outros países, às vezes, são mão de obra qualificada e mais barata. Além disso, há muitas vagas para pessoas que falem português, para dar suporte a clientes no Brasil e em Portugal

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postado em 23/10/2016 08:00 / atualizado em 21/10/2016 20:53

Tana Storani é recrutadora e coach de carreira focada em ajudar pessoas a construir uma carreira internacional. Trabalhar no exterior era um sonho antigo para ela. Por isso, aos 22 anos, a paulista de Vinhedo (SP) trancou a faculdade de psicologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) para tentar a vida na Europa. Pela vontade de aprender a falar inglês e aproveitando o fato de ter cidadania italiana — o que permite livre circulação na União Europeia —, se mudou para a Irlanda, onde trabalhou como babá, garçonete, faxineira e outras funções braçais por dois anos. Depois de se tornar psicóloga, ela retornou ao país de São Patrício, fez uma pós-graduação em recursos humanos na National College of Ireland e se formou como coach pela European Mentoring and Coaching Council (EMCC). Em território europeu, Tana trabalhou em multinacionais, como Google, Paypal, Facebook e LinkedIn. Atualmente, ela atua como coach de carreira, especialmente para brasileiros expatriados que encontram dificuldades na busca de emprego.

Que dicas você pode dar a quem procura emprego no exterior e, especificamente, na Irlanda?

Quem tem cidadania de algum país tem um caminho mais fácil: pode tentar um processo seletivo ainda no Brasil. Além disso, a União Europeia tem dado muito visto para quem não é europeu. Quem fala português, por exemplo, pode ir para Polônia, República Tcheca e Alemanha, porque não tem gente para trabalhar lá. Se você não tem passaporte europeu e quer ir para a Irlanda, terá facilidade se integrar o rol de profiessões de Critical Skills — lista de profissões para as quais o governo cede vistos de trabalho, como engenharia, tecnologia da informação e química (confira todas em goo.gl/V9Dvlj). Se você não é desses ramos, terá, primeiramente, de trabalhar enquanto faz um curso. A partir disso, será possível checar se a empresa que te contratou está disposta a pedir um visto geral para você, o que demanda dinheiro e tempo. Existe também uma lista de profissões para as quais é proibido dar visto na Irlanda (confira todas em goo.gl/7TrvEN).

Em que países é possível trabalhar e estudar?
Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Canadá permitem ter um emprego enquanto a pessoa faz mestrado. A Irlanda permite ter um emprego de meio período durante a graduação.

Que fatores levam as empresas no exterior a contratarem brasileiros?
São vários. Há oportunidades para brasileiros no exterior por dois principais motivos: pessoas de outros países, às vezes, são mão de obra qualificada e mais barata; além disso, há vagas para quem fala português, para dar suporte a clientes no Brasil e em Portugal. Google, LinkedIn e Facebook são exemplos que contratam falantes de português.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas por quem busca trabalhar no exterior?
A primeira barreira é o idioma — especialmente o inglês, que é importante independentemente do país. Muitas vezes, o profissional sabe falar a língua, mas não tem domínio técnico, do inglês de negócios, necessário para o mundo do trabalho. Por isso, vários chegam à entrevista e não conseguem explicar as próprias habilidades ou o que fazem na carreira. Outra dificuldade é o currículo: é preciso colocar pontos fortes e projetos em que atuou. Esse último ponto é comum na Europa, mas não é muito frequente entre brasileiros. Quem costuma levar todo o crédito pelo que é feito é a empresa, embora o candidato tenha um dedinho naquilo, que pode ser incluído. Além disso, o documento precisa bater com o que é pedido pela vaga.

Como se preparar para a busca de emprego em outros países?

Existem cursos de inglês de negócios, inclusive on-line, como Lynda.com, Coursera, EDX, que são importantes de colocar no currículo. O brasileiro gosta muito de gastar dinheiro, acaba esquecendo que existem alternativas mais acessíveis que servem ao mesmo propósito. Outra dica é comprar livros da sua área de formação em inglês. Ter feito pós-graduação é maravilhoso, mas é preciso saber o básico do ramo em inglês.

Apenas candidatos de excelência conseguem trabalhar no exterior?

Não. As multinacionais querem candidatos inteligentes e muito capazes, mas muito depende de transmitir confiança, ter total domínio da área de atuação. Tony Robbins (escritor e palestrante motivacional) disse: eu me criei. Por isso, há a onda: “fake it until you make it” — finja ser até que você se torne, em português. Mas faça isso correndo atrás de ser tornar um candidato de excelência.

Quais os destinos mais difíceis para encontrar emprego?
Inglaterra é bem difícil e eu indicaria não ir por causa do Brexit. A população britânica tem tratado mal estrangeiros, além disso as taxas desse país são altas. Outro país difícil sempre foi os Estados Unidos. Itália, Espanha e França são impossíveis. As duas primeiras por causa da crise; e a terceira por ser muito fechada a estrangeiros e por exigir que a pessoa fale francês. Em outros países, como a Alemanha, é mais fácil.

Em relação a estudar no exterior, quais são as dificuldades enfrentadas?
Em primeiro lugar, os cursos são mais caros e, se a pessoa for fazer um em tempo integral, não poderá trabalhar, o que exige ter dinheiro guardado. Em segundo, o brasileiro precisa pesquisar escolas que possibilitem melhor entrada no mercado de trabalho, em áreas com maior demanda e menos oferta de profissionais. Na hora de escolher a área de capacitação, pense: qual vai ser seu diferencial? Não se limite a escolher um país cuja língua nativa seja o inglês. Na Europa, a maioria dos países permite fazer uma pós-graduação nessa língua.

Interessados em estudar fora devem lidar diretamente com a instituição de interesse ou com intermediadores?

Indico o contato direto em detrimento de procurar uma agência de intercâmbio para isso; pois assim, você fica sabendo de promoções e descontos, por exemplo.

Quais são os destinos em que é mais fácil estudar?
Eu imagino que os países com menos brasileiros são os mais fáceis e também os países que falam uma língua muito difícil. Polônia, República Tcheca, Grécia, Hungria e Romênia, por exemplo, têm muita vaga. É mais fácil conseguir um visto de trabalho.

Feira de universidades suecas na UnB

Na próxima quarta-feira (26), a Universidade de Brasília (UnB) receberá uma exposição de universidades suecas no Anfiteatro 10, no Instituto Central de Ciências, das 8h às 14h. Às 10h, haverá uma palestra sobre oportunidades de estudo na Suécia. O evento também passará por outras capitais brasileiras. Informações: www.cisb.org.br/swedishroadshow.

Brasileiros nos EUA

Relatório do Open Doors, Instituto de Educação Internacional, revelou que aumentou em 78% o número de estudantes brasileiros nas universidades americanas entre 2013 e 2014.

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