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A alma do armarinho Filadélfia

Depois que os filhos cresceram, dona de casa teve banca numa feira até abrir uma loja no Paranoá em 1990. Segredo da popularidade está na persistência, na variedade e no preço baixo

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postado em 30/10/2016 17:34 / atualizado em 31/10/2016 22:13

Ana Paula Lisboa

Antonio Cunha

A piauiense Cristina Maria Rodrigues Oliveira, 65 anos, se mudou com o marido, Osmir Barros de Oliveira, 69, do Maranhão para o Distrito Federal na década de 1970, buscando melhores condições vida. Mãe de seis filhos, no início, ela não trabalhava fora para cuidar das crianças. “Fui costureira. Depois, passei a vender roupas na Feira do Paranoá”, recorda. O negócio ganhou um endereço fixo na Quadra 9 da Avenida Paranoá em fevereiro de 1990. “No começo, a loja era especializada em enxoval e peças infantis. Já vendi de tudo um pouco por aqui. Há 10 anos, oferecemos material para costura e artesanato. Vim para este ramo porque percebi que havia uma carência dessa área por aqui”, revela a proprietária. Foi assim que nasceu o Armarinho Filadélfia. “A cidade mudou muito desde que abri: não tinha nem asfalto. Até hoje, somos o único especializado em material de costura no Paranoá: há outros com o nome de armarinho, mas vendem outras coisas.”

 

 


Entre as prateleiras, é possível achar os mais variados tipos de agulhas — de crochê, tricô e até adaptada para cegos —, enfeites, linhas, barbantes, rendas, tecidos para patchwork e muito mais. A loja é famosa pelo preço — mais em conta que o de muitos concorrentes no Paranoá e nas demais cidades do DF — e pela variedade. Cristina não sabe dizer quantos itens comercializa, mas revela que o segredo para ter tanta opção é sempre procurar novidades. “Viajo para São Paulo uma ou duas vezes por ano para caçar novos produtos. Em contato com fornecedores consigo oferecer o que o público quer.” Um caderninho de sugestões fica sempre presente na loja para que os funcionários anotem produtos que o armarinho ainda não vende e que foram procurados pela freguesia. “Assim, vamos atrás”, conta Cristina.
Freguesia satisfeita

Clientes como Adelia Silva, 56, só têm elogios para o armarinho. “Sempre gostei daqui porque encontro de tudo — não preciso ficar indo em outros lugares. Além disso, o atendimento é sempre bom”, conta a dona de casa, que procura o estabelecimento quando precisa reparar peças de roupa. Cuidam do atendimento três empregados: Dannyllo Pontes, 18, um dos 12 netos de Cristina; a nora Francineide Oliveira, 28; e Wilmara de Souza, 43, que frequenta a mesma Igreja Assembleia de Deus que Cristina. Osmir, o marido dela, também ajuda fazendo entregas em residências próximas e atendendo outras necessidades da empresa. “Eu entendo de costura, crochê, tricô… Então, sei como ajudar os clientes, dar dicas”, conta a simpática Wilmara, que trabalha na empresa há nove anos.


Dannyllo não sabe muito sobre trabalhos manuais, mas, desde criança, frequenta o armarinho. “Sou funcionário mesmo há três meses, mas sempre fiquei por aqui. Trabalhar com parente é complicado, mas com minha avó é muito bom. Quando precisa, ela chama a minha atenção”, revela. Para cuidar da administração financeira do Armarinho Filadélfia, a piauiense conta com um contador, mas todo o controle é feito por ela mesma, que sempre trabalha no caixa da loja. “Nunca tivemos capital de giro, mas fiz cursos do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para melhorar. O começo é mais difícil, mas, passando dos quatro anos de empresa sem quebrar, fica mais fácil continuar”, afirma a empresária. Apesar de não ter noção da quantidade de pessoas que passam pela loja diariamente, ela informa que há clientes do Paranoá, do Lago Norte, do Plano Piloto e de várias outras regiões.


O faturamento bruto mensal é da ordem de R$ 23 mil. A margem de lucro sobre cada produto varia entre 30% e 40%. “A clientela ainda pechincha, e a gente negocia, mas tem mercadoria que não dá para negociar.” Cristina nunca investiu em propaganda e nem precisa: “Nossa propaganda é o freguês. Quem vem aqui volta.” A fama do armarinho do Paranoá corre longe e, recentemente, o proprietário de uma tradicional rede de lojas de aviamento em Brasília fez uma proposta para comprar o Filadélfia. “Não aceitei. Não me vejo sem trabalhar”, observa. A dica que ela deixa para quem pensa em empreender é persistir. “Trabalho muito, mas não desisto”, afirma.

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