ENTREVISTA ANDRE MARINI »

Guardião da ética financeira

O auditor interno é essencial para garantir transparência e ética em organizações públicas e privadas. Segundo o diretor do IIA Brasil, instituto que representa esses profissionais, a área cresce à medida que o país valoriza o combate à corrupção

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/10/2016 17:45

Arquivo Pessoal
Diretor-presidente do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), Andre Marini, 44 anos, é formado em administração de empresas e fez quatro pós-graduações em auditoria interna — ramo em que trabalha há 25 anos, 12 dos quais como concursado do Sistema Eletrobrás. Ele atuou ainda em organizações como a Secretaria de Controle Interno da Presidência da República, a multinacional de auditoria Ernst Young e o grupo brasileiro Boucinhas & Campos. A área cresce à medida que aumenta a preocupação do com transparência e ética nas organizações públicas e privadas. “A auditoria interna tem colaborado muito com o combate à corrupção no país por ter acesso irrestrito a todas as áreas da instituição. É, de fato, um profissional imprescindível nas empresas e órgãos que buscam melhores resultados”, observa Marini.


Hoje, o país conta com cerca de 40 mil auditores internos em atuação. “Não temos o dado copilado apenas do Distrito Federal, mas estima-se que sejam centenas, alocados principalmente nos órgãos públicos”, explica. Apesar de o instituto da classe no país — afiliado ao Instituto dos Auditores Internos Mundial — ter sido fundado em 1960 em São Paulo, a profissão é relativamente nova e não conta com um piso salarial. “O salário varia em função do porte da empresa, da qualificação profissional e de certificações internacionais obtidas pelo auditor”, revela. Confira a entrevista com ele sobre essa opção de carreira:

 

Como você acabou trabalhando com auditoria interna?
Um dos atrativos foi o fato de ser uma área dinâmica. Além disso, essa carreira dá ao profissional a oportunidade de conhecer e atuar em praticamente todos os departamentos de uma empresa. Fico realizado por poder contribuir para a gestão de uma organização, aprimorando controles internos, fortalecendo o sistema de governança corporativa e agregando valores à organização.

O que faz um profissional da área?
Audita sistemas de controles internos, recomenda sugestões de melhoria e contribui para o progresso da organização. É tido como essencial para a saúde financeira, a competitividade e a longevidade de uma corporação — seja ela pública, seja particular. É considerada uma carreira fundamental para a prevenção de atos ilícitos, além de possibilitar o fortalecimento e a melhoria da gestão. O papel moderno dos profissionais é o de fazer uma avaliação completa para mostrar ao comando das empresas qual a situação real e quais decisões podem ser tomadas.

É uma área reconhecida?

De 10 anos para cá, essa figura se tornou ainda mais conhecida em razão da melhoria nas ações de combate à corrupção, ao malfeito e às fraudes, principalmente, na área pública, muito demandada pela sociedade brasileira. Tem sido enorme a valorização do auditor interno no mundo, pois, além de trazer discussões contábeis, financeiras e de gestão com transparência, ele tem condições técnicas de indicar ferramentas e soluções que fortalecerão as estruturas de governança das instituições.

Qual a origem dessa profissão?
Uma das teorias mais aceitas é a de que ela tenha surgido nos Estados Unidos após a 2ª Guerra mundial, desenhada principalmente por Lawrence Sawyer, profissional da área financeira. Ele foi um dos que inspiraram a criação do IPPF (International Professional Practices Framework), principal guia da profissão, produzido pelo The Institute of Internal Auditors (The IIA), sediado nos Estados Unidos. A profissão ganhou enorme destaque em 2002 com a implementação, nos EUA, da Lei Sarbanes-Oxley, que passou a exigir das empresas relatórios que demonstrem a saúde financeira e o cumprimento da lei. Também há várias teorias para a origem da área no Brasil. Uma delas nos leva aos tempos de colônia, quando o juiz era a pessoa de confiança do rei para conferir o recolhimento dos tributos, reprimindo e punindo fraudes. Por aqui, o fim da 2ª Guerra Mundial também foi decisivo. Os escritórios de empresas globais passaram a exigir maior rigor nos relatórios contábeis de filiais e parceiras no Brasil, criando uma forte demanda por auditores internos. Em 1945, quando foi desenvolvido o curso de ciências contábeis, a auditoria passava a ser uma prerrogativa desses profissionais. Com o passar dos anos, a área ganhou independência, tornando-se uma atividade totalmente multidisciplinar.

Quais localidades apresentam maior demanda por trabalhadores do ramo?

Todas as regiões do Brasil apresentam, e é uma área em crescimento. Nas maiores capitais econômicas, como São Paulo e Rio de Janeiro, há mais profissionais em atuação. Nos últimos anos, as empresas da região Sul também têm contribuído para a demanda da profissão. No serviço público, trabalhadores do ramo estão presentes em todas as esferas em praticamente todos os órgãos e têm papel fundamental no processo de governança e transparência. Algumas pessoas têm a ideia de que o auditor interno é um profissional restrito a grandes empresas. Todavia, organizações de menor porte podem ter um departamento nesse sentido.

Quais são os pré-requisitos para se tornar auditor interno?
Independência, capacitação, flexibilidade, capacidade de observação, fluência verbal, ética, organização e responsabilidade. É fundamental que o profissional gerencie boa rede de networking e esteja disposto a estudar. É preciso ter domínio, por exemplo, do conceito e da aplicação das Normas Internacionais (IPPF) e do Código de Ética do The IIA.

 

Estude!

O Instituto dos Auditores Internos do Brasil oferece cursos para auditores internos associados, além de promover eventos de atualização do conhecimento dos profissionais de auditoria. Várias capacitações foram realizadas em Brasília. Informe-se sobre a programação pelo site