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Ensino superior com um pé nos negócios

Pesquisa classifica as melhores universidades em estímulo ao empreendedorismo. No DF, a UnB e a UCB aparecem na lista. Ter acesso a conhecimentos empresariais na graduação é importante para formar pessoas com perfil empresarial

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postado em 13/11/2016 09:03 / atualizado em 14/11/2016 14:27

Ana Flávia Castro *

Gabriela Studart

 

Gabriela Studart

 

Gabriela Studart

 

Gabriela Studart

 

O que é uma universidade empreendedora? Era justamente a essa pergunta que a Confederação Nacional de Empresas Juniores do Brasil (Brasil Júnior), a Aiesec, a Rede Ciências Sem Fronteiras e a Associação dos Estudantes Brasileiros no Exterior (Brasa) tentaram responder no primeiro levantamento sobre o tema, que foi lançado no Ministério da Educação (MEC) na última quinta-feira (10). O 1º Ranking de Universidades Empreendedoras listou as 42 instituições de ensino com maior estímulo ao empreendedorismo.


Duas instituições do DF aparecem na lista: a Universidade de Brasília (UnB), na 18ª posição, e a Universidade Católica de Brasília (UCB), na 38ª. Os resultados são baseados nas respostas de 10 mil universitários. Seis eixos foram levados em conta para estabelecer as pontuações: cultura empreendedora, inovação, extensão, infraestrutura, internacionalização e capital financeiro. No Centro-Oeste, a UnB foi a melhor colocada em extensão; nos outros cinco eixos, a Universidade Federal de Goiás (UFG) levou a melhor. Contaram pontos na avaliação projetos de extensão e pesquisa, empresas juniores, centros de inovação, incubadoras e experiências internacionais.


Segundo o diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB) Paulo Suarez, a colocação da única universidade federal do DF no ranking é insatisfatória. Segundo Suarez, esse resultado se deve “à pouca proximidade entre a Universidade de Brasília e o setor produtivo e à cultura do Distrito Federal, mais voltada ao serviço público”. Daniel Pimentel, coordenador da pesquisa e diretor de Impacto no ecossistema da Brasil Júnior, concorda. “Brasília tem baixo índice de cultura empreendedora, segundo pesquisa da Endeavor”, avalia.


O chefe de Gabinete da Reitoria da Universidade Católica de Brasília, Dilnei Lorenzi, acredita que a colocação das instituições do DF no ranking é reflexo do sistema educacional aqui. “É necessário ter uma base de conhecimento de ponta para se desenvolver inovação e empreendedorismo. Isso só é concebido em universidades e, no DF, só há duas.”

 

Ensino empreendedor
Na Universidade Católica de Brasília, as graduações contam com disciplina ligada ao empreendedorismo. A Universidade de Brasília oferece a matéria Introdução à atividade empresarial, promovida pelo CDT em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A depender do curso, a disciplina é livre, optativa ou obrigatória. No caso dos estudantes de arquitetura da UnB Luiz Fellipe Machado, 21 anos, Felipe Hanna, 22, Dalyana Lima, Alan Marques Faria, Gabriel Parente, 23, Ian Alves, 24, e Marco de Mello, 27, o estímulo à criação de negócios valeu a pena.


O grupo abriu, em 2014, o Estúdio Mappa, que oferece cursos acessíveis sobre programas como AutoCAD, além de capacitação para quem deseja fazer a prova de habilidades específicas da UnB. “Fizemos a disciplina Introdução à atividade empresarial para poder nos organizar”, explica Gabriel. Desde a idealização, o grupo ministrou aulas para mais de 40 turmas. A equipe contou com um estande na 8ª Feira de Negócios e Inovação do CDT/UnB na última semana.


O CDT é um ambiente voltado ao fomento do empreendedorismo e da inovação e visa fortalecer os laços entre mercado, universidade e sociedade. Além de promover disciplinas como Empresa júnior, conta com incubadora, mentoria e assessoria para aspirantes a donos de negócio. O local também permite a geração de uma ampla rede de contatos de interessados em empreendedorismo e inovação. Estudante do sexto semestre de engenharia elétrica, Luiz Filipe Guerra, 24, visitou o CDT por conta de uma reunião da empresa júnior da qual faz parte, a Enetec, e conheceu Arthur Pieri, 23, representante da Akuntsu — empresa de tecnologia da informação incubada ali. Agora, os dois estão desenvolvendo um plano de negócios para montar uma empresa de reutilização da energia solar, que será integrada também por Isabel dos Santos, 23. “Estar em um ambiente em que todos desejam se desenvolver e inovar incentiva o crescimento conjunto”, acredita Luiz.


Apesar de não estar listado no ranking da Brasil Júnior, o Centro Universitário de Brasília (UniCeub) também oferece disciplinas de empreendedores para todas as graduações. Com esse incentivo, Guilherme Cecílio, 24, após a graduação em marketing, se uniu a dois colegas — Pedro Yhago Sá, 24, e Willian Farias, 24 — para abrir o Delta Bar, voltado ao público da faculdade e de embaixadas e a pessoas interessadas em assistir a jogos de baseball, basquete e futebol americano. A casa se inspira no visual de fraternidades de universidades norte-americanas e foi inaugurada em 4 de novembro na 706/707 Norte. “Nossa visão empreendedora veio muito das matérias do curso. Aprendemos lá a não seguir a maré e a pensar diferente. O fato de a gente ter acesso a conteúdos sobre negócios em sala de aula nos ajuda a identificar gaps no mercado para abrir empresas”, percebe Guilherme.

 

Companhias e estudantes
“O Movimento Empresa Júnior é uma alternativa para o desenvolvimento do empreendedorismo”, comenta o presidente executivo da Federação de Empresas Juniores do Distrito Federal (Concentro), Victor Medeiros. O DF conta com 50 organizações do tipo, em UnB, UCB e UniCeub. Eduardo Lemos, 20, e Maria Prates, 21, respectivamente alunos de administração e publicidade na UnB,  foram recrutados para oportunidades promissoras antes de terminarem o curso.

 

Eduardo se tornou sócio do lutador de MMA Wanderlei Silva na primeira filial brasileira da academia de crossfight Wand Fight Team Las Vegas a ser inaugurada em Brasília na próxima terça-feira (15); e Maria foi contratada como assessora de comunicação da rede. Wanderlei conheceu os estudantes ao contratar serviços das empresas juniores AD&M e 296, da qual faziam parte. “Lá, é preciso desenvolver responsabilidade e maturidade”, conta Eduardo. “A universidade me ensinou a ser publicitária e, na empresa júnior, aprendi a ser sócia e a ter postura empreendedora”, percebe Maria.

 

* Estagiária sob supervisão
   de Ana Paula Lisboa

 

 

Palavra de especialista

Estimulo
universitário

Pequenos negócios geram quase um terço do PIB (Produto Interno Bruto) e criam mais da metade dos empregos formais. O impacto poderia ser maior com o engajamento das universidades. Muitos universitários não consideram ter o próprio negócio como opção profissional. É preciso preparar os alunos para um novo mundo do trabalho. Ao desenvolver competências ligadas aos negócios, as pessoas alargam as chances de  crescimento num negócio próprio ou num emprego.

 

 

 

Mirela Malvestiti, gerente da Unidade de Desenvolvimento de Produtos e Cultura Empreendedora do Sebrae

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa 

 

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