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EMPODERAMENTO FEMININO »

Pelo respeito à diversidade sexual feminina

A fim de combater a homofobia, especialistas defendem políticas públicas e o engajamento de empresas para promover a inclusão da população LGBT. Um dos grandes caminhos para mudar a realidade de travestis e transexuais é a educação

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postado em 27/11/2016 11:20 / atualizado em 28/11/2016 18:17

Ana Paula Lisboa

Gabriela Studart
 

Os obstáculos enfrentados pelas trabalhadoras LGBT

As mulheres, em geral, enfrentam mais barreiras no mundo do trabalho. Quando se trata de trabalhadoras que fogem da heteronormatividade, os obstáculos podem ser ainda mais severos. Fazem parte desse grupo lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. “As mulheres vivem essa condição de subjugação, tendo dificuldades em todas as frentes do mercado de trabalho, há centenas de anos, devido ao fato de termos uma sociedade fundada em modelos e morais altamente patriarcais. Então a adversidade é geral, algumas, porém, enfrentam resistências a mais por conta do espaço que habitam. É o caso das mulheres LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), especialmente as trans, que sofrem muito mais”, analisa Valdenízia Peixoto, professora-assistente do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB).


A mestre em serviço social pela Universidade Federal de Pernambuco (2008) e doutoranda em sociologia pela UnB justifica a afirmação, ao explicar que lésbicas e bissexuais não são obrigadas a revelar a própria condição no mercado de trabalho, enquanto travestis e transexuais são mais facilmente reconhecidas. Uma  diferença entre o primeiro e o segundo grupo é o fato de que gays são atraídos por pessoas do mesmo sexo e aceitam o próprio gênero. Já trans não se identificam com o gênero em que nasceram, mas não necessariamente são homossexuais.


Gabriela Studart

“Existe preconceito, mas a homossexualidade é um tema debatido há mais tempo, e houve mais conquistas nesse sentido. A questão T é a mais crítica”, complementa Claudio Neszlinger, executivo de RH na Dentsu Aegis, agência de publicidade britânica no Brasil, que, durante o mestrado em gestão para a competitividade na Fundação Getulio Vargas (FGV), tem pesquisado a inclusão de pessoas trans no trabalho. Ambas as populações, no entanto, são discriminadas no mercado.


“Muitas lésbicas optam por não revelar a própria orientação sexual por não se sentirem confortáveis”, afirma Valdenízia Peixoto. “No entanto, sempre surgem questionamentos, por exemplo, ao serem assediadas por colegas de trabalho e não corresponderem, ao nunca dizerem que têm namorado, ao não levarem companhia para a festa de fim de ano da firma”, acrescenta a pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero, Política Social e Serviço Social (Genposs).

Sociedade homofóbica
Valdenízia Peixoto observa que, “enquanto as lésbicas são hostilizadas por serem ‘sapatonas’, as bissexuais são tachadas de promíscuas, de estarem em cima do muro ou de não terem conhecido um homem direito”. A professora da UnB alerta ainda que, quando a mulher esconde a orientação sexual, e essa é descoberta posteriormente, o caso pode acarretar tratamento preconceituoso por parte de colegas e até demissão.


Na visão dela, o fato de muitas lésbicas e bissexuais preferirem esconder a própria identidade sexual demonstra que a sociedade em que estão inseridas é patriarcal e lesbofóbica. “A consequência é que a pessoa fica impedida de revelar quem de fato é, o que acarreta problemas de sociabilidade em todos os âmbitos. Assim, a mulher se torna retraída, tem que forjar uma aparência, o que implica o bem-estar”, resume.


Lenne Evangelista, vice-presidente da associação Elos LGBT, com sede na Candangolândia, avalia que o mercado de trabalho tem ficado mais aberto. “Em lanchonetes e até no comércio, em lojas de perfil mais liberal, é mais comum ver gays e lésbicas. Para as trans, continua difícil.” Ela acrescenta que é comum mentir ou esconder a orientação sexual por causa de piadinhas, não necessariamente por causa de violência. “Existe também muitas vezes uma exigência do empregador para que a mulher use saia, batom, o que é difícil para as lésbicas de perfil mais masculino”, percebe.


“O assédio é muito grande e, em muitos casos, ele é velado, de modo que fica mais complicado provar.” Aos 49 anos, ela faz questão de deixar claro que é lésbica. “Eu chego chegando, todo mundo vê que sou sapa mesmo. Sou madura e bem resolvida. Se alguém vem com piadinha, corto logo, e as pessoas passam a me respeitar”, diz ela, que trabalha como cozinheira e mora com a companheira e a enteada.

 

Revolução pela educação

Professora de serviço social da UnB, Valdenízia Peixoto observa que “o conhecimento é libertário”, por isso vê com bons olhos iniciativas que tentam incentivar a permanência e o avanço das mulheres LGBT nos estudos.  É o caso de cursinhos pré-vestibulares específicos para pessoas trans: há registros de iniciativas nesse sentido em Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Goiânia — numa iniciativa da Universidade Federal de Goiás (UFG). Valdenízia cita ainda como importantes iniciativas de instituições de ensino superior, como a UnB, que tem uma Diretoria da Diversidade, que atende alunos, docentes e funcionários; e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das pioneiras a ter um serviço de assistência ao público LGBT.

 

Relatos de mulheres LGBT

 

Gabriela Studart
 

 

Juventude engajada
Jussara Barros, 24 anos, cursa serviço social e trabalha como corretora numa empresa de plano de saúde. Lésbica e integrante do Conselho Distrital de Direitos Humanos, ela diz que foi natural se assumir. “Quando contei para a minha mãe, tinha 18 anos e estava namorando. Ela não esperava, mas hoje é tranquilo.” No serviço, ela diz nunca ter sofrido discriminação. “Eu não chego num trabalho contando, mas meu posicionamento fica claro para os colegas. Se perguntam, eu conto.” Por atuar no conselho, ela recebe denúncias de pessoas que sofreram com homofobia. “Caso apareça alguma piada ou comentário discriminatório, não devemos deixar passar. Se a gente finge que não aconteceu, vai voltar a acontecer”, diz.

 

Gabriela Studart
 

 

Militância na esfera pública
Gestora pública na Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh), Ludymilla Santiago, 34 anos, é transexual. Formada em publicidade e propaganda, ela só atuou na área durante a faculdade, em estágios. Na visão dela, as dificuldades para pessoas transexuais no trabalho acontecem a todo momento. “Nem sempre a discriminação é dita na sua cara, mas as pessoas arrumam subterfúgios para deixar a mensagem de preconceito. Um exemplo é te chamarem para uma vaga de emprego e, quando te conhecem pessoalmente, afirmam que você não tem o perfil.”
Na esfera pública, ela percebe que a discriminação é mais velada. “É mais difícil fazerem algo de forma direta, pois existem instâncias a que você pode recorrer. Mas tinha gente que questionava qual banheiro as trans podiam usar. Além disso, tentaram me tirar do cargo comissionado, alegando corte de gastos, mas não iam fechar minha vaga”, revela. A gestora pública acredita que o preconceito só não foi mais intenso porque, quando começou a trabalhar, tinha o nome social retificado. “Assim, as pessoas têm que me respeitar.”


Na adolescência, Ludymilla se via como homossexual, mas, com o tempo, se deu conta da questão de gênero. A partir daí, passou por acompanhamento psicológico até chegar a mudanças físicas. A situação não foi bem-vista por parte da família. “A relação foi quebrada. A gente convive, com respeito, mas não há vínculo”, diz. “Eu dependia financeiramente da minha mãe, então a transição foi adiada ao máximo. Saí de casa aos 27 anos, trabalhando com projetos direcionados à temática LGBT”, lembra.


Ela acredita que ter adiado o processo foi positivo para que tivesse a chance de se capacitar. “Sem apoio financeiro, nossa vida pode ter outro rumo — é o que leva muitas de nós ao mercado do sexo. A prostituição não é necessariamente ruim, mas, quando a lógica é de necessidade e não de escolha, é negativa.” Ludymilla defende que o Brasil precisa de uma legislação específica para a população trans.

 

Uma nova definição de ser mulher

 

 

Facebook/Reprodução
 

“Ser mulher faz parte de uma identidade de gênero socialmente construída. Não é a formação biológica que determina isso”, ressalta a professora de serviço social da UnB Valdenízia Peixoto. “As trans não nasceram com corpo de formatação feminina, mas ser mulher vai muito além disso, por isso o conceito envolve transgêneros também”, defende. Como a sociedade tem dificuldade em entender isso, o caminho delas é “doloroso”, na visão da pesquisadora.


“A grande maioria não chega a se profissionalizar. Várias não conseguem ter acesso a educação porque são hostilizadas na escola, pela família e em quase todos os espaços. Resta assim, a boa parte delas, a opção de usar o corpo como instrumento de trabalho”, percebe. Mestrando na FGV, Claudio Neszlinger participou da elaboração de uma pesquisa sobre a inclusão do público trans no mercado de trabalho. “Entre os nossos aprendizados está a percepção de que essas pessoas têm baixa escolaridade e 85% sobrevivem se prostituindo. Muitas são expulsas de casa e não conseguem continuar estudando”, diz.


“A primeira luta das trans não é nem pela educação: elas lutam primeiramente para viver. A maior parte morre muito cedo”, comenta Valdenízia Peixoto. A expectativa de vida é de 35 anos, segundo o livro Travestis envelhecem, do psicólogo Pedro Sammarco — menos da metade da média da população (74,9 anos) segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Mesmo entre a parcela que teve acesso a uma boa educação, a inserção no mercado de trabalho é problemática por causa do preconceito. “Pessoas trans batem em tantas portas e levam tanto não que podem até desistir de procurar. Ao mesmo tempo, há empresas que estão dispostas a contratá-las, mas não sabem onde encontrá-las”, observa a advogada e travesti Márcia Rocha, 51 anos.


Para fazer essa ponte, ela idealizou o TransEmpregos (www.transempregos.com.br), site que reúne currículos de travestis e transexuais e faz o meio de campo com instituições que podem empregá-los. Lançado em 2014, o portal reúne pelo menos 800 perfis profissionais. “Não temos o feedback de quem é recrutado, mas muita gente me procura para agradecer. De um ano para cá, sei de pelo menos 50 travestis e transexuais que foram contratadas por empresas muito boas”, comemora. Ela pondera, porém, que o projeto é aberto a qualquer tipo de trabalho e exibe vagas para chapeiro de lanchonete e faxineiro de motel, por exemplo.


A empresária — dona de um estacionamento e três empresas imobiliárias — começou a transição, primeiramente, aos 14 anos, mas interrompeu, por pressões familiares. Voltou ao processo de mudança para travesti há uma década, o que envolveu tomar hormônios e colocar uma prótese de silicone. Há cinco anos, assumiu-se como travesti. “Minha filha, de 22 anos, sempre soube e nunca teve problemas com isso. Com parte do resto da família, houve certo afastamento”, afirma ela, que foi casada duas vezes e está num relacionamento estável há dois anos com uma mulher.


“Por ser patroa, no mundo profissional, não tive problemas de nenhum tipo. Nem parceiros de negócios ligaram para isso”, conta. A advogada, membro da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB/SP), percebe que, na última década, a sociedade avançou no entendimento da diversidade sexual. “E, de cinco anos para cá, há empresas que têm assumido compromisso com esse tema. Ter a inserção dessas pessoas é uma quebra de paradigmas, porque mostra como elas podem ser competentes e trabalhadoras.”


Ela pondera, porém, que não basta contratar: as companhias precisam investir na preparação da liderança e da mão de obra. “É necessário criar um ambiente em que seja possível produzir sem sofrer preconceitos, mas, caso haja discriminação, o jeito não é brigar — a não ser que seja algo muito grave: a profissional precisa tentar ensinar e até passar informações técnicas sobre a própria condição. Quando a gente briga, perde um pouco a razão.”

 

Palavra de especialista

Questão de direitos

Existe assédio moral no trabalho contra LGBTs? Existe muito. As pessoas são mandadas embora por serem homoafetivas? Acontece. Mas o homoafetivo tem uma entrada melhor no mercado de trabalho. Já no caso da população trans, a inclusão é dificílima, e a maioria vai para a prostituição. Quem nasceu homem e faz transição para o gênero feminino sofre ainda mais. A Comissão de Diversidade Sexual da OAB/DF, reativada este ano, até agora, recebeu apenas um caso de dano moral nesse sentido. Poucas pessoas denunciam a homofobia. Primeiro porque, em muitos casos, não tem como provar; segundo porque várias acham que vão sofrer mais preconceito ao denunciar.


Muita gente não sabe que a capital federal conta com a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), no Complexo da Polícia Civil, no Sudoeste — além disso, também há a Delegacia da Mulher (204/205 Sul). A orientação para casos de homofobia, no trabalho e em qualquer outro espaço, é: se aconteceu uma vez, vai acontecer outra. Portanto, grave a conversa, guarde registros de e-mail e WhatsApp e denuncie ou entre com uma ação. Só assim os responsáveis serão punidos e poderemos coibir a discriminação.

Priscila Moregola, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/DF

 

Números
20 milhões: Estimativa da população LGBT no Brasil
135 mil: estimativa de população LGBT no DF
Desse total, 10,8% são homens e 5,1% são mulheres

60 mil casais gays no Brasil
53% - casais de mulheres
47% - casais de homens

5.614 casamentos gays realizados em 2015 no Brasil
2.986 entre mulheres
2.628 entre homens

318 pessoas LGBT assassinadas no Brasil em 2015
52%: gays
37%: travestis
16%: lésbicas
10%: bissexuais                                             

Fontes: IBGE e Grupo Gay da Bahia (GGB)

 

O papel das empresas
Márcia Rocha observa que o projeto TransEmpregos é também uma chance de entrar em contato com companhias e promover um processo de conscientização. Por isso, tem feito palestras em organizações para falar sobre o assunto. Na última semana, ela foi uma das convidadas da palestra A questão T no mundo corporativo: transgêneros, transexuais e travestis, realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo, onde falou para 122 representantes de empresas. Também foi palestrante no evento Claudio Neszlinger, à frente da Gestão de Pessoas da agência de publicidade Dentsu Aegis no Brasil.


“Entre experiências interessantes, tivemos o caso do Carrefour, que contratou 29 travestis para trabalho em loja; a GE, que relatou aprendizado ao lidar com a transição de um funcionário trans; e a Dow Química, que fez inclusão de trans de 15 a 16 anos como jovens aprendizes”, conta. Na visão do executivo de RH, as companhias devem ter um papel ativo ao ajudar a promover equidade no mundo do trabalho. “Não adianta a instituição dizer que é acolhedora e esperar a hora em que aparecer um trans para agir: deixe a política de inclusão pronta, garanta igualdade na seleção, desenvolva o respeito”, ensina.


Um desafio é encarar o preconceito dos funcionários. “Mesmo que a empresa seja inclusiva, esbarra-se na discriminação do indivíduo. Isso tem que ser coibido no dia a dia — é preciso punir. O preconceito pode ser verificado por meio de caixas de sugestão e estruturas de denúncia. Por mais bobo que possa parecer, não se pode permitir qualquer ataque, mesmo em piada, a qualquer tipo de diversidade — incluindo mulheres, negros, trabalhadores LGBT.”
Claudio Neszlinger sugere que os órgãos públicos comecem a dar o exemplo. “Se tivermos uma política afirmativa para incluir pessoas trans, por exemplo, no atendimento ao público em agências da Caixa Econômica Federal e qualquer outro contexto, aumenta-se a vivência, e o preconceito pode começar a ser rompido”, diz ele, que defende políticas públicas e legislações específicas para esse público.

 

 

>> entrevista Keila Simpson

 

Andrea Magnoni
Travesti e prostituta de 51 anos, vice-presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)
e presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)

 

Mulheres trans enfrentam mais dificuldades no  trabalho?
É lógico que sim. Sofremos duplamente a exclusão por causa de um fator de gênero que a sociedade não entende. Isso afeta a escolaridade e a empregabilidade. No ambiente de trabalho, muitas ainda não têm o nome social aceito e precisam ser chamadas por um que não condiz com a aparência. A lésbica não sofre isso.

Como é a abertura de instituições de ensinoà população trans?
Ainda é tímido o movimento de escolas e universidades que respeitam a identidade de gê nero. Não contamos com base legal ou determinação do Minis tério da Educação (MEC) que preconize isso. Se as pessoas tivessem aprendido a lidar com isso no ensino básico, seria mais fácil no superior.

Por que a prostituição é comum entre trans?
Elas vão para a prostituição, em muitos casos, porque foram expulsas de casa cedo. Sem estudo, encontram quase que apenas na prostituição um espaço para conseguir dinheiro e sobreviver. Antigamente, era mais difícil. Hoje, mesmo com as adversidades, existem outras opções: é mais fácil absorver uma política pública para entrar numa faculdade pública ou particular. Segundo estimativa da Antra, 90% da população trans está no mercado sexual, mas isso está se modificando.

Como foi o seu processo de transição?
Nasci em Pirantinópolis (MA), criei-me em Pedreiras e meu sonho de consumo era viver numa cidade grande, o que consegui indo para Teresina (PI). Saí de casa aos 13 anos e me identificava com como sou hoje. Sempre fui Keila, mesmo quando me vestia como menino. Não fui expulsa de casa: minha família era pobre, mas o que faltava de bens, sobrava de amor. No entanto, eu sabia que minha condição traria problemas para meus familiares. Não foi a família (com quem meu contato é muito grande), mas a sociedade que me tirou de casa. Quando fui para Teresina,  trabalhei como empregada doméstica.

 

Logo descobri uma praça em que se concentravam gays e travestis e, lá, achei o lugar em que me identificava como gente e me envolvi com programa. Trabalhei em São Luís, Recife até chegar a Salvador, onde moro e atuo no mercado sexual até hoje. Digo que estudei só até o 1º ano, mas meu doutorado foi na prostituição. Não tentei trabalhar com outra coisa, porque ela me dá o rendimento de que preciso e sei que, com minha baixa escolaridade, no mercado comum, ficaria em posições sumárias, ganhando pouco. Sou a favor do projeto de lei Gabriela Leite,  do deputado Jean Wyllys, que regulariza a profissão. É algo importante de ser aprovado, mas acho difícil no congresso retrógrado que temos agora.

 

 

 

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