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Correio Braziliense

FESTA DE FIM DE ANO »

Sem erro na confraternização

Gestores precisam tomar cuidado ao escolher um estilo de festa que combine com a equipe. Já os funcionários devem ficar atentos para ão passar vexame durante a reunião informal

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postado em 04/12/2016 15:04 / atualizado em 04/12/2016 15:19

Gabriela Studart
 

Vale a pena promover e participar da festa da frma

O fim do ano está chegando e as festas também — e não apenas entre amigos e familiares. Nesta época, empresas se preparam para comemorar conquistas, confraternizar e criar um clima de união, tendo em vista um novo ciclo em parceria com os funcionários. No entanto, a recessão deixa empresários e empregados preocupados. Em alguns casos, as dificuldades econômicas podem ser motivo para cancelar ou reduzir o evento. Em outros, a preocupação financeira culmina na mudança do formato do encontro. Luigi Damando, 34 anos, sócio-gerente da Pitstop, rede associativista de fabricantes, distribuidores, lojas de autopeças, oficinas e retíficas, diz que, por causa da crise, foi preciso reduzir custos do evento. Aberta há 20 anos, a empresa costuma comemorar em restaurantes e, desta vez, fechou um pacote mais barato. Foram compradas, por exemplo, menos caixas de cerveja.


“É natural que isso aconteça. Mesmo assim, fizemos questão de escolher um lugar bem legal. Temos um relacionamento muito familiar, e esse tipo de evento é importante para a motivação da equipe”, explica. “Nossa empresa tem 20 empregados, e muitos são mais religiosos, por isso preferimos fazer a reunião num restaurante, que é um lugar mais tranquilo”, conta. Gerente da Pitsop de Taguatinga Norte, Ellen Cristina Chaves, 37, ficou um pouco receosa na primeira comemoração da firma de que participou. Chegando à quinta comemoração, ela sabe como se comportar. “No início, é mais difícil saber como nos vestir ou nos portar, mas o clima é tranquilo e sempre me senti muito à vontade”, diz ela, que concorda com Luigi sobre a importância da confraternização para motivar os colaboradores.


Gabriela Studart

Segundo Beatriz Bernardi, coordenadora de Recursos Humanos da empresa de softwares de gestão Mega Sistemas Corporativos, o número de empresas que apostam na confraternização de fim de ano diminuiu. “Algumas não estão fazendo festa e outras realizarão uma mais modesta.” Ela cita vantagens de investir nesse tipo de evento. “A festa proporciona a oportunidade de estreitar relacionamentos entre os colaboradores, melhorando a comunicação e o trabalho da equipe no dia a dia”, afirma.


De acordo com a psicóloga e professora de gestão de pessoas do Institute Business Education - Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV) Eline Rasera, mesmo em tempos difíceis, é válido comemorar o ano que passou. “É nessa hora que os colaboradores se sentem reconhecidos”, garante. “Caso a empresa não tenha dinheiro suficiente, pode fazer algo mais simples do que o costume, só para não passar em branco. Se for uma organização grande, cada setor pode fazer uma comemoração”, aconselha.


Pedagoga e especialista em gestão de negócios, marketing e recursos humanos, Roseli Rodrigues acredita que “as firmas que deixam de fazer algum tipo de confraternização não veem esse momento como relevante.” Ela destaca que essa postura deve mudar. “A realidade é que são eventos muito importantes para motivar a equipe”, alerta. Wanderson Dourado, 37 anos, supervisor da loja de artigos esportivos Free Corner no Brasília Shopping, entende a importância de reuniões informais com a mão de obra. Desde que a empresa foi inaugurada, em 1991, confraternizações fazem parte da cultura da rede, que tem 80 empregados.


“No começo, era na casa do fundador, pois era uma equipe pequena. Hoje em dia, alugamos um espaço para fazer a comemoração”, lembra. “Neste ano, fomos para uma chácara. Teve futebol, premiações, feijoada e pagode”, conta. A crise não impediu o evento, pois a empresa o considera uma prioridade. Segundo Wanderson, nunca houve alguém que tivesse dado vexame em alguma comemoração da firma.


Vendedor da loja há dois anos, Zaidan Silva, 22 anos, teve um pouco de receio quando foi participar da primeira confraternização, pois não sabia como se vestir ou se comportar. “Porém, logo que cheguei, todo mundo me deixou à vontade e percebi que era um momento de descontração”, lembra. “Conhecemos funcionários de outras lojas e nos divertimos muito”, garante.

Crise
Pesquisa feita em outubro pela Sodexo Benefícios e Incentivos constatou que 71,89% dos entrevistados preferem ganhar, de fim de ano, um vale presente para gastar como quiser. A opção ficou à frente  da festa de confraternização (confira o gráfico O que os funcionários preferem ganhar no fim de ano?). Segundo o diretor de Inovação da Sodexo Benefícios e Incentivos, Fernando Cosenza, esse é o resultado do momento que o país está vivendo. “Se fosse há cinco anos, quando o desemprego não era tão alarmante e a renda familiar era melhor, talvez os trabalhadores poderiam optar por uma comemoração. Na atual situação, essa opção dá mais liberdade ao funcionário”, afirma.


Especialista em RH, Roseli Rodrigues pondera que o importante é achar um meio de celebrar, valorizar e motivar o colaborador — não necessariamente com uma festa. “Já vi situações em que um singelo cartão, uma dobradura de origami, um porta-retrato com uma mensagem, pequenos mimos que traduzem o sentimento ‘Obrigado por estar aqui’ fizeram toda a diferença”, acrescenta.

 

Gabriela Studart
 

Cuidado necessário

 

Apesar de ser um momento de descontração, a confraternização não pode ser encarada como uma festa qualquer: a imagem que o profissional cultivou durante o ano dentro da corporação continua em jogo. Entre as principais gafes a serem evitadas, estão: vestir-se inadequadamente, exagerar na bebida, fofocar, tirar fotos e vídeos que possam expor e constranger os colegas e a si mesmo, como destaca a psicóloga e coordenadora de RH da Mega Sistemas Corporativos Beatriz Bernardi. “É importante estar atento à política de trajes que a empresa adota no cotidiano, além de não cometer exageros, seja com a bebida seja com assuntos inconvenientes ou a fofoca”, alerta.


Psicóloga e professora de RH da IBE/FGV, Eline Rasera deixa o alerta: mesmo com mais informalidade, ainda é um ambiente de trabalho. “É preciso lembrar seu papel dentro da empresa e não exagerar, pois todos o observarão, principalmente se você ocupa um cargo mais alto”, percebe. Especialista de RH na empresa de inteligência de mercado Neoway, Roseli Rodrigues dá dicas para que as direções das empresas evitem problemas durante as festas corporativas. Ela aconselha que o dono ou o presidente da empresa fique encarregado de cuidar dos detalhes do evento para que não surjam situações indesejadas ou atribua essa responsabilidade a alguém de confiança. “Na hora da contratação de um funcionário, as empresas sempre prezam por admitir alguém que tenha o perfil da organização, mesmo assim, é importante estabelecer limites no evento, como horário de início e término e número de pessoas que o colaborador pode levar à festa.”


Segundo ela, é importante ainda que a corporação conheça o perfil da equipe para saber que tipo de confraternização promover. “Se o pessoal é mais recolhido, não dá para fazer nada muito ousado. Existem empresas que fazem pressão social para que os colaboradores tenham que dançar ou participar de ações em que a pessoa fica muito exposta. Assim, há colaboradores que acabam não querendo ir”, explica. Ainda de acordo com Roseli, há um imenso leque de opções de modelos para a reunião de fim de ano, como um show ou apresentação de stand up comedy reservado para a equipe, um dia em um hotel fazenda, um jantar ou almoço. “Existem formatos que vão além das fronteiras organizacionais, como confraternizar com crianças em um orfanato e com idosos em um asilo”, completa.


Dona de uma franquia do centro de depilação e estética Doutor Laser, na 107 Norte, há quatro anos, Giovanna Diniz, 26 anos, criou o costume de promover comemorações de fim de ano com a equipe de cinco pessoas. “A cada vez, temos um lugar e uma dinâmica diferente. Neste ano, vamos fazer amigo-oculto, premiações e homenagear os aniversariantes do mês de dezembro num restaurante”, conta. Formada em direito, Giovanna diz que as festas nunca foram marcadas por nada negativo. Gerente da unidade Doutor Laser, Nádya Raquel Dantas, 26, conta que o pessoal participa das decisões de onde será a comemoração. “É muito importante esse tipo de reconhecimento. Trabalhamos o ano inteiro, e é preciso comemorar”, diz. Formada em enfermagem, Nádya acredita que trajes e comportamentos não são um problema na equipe. “Não tem uma regra, pois conhecemos a empresa e sabemos como temos que nos portar”, afirma.

Palavra de especialista

Quem não vai perde

Além de serem uma oportunidade de celebrar o ano que passou com a equipe, as confraternizações são uma chance para que os gestores façam reconhecimentos dos funcionários para agradecer pela dedicação, deem prêmios ou sorteiem brindes. Também é o momento para falar sobre as expectativas da instituição com relação ao ano que vai chegar. É um evento de extrema importância que acontece uma vez por ano, com uma data definida com antecedência. Se não houve imprevisto sério, não tem porque faltar, mesmo que seja só para ficar um pouco. Essa é a hora de falar sobre outros assuntos, não necessariamente relacionados com a empresa. Se o empregado não vai, não será visto nem lembrado pelos outros. Não é recomendável que a empresa cobre contribuições em dinheiro dos colaboradores, pois isso pode fazer com que nem todo mundo possa participar. Mas, se você tem a disponibilidade financeira, vale a pena ir.

Diego Mendonça, administrador, especialista em gestão empresarial, diretor comercial e de Expansão da consultoria Franquear Estratégia e Gestão de Negócios

 

Diversão sem exagero

Dicas para curtir bem a festa de fim de ano da firma:

» Evite chegar atrasado.
» Apesar de a festa ser um ambiente mais informal, o ideal é não usar roupas curtas ou decotadas.
» É permitido beber socialmente, mas não exagerar. Se estiver muito animado, faça uma esticadinha em outro ambiente, como um bar.
» Não aja como se fosse íntimo das pessoas de quem você não é e não seja inconveniente.
» Cumprimente normalmente os colegas, sem beijos ou abraços exagerados, independentemente do cargo.
» Caso não possa ir, avise que não vai poder comparecer e o porquê.
» Não gosta de festas? Dê uma passada e fique um pouco, pois o evento foi feito para você.
» Aproveite para conhecer pessoas diferentes e fazer novos amigos, pois o bom relacionamento e a rede de contatos são importantes para qualquer profissional.
» Geralmente, as empresas especificam quantas pessoas você pode levar ao evento; caso isso não aconteça, pergunte.
» Quando o convite é aberto à família, significa que você pode levar o cônjuge e filhos ou a pessoa que mora com você.
» Dance, mas sem exagerar nem fazer papel de bobo.
» Cuidado na hora das refeições. Não exagere com porções grandes. Caso não goste de algo, não se sinta obrigado a comer.

 

 

Fonte: Beatriz Bernardi, Eline Rasera, Roseli Rodrigues e Diego Mendonça

 

"Estagiária  sob supervisão de Ana Paula Lisboa