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Como alavancar os negócios no fim do ano

Apesar da previsão de menor volume de vendas perto dos períodos de Natal e ano-novo em 2016, é possível conseguir bons resultados: para conquistar o consumidor, o esforço dos empreendedores deve ser maior

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postado em 04/12/2016 15:22

Gabriela Studart

A expectativa com relação ao volume de compras no comércio no fim do ano é negativa: estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) projeta queda de 5% em comparação com o Natal de 2015. Entre as pessoas que responderam a pesquisa, 40% querem gastar menos no período neste ano. Apesar do cenário desanimador, esta é a hora de traçar estratégias para conquistar a clientela, afinal, é difícil ficar sem comprar ao menos uma lembrancinha, e há ainda pessoas dispostas a investir o 13º salário ou a remuneração conquistada em um trabalho temporário em sonhos, como reformar a casa e renovar o guarda-roupa.


“Estamos passando por um momento de recessão, em que há natural retração do consumo. No entanto, vemos empresários que se sobressaem mesmo com os consumidores dando um passo atrás”, diz Mário Rodrigues, diretor do Instituto Brasileiro de Vendas (IBVendas). O fato de as pessoas estarem mais inseguras e em busca de opções mais econômicas faz com que o público desça um degrau e procure opções mais baratas com fornecedores menores. “Se a empresa aproveitar a oportunidade e estiver preparada para atender clientes mais exigentes, poderá se alavancar, pois a freguesia conquistada agora pode permanecer”, diz.

 

De acordo com o coordenador do Centro de Empreendedorismo da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Edson Barbero, o período de verão muda drasticamente a rotina do consumidor. “Para nós do Hemisfério Sul, o Natal e o ano-novo ainda são melhores épocas porque as pessoas estão nas ruas. O momento é bom sobretudo para o comércio e serviços”. Bufês têm maiores oportunidades no período, uma vez que as pessoas estão mais propensas a confraternizar. Além disso, muita gente está mais preocupada com o visual e busca resultados em salões de beleza e centros de estética.


Quem está atenta a essa demanda é Delimar Sousa, 42 anos, proprietária do Salão Executivo, no Conjunto Nacional. Ela percebe que a busca por atendimento costuma crescer a partir de outubro. “Mesmo com a crise, estou achando que este ano vai ser melhor”, avalia. Para dar conta do fluxo extra, revela que o estabelecimento funcionará das 7h às 22h nos dias que antecedem o Natal e o ano-novo.


Delimar teve de reforçar os estoque de produtos que utiliza para os tratamentos e notou que eles estão cerca de 30% mais caros. Para compensar esse custo e se destacar, a empresária promoverá um evento promocional. “Estamos convidando para vir, fazer um serviço e ganhar outro. Servimos guloseimas e enfeitamos o ambiente. Vejo grande retorno nesse tipo de iniciativa.”


Vilmar Elesbão, 53, gerente de vendas da Passaredo, loja do segmento de calçados e acessórios, reforçou o estoque para atender a demanda de clientes, que pode aumentar cerca de 50% em dezembro. Em 2010, o crescimento foi de 70%. “Acredito que essa retração tem a ver com a economia do país, que está em uma situação delicada. Por causa disso, as pessoas estão cautelosas e pesquisando mais. Para atender o fluxo que procura opções que combinem com as roupas para a véspera natalina e passagem do ano, a intenção é abrir das 9h às 23h nos dias que antecedem essas ocasiões, em vez do horário normal (das 10h às 22h).” O gerente explica que, diferentemente de anos anteriores, não contratará colaboradores temporários. “Mantivemos o mesmo quadro. Para dar conta do serviço, fizemos um remanejamento de pessoal e escala de revezamento”, diz.

 

Gabriela Studart
 

Ajuda para os negócios

O Sebrae-DF oferece uma série de atividades pagas e gratuitas no Circuito Empreendedor para capacitar empresários. De amanhã a sexta-feira (9), a unidade do SIA recebe os cursos Técnicas de vendas para o Natal (R$ 150) e Plano de negócios (investimento: R$ 150, cada). De amanhã a sábado (10), a mesma unidade recebe o Seminário Empretec (R$ 1.000). Amanhã e terça-feira (6), das 14h às 18h, a unidade da 515 Norte recebe a oficina Plano de negócios para começar bem (R$ 50). Na terça (6), das 14h às 18h, a mesma unidade recebe a oficina gratuita Sei Empreender. Informações: www.df.sebrae.com.br.

 

Gabriela Studart
 

Época de oportunidades
De acordo com o diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Distrito Federal (Sebrae-DF), Valdir Oliveira, o Natal é importante para o consumo por causa do hábito de presentear; no réveillon, ganha-se bastante com entretenimento e gastronomia. Já o consumo para o verão é reflexo das férias, que propiciam contratação de pacote de viagens e compra de roupas de banho. Segundo o diretor, o empreendedor fica imobilizado quando as mercadorias demoram a sair. “O empresário deve se adaptar. É necessário conhecer o negócio para fazer um estoque correto e alocar os funcionários conforme a demanda”, orienta.


Oliveira lembra que quem pega o 13º salário quer colocar em prática algum sonho de consumo. Setores de mercado que aparentemente não têm nada a ver com o período de festas podem obter bons rendimentos. É o caso de oficina mecânica (porque as pessoas querem fazer revisão de carro antes de viajar) e lojas de material de construção (por causa dos clientes que desejam renovar a casa para o ano-novo). A JotaFrança, empresa de acabamentos de materiais de construção no Lago Sul, tem estocado produtos desde julho, prevendo aumento de consumo nos últimos meses de 2016. Segundo a arquiteta Tereza Dechichi, 50, sócia da firma, consumidores do período estão envolvidos pelo desejo de renovação. “Com o dinheiro a mais, as pessoas podem realizar um sonho com um bem durável”, diz.


Mesmo assim, é preciso ter estratégias diferentes. “O consumidor está mais consciente e responsável. É um momento propício para investir em peças que consomem menos água e energia, por exemplo.” O administrador Marcelo Dechichi, 52, sócio da empresa com 50 anos de mercado, acredita que a melhora no quadro econômico depende mais do proprietário do que do mercado em si. “Quem faz a diferença somos nós, atraindo o cliente com bom atendimento e produto. O cliente está mais técnico e exigente”, pondera ele, que tem ainda, como sócio, o filho João Dechichi, 20, arquiteto.

* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa