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O custo de não investir em igualdade

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postado em 04/12/2016 15:50 / atualizado em 06/11/2017 20:33

Fabiano Alves

Reitor adjunto da Saúde Maternal e da Criança da Universidade de Stanford, Gary Darmstadt esteve no Brasil para participar do 6º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, no Recife (PE). Na Fundação Bill & Melinda Gates, Darmstadt liderou uma iniciativa transversal sobre gêneros, demonstrando como abordar as desigualdades de gênero e capacitar meninas e mulheres leva à melhoria da igualdade e do desenvolvimento.



Grupos específicos de mulheres enfrentam mais problemas decorrentes da
desigualdade de gênero?

Definitivamente, sim. É o caso de mulheres com deficiência, LGBT, negras, pobres e integrantes de certos grupos sociais. Falando especificamente de pobreza, podemos dizer que ela cria um estresse que é passado de geração em geração. Se uma mulher está tentando trabalhar informalmente para conseguir cuidar dos filhos e ter uma renda, ela tem praticamente nenhum direito. Uma grávida vivendo em situação precária gera um estresse que afeta até o desenvolvimento cerebral do bebê, que crescerá numa ambiente difícil. Tudo isso impactará essa criança no aprendizado e, futuramente, na inserção no mercado de trabalho.

Os problemas da desigualdade de gênero começam na infância?
Antes disso. Algumas vezes, iniciam-se até no útero. Em alguns lugares do mundo, pode haver discriminação a partir do momento em que se descobre se o bebê será menino ou menina. Em algumas sociedades, até o modo como os recursos são alocados pode ser diferente: por exemplo, há casos em que os garotos recebem preferência para ser alimentados e educados em comparação com garotas. É comum também, quando há uma criança pequena doente, que uma adolescente seja designada para ficar em casa e cuidar dela. Essa corrente de exclusões continua na educação secundária até chegar às oportunidades de emprego para mulheres. A desigualdade começa muito cedo e se manifesta por toda a vida.

Qual é o caminho para a solução?
Começa com a consciência da existência desse problema. Frequentemente, as pessoas não se dão conta das maneiras pelas quais as meninas são discriminadas. Eles fazem escolhas que parecem normais, mas que, na verdade, são discriminatórias contra as garotas — como deixar a menina em casa para cuidar da criança — e tornam a vida e o desenvolvimento das mulheres mais difícil. Em termos de tipos de intervenção, um tipo de abordagem, especialmente para mulheres pobres, que se mostrou útil são programas sociais de transferência renda.

Qual é o custo de uma sociedade desigual?
Estudos mostram que um instrumento muito poderoso para o desenvolvimento de um país é dar às meninas a chance de se desenvolverem em todo o potencial e de se inserirem no mundo do emprego. Levantamento da consultoria McKinsey, por exemplo, revela que, se as mulheres recebessem oportunidades iguais no mercado de trabalho, isso adicionaria US$ 27 trilhões à economia mundial. Ao não investir nas meninas, paga-se um preço como sociedade. O investimento na questão de gênero não precisa ser alto para ter um retorno gigante.

 

Campanha

Todos contra o machismo
A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) lançou a campanha 16 dias de ativismo pelo enfrentamento à violência sexual “Machismo já passou da Hora” e a hashtag #PodeParar. Desde 1991, a mobilização, com apoio da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), ocorre em 160 países. Tenha acesso a imagens para compartilhar em www.spm.gov.br.

 

 

* A jornalista viajou a convite da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal