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NA PONTA DOS DEDOS »

Ocupação em alta

Não faltam empregos para manicures, já que o mercado de beleza e estética resistiu bem à crise. Sindicato estima que existam 35 mil profissionais do ramo no DF

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postado em 18/12/2016 19:01 / atualizado em 18/12/2016 19:14

Gabriela Studart

Tirar cutícula, lixar e pintar. O cotidiano de manicures é o mesmo há muito tempo, mas quem trabalha no ramo precisa estar atento a novidades do mercado de esmaltes para agradar a clientela. Assim como a moda das passarelas, o estilo de ornamentação das pontas dos dedos é cheio de tendências, em cores, estampas, formatos e até materiais: estão em alta, por exemplo, unhas postiças feitas de porcelana, gel e fibra de vidro. No Distrito Federal, segundo o Sindicato dos Salões, Institutos e Centros de Beleza, Estética e Profissionais Autônomos (Sincaab-DF), existem cerca de 8 mil estabelecimentos legais. Cada um tem de duas a quatro manicures, o que resulta numa estimativa de 35 mil profissionais na área.


“As mulheres existem em maior número, pois, normalmente, se interessam mais por beleza e estética”, afirma Célio Ferreira Paiva, presidente do Sincaab-DF. Segundo ele, a categoria conta com um piso salarial de dois salários mínimos, caso o contrato seja por meio de carteira assinada; ou de 35% da fatura bruta do salão, quando a pessoa trabalha como autônoma. Profissionais da área não devem sofrer tanto com a crise, de acordo com ele. “Esse mercado tem muita oferta de emprego, não houve queda”, ressalta. Jaqueline Rocha, 34 anos, é manicure há 15. Ela começou vendo a atuação da tia na profissão e decidiu seguir a carreira. “Essa é uma área boa para ganhar dinheiro, porque as mulheres sempre querem se sentir bonitas e bem-arrumadas”, diz.

 

Gabriela Studart

Mesmo com o surgimento de tecnologias, como esmalte em spray ou máquinas 3D para pintar as unhas, a profissional, que trabalha como autônoma na Esmalteria Nacional na 205 Sul há seis meses, acredita que nenhuma dessas novidades é capaz de substituir a atividade. “Nosso serviço é completo. Não tem uma tecnologia que tire a cutícula”, explica. Colega de Jaqueline há dois meses, Marta Rejane Santos, 32, também é autônoma e decidiu ser manicure por influência da mãe. “Eu ficava observando e, quando me dei conta, estava exercendo a profissão”, lembra.


“É preciso agradar a clientela para que ela volte. Também invisto em cursos, pois as freguesas gostam de novidades”, relata. Proprietária de uma unidade da franquia Esmalteria Nacional, Silvana Noronha, 53, acredita que a profissão de manicure não está ameaçada nem pela crise nem pelas tecnologias. “Toda mulher gosta de se arrumar. Novidades tecnológicas podem ajudar em um momento que a pessoa precisa daquele serviço urgente, mas a cliente vem ao salão não só para fazer a unha: vários lugares oferecem um tratamento especial.

 

Ana Sá
É preciso estudar
“Estudante de gestão hospitalar Willyanny dos Santos, 25, queria ser manicure desde criança. Ela aprendeu técnicas com tias e fez cursos na área. Trabalhando no salão Salvador Cabeleireiro, em Águas Claras, há três anos, a jovem ganha cerca de quatro salários-mínimos por mês. “A área não está ameaçada pelas novas tecnologias. Minhas clientes são assíduas e me indicam. No Brasil, as mulheres gostam de tirar cutícula”, diz.


Célio Ferreira Paiva, presidente do Sincaab-DF, observa que trabalhar na área é mais complexo do que parece: não basta saber passar o esmalte. É preciso ter curso de microbiologia e biossegurança, além do de manicure. É necessário ainda seguir normas de higiene, como esterilizar equipamentos. “No entanto, a maior parte aprende o ofício com outro profissional e ingressa no mercado sem o diploma”, diz. Caso os estabelecimentos de beleza contratem profissionais sem a formação exigida, podem pagar de R$ 1 mil a R$ 2 mil de multa.

 

Legislação

 

Nova lei altera relação jurídica

Sancionada pelo presidente Michel Temer em 27 de outubro, a Lei Ordinária 13.352/2016 viabiliza a contratação sem carteira assinada de profissionais de beleza, como manicure, pedicure, cabeleireiro, barbeiro, esteticista, depilador e maquiador. A norma cria as figuras do “salão-parceiro” e do “profissional-parceiro” e prevê que o dono do estabelecimento e o profissional dividam a receita bruta sobre os serviços prestados, sendo cada um responsável pelo pagamento dos tributos referentes a parte de cada um. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Moacyr Roberto Tesch, acredita que, na prática, a lei vai acabar com todos os direitos conquistados pela Consolidação das Lei do Trabalho (CLT), como 13º salário, férias, fundo de garantia, seguro-desemprego, estabilidade da gestante, entre outros.


“Os empresários não vão mais querer contratar com carteira assinada e, do jeito que o desemprego está grande, as pessoas vão aceitar isso”, afirma. “Antes de a lei ser sancionada, o Ministério Público do Trabalho (MPT) deu um parecer contrário à medida”, conta o presidente, que tem esperança de que o Poder Judiciário faça algo para invalidar a norma. Profissionais de beleza se manifestaram contra a norma em frente ao Ministério do Trabalho. Para o advogado Rodrigo Nahas, do escritório Nahas Advogados, a nova legislação é positiva, pois traz segurança jurídica. “Essa lei permite que o profissional possa se enquadrar na modalidade de microempreendedor individual (MEI), que paga tributações especiais”, explica. Especialista em direito empresarial, Nahas ressalta que havia dúvidas quanto às relações tributárias, trabalhistas e previdenciárias. “Agora essas relações estão definidas para cada parte, uma vez que estará tudo escrito e previsto por contrato.”

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa