ENTREVISTA MICHAL BORKOWSKI »

CEO em educação colaborativa

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postado em 18/12/2016 19:18

Dave Cross
O polonês Michal Borkowski, 29 anos, graduado em finanças corporativas pela Warsaw School of Economics, a faculdade de economia mais antiga da Polônia, é a mente por trás da plataforma de estudos on-lineBrainly. Por meio do site, estudantes podem ajudar uns aos outros a superar dificuldades no aprendizado. A ferramenta é voltada a alunos de todos os níveis de escolaridade. Funciona assim: um usuário posta uma dúvida, e outros participantes respondem. O aplicativo colaborativo deu tão certo que, hoje, é usado por 60 milhões de pessoas de 35 países e 12 idiomas. No Brasil, há 7 milhões de usuários.


Considerada a maior comunidade de aprendizado social do mundo, a iniciativa nasceu em 2009 a partir de uma experiência pessoal de Michal: ele driblou as dificuldades em física, na época do ensino médio, com ajuda de amigos que respondiam as dúvidas dele. O polonês percebeu que estudantes estão dispostos a se ajudar e resolveu maximizar as possibilidades disso. Em 2015, a empresa foi nomeada a melhor de tecnologia educacional na Europa e, em 2016, a startup do ano na categoria melhor execução de impacto social no European Startup Awards.O presidente da Brainly esteve no Brasil a fim de entender o mercado brasileiro de tecnologia para a educação e deu uma entrevista exclusiva ao Correio.

O que mais chama a atenção na plataforma de estudos?
O fato de ela ser completamente gratuita e ter um design gamificado, ou seja, parecido com o de jogos, em que o usuário que mais responde questões sobe de nível e adquire novos distintivos. A lógica por trás disso é simples: ninguém sabe tudo, mas todos sabem algo, e, compartilhando o que sabem, os alunos podem obter pontos e trocá-los por ajuda nos assuntos com os quais têm dificuldade. É a única plataforma em que o estudante não só ajuda seus pares e ajuda a clarear dúvidas dos outros, mas também brinca. É uma rede social de aprendizado. Ninguém fica receoso de fazer uma pergunta, porque, nesse ambiente, os jovens estão entre colegas. Ali, tornar-se “nerd” é maneiro.

Você contou com ajuda para desenvolver o site?
Além de mim, a plataforma foi desenvolvida por especialistas em tecnologias educacionais. Nós começamos a trabalhar no primeiro protótipo muito rápido e chegamos ao primeiro milhão de usuários na Polônia dentro de um ano.

Há algum procedimento para analisar as respostas e não
permitir que as pessoas adquiram conhecimentos com erros?
Temos mais de mil moderadores ao redor mundo, que são os melhores alunos, professores e pais que encontramos. Eles garantem a qualidade das respostas. Existem também algoritmos implementados para impedir que os usuários adicionem palavreado chulo ou spam.

Como tem sido a experiência da Brainly por aqui?
O Brasil é — com Polônia, Turquia, Rússia, México e nações de língua espanhola — um dos países em que experimentamos um crescimento muito rápido e um forte envolvimento dos usuários. Esta é uma oportunidade para democratizar o acesso à educação. Com a Brainly, um aluno de uma pequena cidade pode obter ajuda de um que estuda na melhor escola de São Paulo ou do Rio. Ao mesmo tempo, estamos incentivando professores a confiar em nossa comunidade para responder a centenas de perguntas em minutos.

Você acha que plataformas on-line — como a Brainly e a brasileira Geekie — e a tecnologia em geral podem mudar a  educação no Brasil e no mundo?
Nós acreditamos que pode. Nós nos encontramos com representantes da Geekie quando estivemos no Brasil: a plataforma é excelente, e a equipe é incrível. Nossa missão é dar, a cada estudante do mundo, o acesso à aprendizagem personalizada. Para isso, proporcionamos um espaço para que todos possam compartilhar o que sabem. Há ainda uma longa estrada a percorrer, mas o caminho para a igualdade de acesso à educação é muito gratificante.

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa