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Correio Braziliense

Perfis de sucesso ANTôNIA NORBéLIA PRADO DE ARAúJO E JACINTO EPITáCIO DE ARAúJO »

Parceria musical

Há 20 anos, casal monta banda de músicos para tocar em casamento e outras festas. Por ano, atendem 120 eventos. O boca a boca é a propaganda do negócio

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postado em 25/12/2016 15:56 / atualizado em 25/12/2016 16:09

Num casamento, os noivos são as figuras centrais, mas melodias executadas à perfeição ajudam a dar o tom de emoção à cerimônia. É com essa missão que Jacinto Epitácio de Araújo, 53 anos, e Antônia Norbélia Prado de Araújo, 49, casados desde 1985, comandam, há 20 anos, a Arte Sonora. O casal conta com 24 músicos à disposição e os convocam para tocar em enlaces matrimoniais, formaturas, aniversários, bodas e outros eventos. “Apesar de ser um trabalho freelancer, são pessoas que têm um compromisso com a gente. Existe um entrosamento de banda mesmo”, conta Epitácio. O grupo se apresenta com baixo, bateria, violão, teclado, violino, saxofone, clarins e vozes. Por ano, chegam a trabalhar em 120 eventos.

Todo sábado das 10h30 às 12h, Epitácio e Norbélia promovem audições na loja de aluguel de roupas de festas Detalhes Noivas, em Taguatinga, como forma de divulgar o trabalho. A fórmula de sucesso da Arte Sonora (saiba mais em www.facebook.com/bandaartesonora) envolve seriedade, organização, compromisso e dedicação para fazer o melhor em cada ocasião. A atenção aos detalhes  está inclusive no uniforme, na forma de apresentação e na postura respeitosa da banda. A recompensa para tanta dedicação vem também em forma de reconhecimento. “Geralmente, na segunda-feira, recebemos mensagens de agradecimento e elogios. A indicação é nossa maior propaganda. De uma mesma família, por exemplo, tocamos nos casamentos de três irmãs”, conta Norbélia, satisfeita.

Gisele James, 34, canta na banda há 10 anos e é uma das vozes mais cotadas da Arte Sonora. “O Epitácio, de muitas formas, é um paizão. Acho que o diferencial do grupo é o entrosamento e o clima de família”, diz. “Durante a semana, trabalho como jornalista e, no fim de semana, minha vida é dedicada à música. Meu primeiro compromisso é com a Arte Sonora — só marco férias se a agenda daqui estiver liberada”, relata.

“Quem monta a banda são os clientes, dependendo dos instrumentos e da quantidade de vozes que desejam”, explica Epitácio. O repertório é de mais de 300 músicas e está sempre aumentando, na medida que os músicos aprendem novas melodias a pedido de clientes. “Já houve casos que nos procuraram até no dia anterior ao casamento para tocar, mas, o ideal, é que as pessoas agendem com antecedência. Pelo menos, até dois meses antes, é bom que as músicas estejam definidas”, informa Norbélia. “Estamos sempre prontos para lidar com mudanças e fazemos o máximo para atender qualquer pedido, mesmo quando ele vem de última hora”, complementa.

História
A trajetória musical da Arte Sonora se confunde com as histórias de vida de Epitácio e Norbélia. Os dois se conheceram durante a adolescência na Paróquia São Sebastião, no Gama. “Ele tocava teclado na missa e, quando o vi, me apaixonei. Aí comecei a ir à igreja quase todos os dias”, conta ela. Epitácio começou a se apresentar em casamentos em 1982, em princípio, sozinho. “Naquele tempo, não era comum ver bandas tocarem nesse tipo de evento”, comenta ele, que nasceu e cresceu no Gama. Quando o brasiliense se tornou taifeiro (graduação militar responsável por alimentação) do Exército e entrou para a banda do Regimento de Cavalaria de Guarda (RCG), recebeu o impulso necessário para transformar aquilo em algo maior.

A partir daí, juntar um grupo para tocar em casamentos foi natural: de 1996 até hoje, a maior parte dos músicos que Epitácio e Norbélia chamam para as festas são do Exército. A disciplina militar é um traço que ajudou o negócio a dar certo. “Chego num evento com cinco horas de antecedência porque, assim, é possível resolver qualquer problema que surgir e nenhum dos músicos se atrasa. A seriedade e a responsabilidade são muito fortes para nós”, conta Epitácio, militar reformado. “Muitos cerimoniais gostam de trabalhar com a gente pois sabem que terão tranquilidade”, diz Norbélia. Quando o grupo começou a deslanchar, por volta de 1998, Norbélia, que é superorganizada, parou de trabalhar na Administração do Cruzeiro para assumir a parte administrativa do negócio. “Sou responsável por fechar os contratos, agendar as datas dos eventos, escalar os músicos para as apresentações. Já o Epitácio cuida de todo o trabalho musical”, conta ela.