SIGA O
Correio Braziliense

PERFIS DE SUCESSO »

No comando do churrasquinho

Casal trabalha noite e dia para vender espetinhos no Guará, mas garante que vale a pena. Segredo está num tempero próprio e na busca por ingredientes de qualidade

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/01/2017 16:53 / atualizado em 01/01/2017 17:55

 

Rosângela Ferrugem Vieira, 61 anos, e Edson Carlos Vieira, 63, são exemplo de muita garra e dedicação. Eles trabalham sem parar, mantendo o Churrasquinho do Furmigão, mas garantem que vale a pena. Quem passa pela esquina da QI 22 do Guará I de segunda a sexta-feira, das 18h à 0h, sente aquele cheiro delicioso de carne assando. O aroma é apenas um dos atrativos: quem se aproxima é seduzido ainda pelo visual corado dos espetos e pode provar carnes macias e bem temperadas. Entre as opções comercializadas estão carnes bovina (contrafilé, cupim, kafta), de frango (linguiça, raquete, filé, filé com bacon e coração) e suína (linguiça e pernil) e queijo coalho. Conhecido como Furmigão, Edson começou o negócio com a ajuda da esposa, Rosângela, há 15 anos. Há dois, eles têm CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). O casal não oferece complementos: apenas os espetos. “A estrela é a carne”, define Rosângela.

 

Ela é a responsável pelo tempero das preparações, que é suave e saboroso e leva alho, sal, folhas de louro e açafrão — mas nada em excesso. “Não é como o de outros pontos, em que é tão forte que a pessoa fica arrotando o dia inteiro”, observa Furmigão. Juntos, os dois fazem as compras necessárias. “Mesmo com a crise, mantivemos o preço e a qualidade: rodamos Brasília inteira para achar opções mais baratas toda semana”, conta Rosângela. Cada churrasquinho sai por R$ 5, e refrigerantes e cervejas custam R$ 3,50. Durante o dia, Rosângela trabalha como costureira na chácara em que mora e, nas sextas-feiras, vai ao churrasquinho ajudar o esposo. Ficam a cargo dele o corte das carnes e o preparo dos espetinhos. “É muito trabalhoso. Passo o dia inteiro mexendo nisso para deixar tudo pronto e gasto a noite toda vendendo”, conta o paulista de Barretos.

Gabriela Studart

“A parte de que eu mais gosto é assar na hora e poder ver a reação dos clientes. É impressionante como as crianças elogiam quando comem.” A atribuição preferida de Rosângela também é a interação com a freguesia. “Todo mundo fala que sou a parte social do churrasquinho: quando estou ali, converso e faço amizade com todo mundo; só evito falar de política para não gerar polêmica”, revela. A fórmula do Churrasquinho do Furmigão faz sucesso: por dia, são comercializados 200 espetinhos para clientes de Guará, Plano Piloto Lago Sul, Vicente Pires, Águas Claras, Taguatinga e outras localidades. Os dois também vendem espetinhos em grande quantidade por encomenda para eventos (é possível encomendar ou saber mais pelo telefone 99120-3774). Os microempreendedores contam que “ganham bem e todo o esforço vale a pena”, mas preferem não revelar valores.

Origem


Rosângela e Furmigão têm jeito para trabalhar com alimentos há muito tempo. Antes de faturarem com churrasquinhos, foram donos do restaurante Recanto Goiano. “Depois que vendemos, meu marido ficou meio perdido”, lembra Rosângela, que é goianiense. “Aí um amigo sugeriu que eu vendesse espetinhos num campo de futebol. Acreditei naquilo e fui atrás”, recorda Furmigão. De lá para cá, ele comercializou o produto em vários pontos do Guará. Nesse meio tempo, o casal até participou do reality show Troca de Família, da Rede Record, em que ganhou R$ 25 mil. No começo do negócio, Furmigão pediu dicas para pessoas que mexiam com churrasco. A partir disso, aprendeu o que fazer e o que não fazer. Além disso, ajustou receitas. “No início, eu cortava os pedaços muito grandes e tinha o tempero muito forte, fui mudando. Aprendi a fazer com o tempo”, conta.

“Tem muita gente que compra tudo pronto, mas nosso segredo é justamente fazer tudo do nosso jeito. Por isso, é muito diferente do que se encontra por aí”, informa. “Dedicação e capricho são nossa especialidade”, acrescenta. “Nosso tempero é coisa fina, e trabalhamos com carne de primeira”, conta Rosângela. Os dois têm uma experiência forte com o empreendedorismo. “Eu larguei o serviço público para trabalhar com costura e cozinha. Eu não gosto de ficar parada”, diz. Além de costurar e se ocupar com o churrasquinho, Rosângela, de vez em quando, organiza festas na chácara em que mora com a ajuda das filhas e cobra pela entrada. A inquietação e o tino para os negócios contagiaram as filhas de Rosângela e Furmigão: Fernanda é estilista, e Isabella é cabeleireira.

Na estante

 

Editora Liber Ars/Divulgação
Propriedade industrial — 20 anos da Lei 9.279/96
A obra retoma a discussão sobre a propriedade industrial no Brasil. A partir das garantias estabelecidas na lei, os autores debatem a importância da propriedade industrial para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país, defendendo a necessidade de fomentar a conversa e a produção científica sobre o assunto.
Autor: Diogo Dias, Eduardo Ribeiro e Thays Leite
Editora: LiberArs
177 páginas
R$ 74

 

 

Editora Edipro/Reprodução
Educação e sociologia
Na obra, quatro textos redigidos pelo filósofo Émile Durkheim são traduzidos pelo professor do Departamento de Língua e Literatura estrangeira da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Gilles Jean Abes. O livro disserta sobre o poder da educação para conhecer e transformar a realidade. Também sugere uma reflexão sobre se os sistemas educacionais são a melhor resposta para os males sociais.
Autor: Émile Durkheim
Editora: Edipro
96 páginas
R$ 30