ENTREVISTA RAPHAEL COSTA »

Controle das emoções

Dominar os sentimentos pode ser a chave para agir melhor e ter sucesso

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postado em 08/01/2017 11:48 / atualizado em 08/01/2017 12:32

Gabriela Studart

 

Presidente do Instituto Brasileiro Master Coaching (IBMaster), Raphael Costa, 29 anos, é graduado em administração, especialista em crescimento pessoal e inteligência emocional. Coach de carreira há cinco anos, trabalhou na área comercial antes disso. Com o objetivo de abordar os fatores limitantes que impedem o desenvolvimento interno, focando no amadurecimento e no controle das emoções, ele ministrou a 17ª edição do seminário Imersão leis emocionais do sucesso em dezembro a um público que girava em torno de 200 participantes.

Como as emoções influenciam a permanência no emprego?
A maioria dos trabalhadores são demitidos por estresse e falta de habilidades emocionais, como liderança, autocontrole, autodesenvolvimento e capacidade de se adaptar a mudanças, pois o mercado nunca foi tão dinâmico e mutável. Então o mundo do trabalho requer pessoas emocionalmente fortes e maduras, que consigam lidar com situações desafiadoras, tenham foco e façam além do esperado. É necessário pensar em trabalhar com a empresa e não para ela. Ou seja, sabendo que pode agregar e crescer junto e não pensar apenas no salário. Isso pode assegurar o emprego de muitos.

Qual a importância de uma imersão emocional?
As pessoas associam emoção com algo frívolo e raso, mas foi identificado por cientistas, como Daniel Goleman e Richard J. Davidson, que, no processo de imersão, elas desenvolvem  habilidades da inteligência cognitiva e racional. A emoção é um estímulo que a mente recebe de algo que está fora do padrão. É um alerta. Várias vezes, os trabalhadores não sabem disso, rechaçam as emoções e não querem senti-las. Sem abrir esse canal, não se permitem sentir nem saber o que é dito. Se tenho medo de me apresentar numa reunião; seria: “tenho medo do que vão pensar de mim”.

Como a gestão emocional se relaciona com o sucesso?
Não saber lidar com frustrações, medos e entraves é um dos principais fatores que impedem o avanço nos âmbitos pessoal e profissional. Ter sucesso não é só ter mais dinheiro. Uma das coisas que geram progresso é o senso de se superar e crescer sempre. Pessoas muito bem-sucedidas não pensam “em time que está ganhando, não se mexe”.

Qual a importância da autoconsciência?
O humano tem a capacidade de criar um piloto automático, um padrão de comportamento, e vive muitos aspectos da vida de maneira inconsciente. O primeiro ponto para controlar habilidades emocionais é se tornar mais autoconsciente. Sem isso, o indivíduo vai só reproduzir comportamentos, achar que é assim mesmo e não vai mudar. Ter autoconsciência é interromper esse processo. Fazer perguntas a si mesmo pode ajudar, como “por que me sinto assim quando meu chefe fala de tal maneira comigo?” e “será que tenho que me sentir assim?”

O controle e o amadurecimento emocionais são um diferencial na crise  econômica?
São determinantes. Pessoas desempregadas e empresas quebradas existem sempre. Na crise, há aqueles que estão tendo sucesso. Apesar de ter impacto, o ambiente externo não dá a chancela final nem determina o sucesso. Estar inabalável internamente não  é o diferencial.

Como é possível desenvolvera inteligência emocional?
Isso envolve duas relações: você com você mesmo — habilidades pessoais, como autoestima, autoconfiança, capacidade de acreditar em si mesmo — e você com os outros — habilidades sociais, como empatia, capacidade de resolver e gerenciar conflitos, encontrar soluções sinérgicas e a capacidade de desenvolver pessoas. Afinal, o sucesso, na carreira e na vida, não está relacionado apenas ao indivíduo, mas também a pessoas que estão em volta. Para adquirir essas potencialidades, o primeiro passo é se conhecer, saber o que deseja. Nesse sentido, é importante olhar para si mesmo, se priorizar, se valorizar e cuidar mais de si mesmo. O sucesso também consiste no exercício diário de ajudar pessoas, gerando coisas boas.

O que fazer para amadurecer emocionalmente?
Primeiro, é preciso se interessar. As pessoas passam quatro anos na faculdade e se preocupam em se aperfeiçoar tecnicamente, mas não pessoalmente. Busque isso por meio de coaching, psicólogo, seminário, curso, leituras. Uma das grandes cegueiras que gera emoções ruins é achar que a realidade que está vivendo, profissional ou financeiramente, é você. Em um estado emocional assim, é comum não ter iniciativa e não acreditar em si mesmo. É preciso perceber que a realidade externa não é o profissional e não significa até onde se pode ir. É olhando para dentro e pensando no que se é e no que viveu que se pode alcançar sucesso e ir além.

* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa