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Inovação esportiva

Alunos de engenharia elétrica da UnB criaram uma tecnologia que mede o trajeto e o tempo em percussos de corrida e caminhada. Estudantes pretendem fornecer a iniciativa a bancas de concursos que aplicam testes físicos. O Cebraspe é o primeiro cliente da dupla e encomendou 40 dispositivos para este mês

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postado em 08/01/2017 12:08

 

Os estudantes de engenharia elétrica da Universidade Brasília (UnB) João Macêdo, 23 anos, e João Victor Pereira, 24, criaram o E-xpert, dispositivo que tem o objetivo de mensurar o desempenho de uma pessoa em uma corrida ou caminhada. Criado no fim de 2015, ele é capaz de fazer o acompanhamento contínuo de um indivíduo num circuito, calculando a distância percorrida dentro do intervalo de tempo desejado. O sistema de aferição eletrônica, com 6cm de altura por 10cm de largura, funciona a base de bateria recarregável. “A pessoa leva o equipamento num colete. Quando a prova termina, as informações são salvas em um cartão de memória, e é possível saber os resultados no computador”, explica João Macêdo, que usou a invenção como tema do trabalho de conclusão de curso dele, apresentado em dezembro de 2016.


“O equipamento é portátil, o custo é relativamente baixo, além de ser totalmente seguro, pois não existe acesso externo, o que evita que os resultados sejam burlados”, explica. “As organizadoras de certames devem ser as principais interessadas. Em todo o país, são realizadas provas de corrida para concursos, e os métodos de avaliação manual não são tão precisos”, comenta João Victor. No mês passado, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) se tornou o primeiro cliente do E-xpert e, este mês, os colegas entregarão um kit com 40 dispositivos à banca. Os criadores não divulgam o preço do produto. Compradores individuais podem adquirir também, mas, para esse tipo de freguesia, os jovens acreditam que o preço seria muito alto.


Gabriela Studart

Alunos aplicados, João Macêdo e João Victor participaram do projeto de extensão de fabricação de carros de corridas Apuama Racing, foram monitores de disciplinas e tiveram a ideia para a criação da tecnologia depois que notaram um problema sentido por corredores: a insatisfação com a maneira como o desempenho deles era avaliado. “Buscamos potenciais clientes para saber das necessidades deles. A partir daí, idealizamos o dispositivo e ficamos cerca de um ano fabricando sozinhos. A graduação em engenharia elétrica ajudou, pois nos deu ferramentas para buscar resolver problemas”, conta João Victor. “Não foi muito difícil. Usamos tecnologias existentes para criar uma nova. Foi uma questão de procurar as peças certas para resolver o problema”, lembra.

Empresários
João Victor, João Macêdo e a educadora física e mestre em processamento de sinais biológicos Fernanda Teles, 27, criaram a startup E-sporte Soluções Esportivas em agosto de 2015 e, em janeiro de 2016, a formalizaram. A firma é dedicada ao desenvolvimento de equipamentos para esporte e saúde — como o próprio E-xpert, produtos para reabilitação fisioterápica e testes psicológicos manuais — e funciona na Multincubadora de Empresas do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB) desde março de 2016. O diretor do CDT/UnB, Sanderson César Barbalho, conta que a organização foi selecionada para ser incubada no local por causa de uma solução inovadora que controla a intensidade de exercícios de pilates e armazena os resultados para o acompanhamento da evolução física. Pós-doutor em engenharia de produção pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), ele está animado com o potencial do E-xpert.


“A inovação dos rapazes é fundamental para a avaliação de provas de corrida de concursos públicos com mais segurança. Além disso, o mercado relacionado a certames só tende a crescer. Então apostamos que o negócio deles tem tudo para dar certo”, acredita. Prova disso é que a ideia dos colegas foi selecionada pelo Academic Working Capital (AWC), programa do Instituto TIM que tem o objetivo de ajudar a tirar ideias inovadoras que sejam trabalhos de conclusão de curso do papel. Além de receberem uma verba de R$ 18 mil, os dois ganharam, por um ano, orientações técnicas e de negócios, por meio de oficinas e acompanhamento semanal de monitores. “Uma das etapas do programa foi a ida até São Paulo em dezembro de 2016 para um workshop e fomos um dos cinco selecionados para apresentar nosso projeto a potenciais clientes”, comemora João Macêdo. A E-sporte Soluções Esportivas também ganhou um aporte de R$ 216 mil da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) por meio de concurso voltado a startups.

Insistir e não desistir

Apesar de ainda estarem começando, os estudantes da UnB acreditam que apostar na persistência é o segredo para conquistar o sucesso. “É preciso acreditar no que você quer para que dê certo e investir nas oportunidades que aparecem”, afirma João Macêdo. Em concordância com o amigo, João Victor aconselha que quem tem interesse em abrir um negócio ou criar um produto não perca oportunidades. “Se existe a vontade de fazer algo que fará diferença na vida de alguém, não desista de primeira, pois, no início, sempre é mais difícil. Você também tem que saber que não basta agradar somente um cliente: é necessário conhecer o público como um todo para que o negócio vá para a frente”, alerta.

 

Saiba mais

Interessados no equipamento E-xpert podem acessar o site esportese.com.


* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa