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O chaveiro da 313 Norte

Atendendo num quiosque, maranhense aposta em preço justo, bom atendimento, serviço de qualidade e pontualidade para fidelizar a clientela

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postado em 15/01/2017 12:19 / atualizado em 15/01/2017 12:37

 

Num quiosque na 313 Norte, Antônio Luiz Almeida Pereira, 57 anos, atende pessoas que precisam copiar ou consertar chaves, abrir portas, instalar fechaduras e muito mais. “O serviço mais procurado é o de troca de segredo da fechadura — quando a chave ficou na mão de outra pessoa, como um inquilino, e o proprietário, por questões de segurança, deseja fazer a substituição”, conta ele, que usa ferramentas como chave de fenda, alicate, lima e máquina de cortar chave. Ter o telefone de um chaveiro à mão se mostrou útil em diversas ocasiões em que ele foi “resgatar” clientes que perderam ou quebraram chaves ou se trancaram do lado de fora da casa ou do trabalho, por exemplo. “A pessoa liga e vou socorrer. Cobro uma taxa de deslocamento, por isso vale mais a pena para pessoas que moram no Plano Piloto”, revela.


No quiosque há 10 anos, o maranhense não revela o rendimento mensal, mas está satisfeito. “Vivo exclusivamente disso e não passo aperto, é satisfatório. Tenho uma média de 40 clientes por semana. Eu não posso reclamar da crise: 2016 foi um ano legal.” Os preços cobrados pelo microempreendedor individual, que emite nota fiscal, costumam ter uma margem de negociação. “Há uma tabela de custo fixa passada pelo fornecedor de chaves, mas o valor do serviço é livre. Tem chaveiro que cobra um absurdo, mas minha opção é por oferecer um preço mais em conta. Eu não deixo de atender por causa de preço e, assim, fidelizo a freguesia”, percebe. “Tem muita gente que me contrata desde que comecei, e a indicação tem um efeito importante. A maioria das pessoas chega aqui pelo boca a boca.”


Gabriela Studart

 

Durante a semana, ele fica no quiosque das 8h às 19h e, aos sábados, das 8h às 14h. Entre os fatores que conferem sucesso ao trabalho, Antônio cita a qualidade do serviço, o bom atendimento, o preço e a pontualidade. “Eu me esforço para que tudo fique a contento. Isso é muito importante, pois a pessoa sabe que pode contar comigo. Tem gente que precisa de algo urgente e chega às 8h. Se eu não estiver lá na hora, vou atrapalhá-la”, analisa. Colocar o cliente em primeiro lugar é uma grande motivação. Tanto é que o chaveiro tem números de telefones de quatro operadoras para facilitar para o público — 99261-2922 (Claro), 98561-9828 (Oi e WhatsApp), 98161-9529 (Tim) e 99661-6765 (Vivo) —, além de e-mail: chaveiro313n@live.com.

Trajetória diversa
O maranhense acumula várias experiências de negócios. Morador de Brasília desde a década de 1970, ele foi dono de um estabelecimento de pintura de motos, de uma pizzaria e de uma loja de café até passar a trabalhar como chaveiro. As experiências passadas o ajudaram a tocar o negócio com responsabilidade e planejamento. “Eu aprendi a ter organização e registrar tudo que entra e tudo que sai num caderninho. Não adianta ganhar dinheiro, achar que pode gastar como se fosse seu, pois, depois, você não vai ter como pagar o fornecedor, por exemplo”, diz.


“Depois que minha loja de café quebrou, passei um tempo desempregado, até que um amigo chaveiro, o Carlos Silva, que trabalha na 215 Norte, aceitou me ensinar a profissão. Combinei que eu só sairia para atuar sozinho quando ele considerasse que eu estava pronto”, recorda. Antônio passou dois anos e meio trabalhando com Carlos. “Não foi muito fácil aprender, porque eu nunca tinha mexido com isso. Mas eu me dediquei, comecei a gostar e vi que era uma área interessante e rentável”, conta. “Sempre me virei e trabalhei em várias áreas, mas a de que eu mais gostei foi a atual. Se eu pudesse voltar no tempo, teria começado como chaveiro”, revela.