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PERFIS DE SUCESSO - CLáUDIO COSTA SEGREDO E REGINA CLáUDIA PADILHA SEGREDO »

Empresários da moda

A primeira ponta de estoque aberta no DF completou 23 anos. Hoje, é uma das mais tradicionais marcas de roupa feminina de Brasília. O casal de donos acredita que o êxito se deve a trabalhar bastante

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postado em 22/01/2017 16:12 / atualizado em 22/01/2017 16:20

Confira depoimento dos donos em vídeo

 

 

Quem entra em uma das três lojas da Biruta — na 211 Sul, na 205 Sul ou no Centro Comercial Gilberto Salomão, no Lago Sul pode visualizar belas roupas femininas, em diversas cores e modelos, atualizadas com as últimas tendências. O ambiente glamouroso, no entanto; esconde uma fórmula de muito esforço. “No começo, chegamos a trabalhar até 16 horas por dia”, conta Cláudio Costa Segredo, 52 anos, sócio da marca com a esposa, Regina Cláudia Padilha Segredo, 52. O negócio nasceu como uma loja de ponta de estoque no Lago Sul em setembro de 1993. “Até o nome da Biruta ficar mais forte, por exemplo, mudávamos o visual da loja a cada coleção. Trocávamos cores, móveis, material gráfico, uniforme dos colaboradores… Tudo! Isso dava muito trabalho”, afirma o gaúcho de Porto Alegre.


No início, a carga era mais pesada, mas a rotina continua sendo de muita dedicação. Afinal, eles têm uma demanda grande para atender. A cartela de clientes cadastrados está na casa dos 20 mil e, durante o ano, cerca de 10 mil circulam pelas lojas. Para dar conta do recado, são 30 funcionários. “A mão de obra é a parte mais desafiadora. Por mais que as pessoas digam que precisam trabalhar, é difícil achar gente interessada de fato”, percebe Regina. Com o objetivo de capacitar e inspirar a equipe, os donos oferecem incentivos por resultados e horário de trabalho reduzido durante a semana, além de promoverem palestras de motivação duas vezes por ano e treinamentos de estilo e moda quatro vezes por ano. “Investir na mão de obra nos dá um pouco mais de folga, mas trabalhamos bastante”, pondera a paranaense que mora em Brasília desde os dois anos. Os donos percebem que há uma fidelidade alta por parte da freguesia.

 

Arthur Menescal

“As vendedoras têm bastante intimidade com as compradoras. Tem cliente que traz até bolo no dia do aniversário da funcionária. É por isso que muita gente vinha solteira e, hoje, vem com os filhos”, comemora a administradora. Peças novas chegam às lojas a cada semana. Apesar de o casal estar satisfeito com o crescimento, a crise impacta as vendas. “Cortarmos custos na produção. Enxugamos a quantidade de peças, a nossa margem de lucro — que é de cerca de 6% — e negociamos com fornecedores”, revela o engenheiro civil. “Mesmo na recessão, conseguimos ter crescimento no ano passado.”


Entre os fatores que contribuíram para o sucesso da Biruta (saiba mais em birutabsb.com.br) ao longo de 23 anos, o casal cita o fato de terem sido a primeira ponta de estoque de Brasília, de terem começado numa casa no Lago Sul, de oferecerem sempre produtos novos, de boa qualidade e o preço mais acessível possível. Também interferem o estilo da roupa, o bom atendimento e um eficiente controle de estoque. “Além disso, a gente trabalha de fato. Somos donos muito presentes”, afirma Regina.


Arthur Menescal

 

Entre os conselhos para interessados em abrir um negócio, estão trabalhar com aquilo de que se gosta, perseverar e trabalhar muito. Pais de um jovem de 20 anos, a dupla chegou a vender peças masculinas e a ter cinco unidades, mas fecharam para trabalhar com mais organização. “Recebemos vários convites de shopping para abrir lojas e estávamos pensando em ampliar, mas, na crise, preferimos aguardar um pouco mais”, conta Regina.


Memória
Regina e Cláudio se conheceram em uma das viagens dela ao Nordeste, enquanto ele trabalhava em Maceió como engenheiro. Há 28 anos, os dois começaram a namorar a distância. Três anos depois, se casaram e foram morar em Blumenau (SC), mas Regina não se adaptou. “Voltamos para Brasília com a ideia de abrir uma loja”, conta Cláudio. “Sempre gostei de moda e só trabalhei com isso na vida. Meu primeiro emprego foi em loja. Quando moramos em Blumenau, eu comprava peças em malharias para revender. Por isso, o interesse nessa área”, conta Regina.


“Meu pai emprestou a garagem para abrirmos o negócio. No início, éramos quatro sócios: eu e o Cláudio e dois irmãos meus, que saíram da sociedade há muito tempo.” O nome da marca remonta a esse tempo. “Quando estávamos em lua de mel, em Búzios, vimos muitas birutas (marcador do vento). Como abrimos a loja numa casa que era perto do Aeroporto, resolvemos colocar esse nome e instalar uma biruta no telhado”, recorda Cláudio. “Era uma forma de mostrar para as pessoas que a loja ficava ali”, rememora Regina. “Eu precisei sair da engenharia e passar a cuidar da administração da empresa”, revela ele.


O grupo trabalhou sem empregados durante um ano, até começar a contratar vendedoras. A temporada na casa da família, na QI 5 do Lago Sul, durou dois anos, até abrirem a primeira loja, na 211 Sul. “O crescimento veio por meio do boca a boca e deu muito certo. Eu não tinha domingo ou feriado, era uma loucura”, conta Regina, sobre um período de intenso trabalho. Em 1997, eles passaram a produzir peças próprias, em contato com as três fábricas com as quais os dois trabalharam desde o início do negócio, localizadas em São Paulo. “O pessoal pedia para trazemos coleção, então fomos atender o desejo dos clientes”, conta Cláudio. A partir de 2000, a loja passou a trabalhar exclusivamente com peças próprias. A idealização é toda da Regina, e o desenho, a modelagem e a produção são feitos em São Paulo, para onde ela viaja todo mês. “Estou sempre de olho nas tendências, escolho os materiais, os acabamentos as técnicas, os modelos.”