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Correio Braziliense

PERFIS DE SUCESSO - LúCIA CLáUDIA DA FONSECA DOS SANTOS E JOAQUIM PEREIRA DOS SANTOS »

Especialistas em arte floral

Casal tem floricultura na 309 Norte há 30 anos e conquista o público com arranjos artísticos. O crescimento e a durabilidade do negócio são frutos de muito trabalho

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postado em 12/02/2017 16:01 / atualizado em 12/02/2017 16:19

 

Há 30 anos, quando os então recém-casados Joaquim Pereira dos Santos, 50 anos, e Lúcia Cláudia da Fonseca dos Santos, 49, abriram a Karisma Flores na comercial da 309 Norte, o setor de floriculturas era outro. Entre as diferenças, os empresários citam o fato de que artigos do ramo não eram vendidos em supermercados, e poucos decoradores ficavam responsáveis pela ornamentação de festas — o que diminuía bastante a concorrência. Além disso, a internet era uma invenção recente, ainda não difundida no Brasil. Então, a grande inovação da época eram pedidos de flores por telefone. “No início, as floriculturas comandavam tudo. Mudou bastante”, percebe Lúcia. “Quando começamos, era mais fácil. Chegamos a ser nº 1 em decoração no DF por dois anos. Mas é um ramo que continua interessante”, acredita Joaquim.


Um dos motivos é o fato de Brasília ser campeã em venda per capita de flores no Brasil, além de ficar em terceiro lugar em números absolutos, atrás de São Paulo e Curitiba. Por aqui, esse mercado cresce 10% ao ano segundo pesquisa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). “O que sobressai hoje são os arranjos e as embalagens. Aqui, o que nos mantém mais são compras para presentes e arranjos semanais para igrejas”, observa Lúcia. A campeã de vendas é a rosa vermelha colombiana, apesar de orquídeas terem boa saída. Para estar sempre abastecido com os melhores artigos florais, o casal conta com fornecedores que vêm à loja toda semana. “Se faltar, a gente vai atrás. Se precisarmos de mil botões de rosa de uma vez, conseguimos arranjar isso com rapidez”, garante o empresário.


Gabriela Studart

Por termos conseguido comprar, ao longo dos anos, alguns imóveis, tem parente que diz que nós tivemos sorte, mas isso é ditado de vagabundo. Nada cai do céu, tudo foi fruto de muito trabalho, estudar o mercado, se atualizar

 

Para conservarem as flores, os donos apostam numa câmara fria localizada no subsolo da loja e num conservante natural que pode prolongar a beleza da flor por até cinco dias. “É uma fórmula secreta. Fazendo durar mais, fidelizamos o cliente”, brinca ele. Pais de seis filhos — Rodrigo, 27, Matheus, 22, Luhana, 15, João, 13, Ana, 11, e Pedro, 7 —, Joaquim e Lúcia dividem as tarefas para administrar a casa e a loja. Enquanto a esposa se encarrega das compras de flores, o marido cuida delas e da administração financeira. O filho Matheus é gestor do estabelecimento. Além disso, a empresa tem outros dois funcionários, e, quando precisa de mais gente, o casal contrata profissionais freelancer. Antes, a equipe fixa tinha 12 pessoas. “Na crise, estamos segurando o negócio de olho no futuro. O movimento caiu 30%. Além disso, 60% dos nossos clientes são funcionários públicos, e pesquisas mostram que muitos deles estão endividados”, conta Joaquim.

Processo artístico

“Para manter uma floricultura, hoje em dia, não basta vender flores, é preciso ser artista, saber inovar”, garante Joaquim. Foi por isso que ele fez inúmeros cursos, inclusive fora do país, de arte floral. Tamanho o conhecimento na área, é consultor do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e ministra treinamentos sobre o assunto. “Estou sempre estudando, não paro. Uma vez por ano, faço curso em Holambra (SP) e pesquiso muito pela internet. Fico feliz de ver que os melhores arranjos, na minha opinião, são de Brasil e Argentina”, revela. “Na Holanda, as pessoas compram muitas flores, mas apenas elas em si, sem arranjos”, afirma Lúcia. “Aqui, valoriza-se mais a arte”, percebe Joaquim. Sempre de olho em melhorar o negócio, há três anos, ele terminou o curso superior de gestão empresarial e, no fim de 2016, concluiu um MBA.

Início
Piauiense, Joaquim veio para a capital federal aos 13 anos. “Eu queria comprar uma bicicleta e, onde eu morava, na roça, não tinha como conseguir essa grana. Vim para ficar aqui por um ano e ganhar dinheiro, mas nunca mais voltei”, revela. Já Lúcia, mineira, se fixou em Brasília com a família aos 15 anos. “Quando eu a conheci, ela trabalhava na floricultura do irmão dela, atendendo no balcão, e, pouco depois, eu passei a ser empregado de outra loja do ramo, onde fazia entregas”, recorda Joaquim. Ele aproveitou a experiência para aprender. “Nas minhas duas horas de almoço, eu ajudava o florista. Os outros até me chamavam de puxa-saco, mas eu estava pensando no futuro”, conta. Abrir e consolidar a Karisma Flores com a esposa não foi fácil.


“Fomos os primeiros no Bloco E da 309 Norte, então não tinha movimento. Tinha vezes em que passávamos o dia inteiro aqui e não vendíamos nem um botão de rosa”, lembra Joaquim. “A gente trabalha muito. No começo, eram 16 horas por dia, de domingo a domingo; hoje, fico 12 horas diárias. Não é fácil, não basta gostar de flores”, afirma. “É um trabalho mais braçal também, você tem que encher caminhão de peças de decoração, carregar peso…”, diz Lúcia. “Por termos conseguido comprar, ao longo dos anos, alguns imóveis, tem parente que diz que nós tivemos sorte, mas isso é ditado de vagabundo. Nada cai do céu, tudo foi fruto de muito trabalho, estudar o mercado, se atualizar com as tendências”, pondera Joaquim. Pelo site www.karismaflores.com.br, a empresa recebe encomendas de todo o DF, por isso, abrir outra unidade não está nos planos do casal.