OBJETIVOS »

A hora é agora!

Você se lembra daquela lista de resoluções de ano-novo? Veja sugestões de como começar a colocá-la, definitivamente, em prática antes que 2017 se inicie para valer, depois do carnaval

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postado em 26/02/2017 15:31 / atualizado em 26/02/2017 16:30

Para alcançar minha meta

 

Gabriela Studart
Enquanto o primeiro bimestre do ano chega ao fim, pare e pense: o que você tem feito para tirar seus objetivos do papel? É importante acompanhar os planos traçados periodicamente para não perder o foco ou desistir

 

O que você tem feito para tirar do papel as metas traçadas no início do ano? O terceiro mês de 2017 começa daqui a três dias e é bem possível que aquele ânimo para repensar hábitos e embarcar em planos de mudanças tenha minguado. “Vou ser mais produtivo”. “Quero um salário melhor”. “Vou levar meus compromissos a sério”. “Esse é o momento de fazer aquele curso”. “Preciso mudar de emprego”. Promessas não faltam, mas sair da zona de conforto é um desafio e tanto. Dizem que, no Brasil, o ano só começa de verdade depois do carnaval. Então, que tal aproveitar este momento, antes que esse ciclo de 12 meses tome força para valer, e colocar os planos em curso? No entanto, o desejo de transformação, por si só, não é suficiente. O ingrediente essencial para botar objetivos em prática é foco: sem isso, são grandes as chances de permanecer no mesmo lugar. Alcançar o que se almeja requer uma boa dose de determinação e renúncia.


Não é à toa que sair do piloto automático e tomar decisões mais assertivas para conquistar o que se quer são desafios para a maioria das pessoas. A parte boa dessa história é que quem chegou lá garante: o esforço vale a pena. A servidora pública Rayanne Cabral, 34 anos, é prova disso. Trabalhando como professora na Secretaria Municipal de Educação de Formosa (GO) há cerca de três anos, ela passou outros seis anos estudando para concursos. Na maior parte do tempo, porém, a preparação foi feita de uma forma que, hoje, ela avalia como desorganizada. “Eu estudava para tudo o que aparecia, todos os editais e matérias, não tinha foco”, relata. Naquele ritmo, a graduada em letras pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) gastava mais de oito horas por dia em frente aos livros, mas o resultado não vinha. Depois que percebeu que precisava se concentrar, ela começou a estudar durante quatro horas diárias, mas com mais qualidade e disciplina.

 

“Coloco o telefone para despertar a cada uma hora. Paro 10 minutos, levanto, volto e me concentro.” Outra mudança é ter passado a estudar apenas após terminar as tarefas do dia. “É bom para não ficar lembrando, enquanto estudo, das coisas que tenho de fazer”, detalha. A conclusão é que, com foco, mesmo quem não tem muito tempo livre consegue retornos positivos. Após alguns meses usando essa técnica, a professora foi aprovada no concurso. No entanto, não se deu por satisfeita: a próxima meta é conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.


Mudança de rota

 

Gabriela Studart
Mirtes Vidica, 39 anos, levava uma carreira bem-sucedida na área de tecnologia da informação até se dar conta de que estava no ramo errado. A graduada em ciências da computação e pós-graduada em qualidade de software tinha um bom ambiente de trabalho, mas a sensação de que faltava algo foi ficando cada vez mais incômoda. Atenta aos sinais, ela resolveu admitir para si mesma que era hora de dar espaço a um sonho antigo. Desde criança, a verdadeira paixão dela é cozinhar. A busca por realização pessoal e profissional impulsionou o pedido de demissão e o retorno aos bancos da faculdade. Para se manter durante esse período, recorreu a uma reserva financeira e ao apoio do marido. Hoje, cursando gastronomia no Centro Universitário Iesb, Mirtes planeja abrir um negócio para fornecer alimentação especial a diabéticos e intolerantes à lactose, problemas que ela mesma enfrenta. Assim, acredita que poderá dar à própria carreira um propósito maior, ajudando outras pessoas a terem acesso a comidas saudáveis. Hoje, está decidida, mas, até chegar a essa conclusão, houve um longo processo.


“Repensei várias vezes. Não foi uma decisão de um dia para o outro”, conta. Uma saída para bater o martelo, segundo ela, foi vivenciar as duas áreas simultaneamente, até definir de qual gostava mais. De dia, atuava com tecnologia da informação. À noite, ia para a universidade. “Cozinhar pode parecer desgastante, mas eu passo horas nisso e estou feliz. Cansada, mas entusiasmada”, revela. Para ter o ânimo necessário para essa mudança radical, Mirtes contou com a ajuda de um coach, que elaborou um projeto de orientação para que ela conseguisse ir à frente com os objetivos. O método estabelecia prazos para cada meta e, como tarefa de casa, a futura chef de cozinha sempre levava alguns pontos para refletir e trazer respostas nos encontros semanais. Ela diz que mudar o curso da própria vida nessa idade foi “bem complexo”. “Mas nunca é tarde para correr atrás de um sonho. Acho que é melhor agora do que passar mais 20 anos pensando no que poderia ter feito”, conclui.

 

 

 

Organização  foco

 

Gabriela Studart
 

Haroldo Porto, 37 anos, foi aprovado em três concursos públicos: Polícia Militar, Caixa Econômica Federal e Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Nos dois últimos, chegou a ser nomeado e trabalhou por seis anos em cada um. Ele se preparava para o quarto — o da Câmara dos Deputados — quando se deu conta de que não queria nada daquilo. “Eu vivia um sonho que não era meu”, diz. Depois de participar de um seminário sobre inteligência emocional em Brasília, em 2015, decidiu que queria se tornar coach. Para ele, a facilidade com relações interpessoais era uma habilidade que, até então, vinha sendo pouco aproveitada. Além disso, Haroldo conta que se sente gratificado em poder colaborar para que outras pessoas também concretizem os próprios projetos. Tirar os planos do papel não foi fácil, mas recompensador. “Às vezes, a gente se esforça em tantas áreas, sem entender qual é a sua missão. Essa descoberta melhorou a minha relação com minha esposa e minhas filhas. Estou até dormindo melhor”, conclui.


Formado em história, ele foi à procura de aperfeiçoamento na área que desejava seguir, fez um curso mais aprofundado pela Evo Coaching e hoje atende em um escritório no Park Sul, compartilhado com uma irmã, que é designer. Haroldo, continua trabalhando seis horas por dia no TJDFT, mas os turnos da manhã e da noite são dedicados ao atendimento de clientes. O tempo com a família ficou mais restrito. Porém, em vez de encarar o fato como um sacrifício, ele prefere ser otimista. “Tento minimizar essa perda investindo em mais qualidade quando estou com elas. Identifico sempre o que cada uma precisa. Costumo brincar de Barbie com a filha mais nova, de 6 anos, e cozinhar com a mais velha, de 18, nos períodos de folga, sem deixar de dar atenção à esposa”, relata.

 

Arquivo Pessoal
 

 

Propósitos consistentes

 

O psicólogo clínico Marcelo Tomokiti atende diariamente pessoas insatisfeitas com o trabalho. A falta de motivação é uma das principais reclamações dos pacientes, que não veem sentido nas tarefas cotidianas. “Muitos levantam cedo para trabalhar já pensando na hora de voltar para casa”, destaca ele, que tem pós-graduação em gerenciamento de projetos, está terminando outra em neuroaprendizagem, atua em um consultório próprio e também como psicólogo escolar. Para Tomokiti, planejamento é fundamental, mas nada de fazer promessas mirabolantes. Ele defende que os propósitos sejam consistentes e próximos da realidade, pois, quando as ideias de futuro são vagas, tendem a ser adiadas ainda mais. Por isso, recomenda desenvolver e acompanhar a evolução das metas, readequando as estratégias sempre que necessário.


Ele conta que ouve, com frequência, as pessoas dizerem que estão fazendo o “máximo possível” para promover uma mudança. Mas esse máximo pode ser limitado, pois, segundo ele, está dentro do que o paciente conhece como alternativas.

 

PALAVA DE ESPECIALISTA »

 

Ação x Intenção

 

Tim.Spíndola/Divulgação
Geralmente as queixas que recebo se referem à procrastinação e à dificuldade de atuar no sentido do que se deseja. As pessoas, de maneira geral, têm muitas ideias sobre a vida, mas pouca determinação em torná-las reais. A primeira dificuldade vem da falta de entendimento de que a vida se faz por ação e não por intenção. Somos bem-intencionados, mas pouco proativos. A segunda delas é a pouca clareza do que se quer de fato. Sentimos que nos falta algo, mas não sabemos muito bem o que queremos, principalmente quando se percebe que o que se quer vai demandar muito mais esforço do que estamos acostumados. É preciso elaborar um descritivo real que nos permita construir um plano de ação individual. Isso vai mostrar o quanto de energia se requer para uma mudança. Depois, é necessário ter em mente que uma boa ideia não é necessariamente um bom negócio, é preciso estar consciente de que tudo o que se quer a mais ou melhor requer esforço. Por último: visualize os benefícios das escolhas novas em comparação com o estado atual para identificar o grau de satisfação.

Homero Reis, master coach, psicanalista clínico, pós-graduado em recursos
humanos, mestre em educação e palestrante

 

Editora Best
Anote! A conhecida sugestão de colocar objetivos no papel não é só força de expressão. Funciona mesmo. No livro O que ainda não se ensina em Harvard Business School (Editora Best Seller, 326 páginas, R$ 37), o autor Mark McCormack — advogado norte-americano e fundador do International Management Group (IMG), que administra negócios financeiros de figuras esportivas e celebridades —, mostra o resultado de uma importante pesquisa realizada na instituição. Em 1979, a seguinte pergunta foi feita a formandos: “você estabeleceu metas claras e por escrito para o seu futuro? Você estabeleceu os planos para concretizá-las?”. Apenas 3% dos estudantes responderam sim a ambas as perguntas. Dez anos depois, em 1989, pesquisadores voltaram a entrevistar os mesmos participantes e constataram que os 13% que tinham objetivos não escritos estavam ganhando, em média, o dobro dos 84% que não tinham meta alguma. O mais surpreendente é que os 3% que tinham metas e planos claramente definidos, por escrito, em média, ganhavam 10 vezes mais que todos os outros.

 

Editora Sextante
Leia Escolha sua vida — crie suas próprias regras e seja feliz sendo você mesmo Se você sente que o seu trabalho e a sua vida não têm propósito, se você sabe que poderia ser mais feliz fazendo novas escolhas, se você tem vontade de mudar, mas está empacado por causa do medo, da procrastinação, das críticas, da falta de tempo ou de dinheiro, esse é o livro certo para você.
Autora: Paula Abreu
Editora: Sextante
144 páginas
R$ 29,90

 

 

 

Gustavo Otero
Teste de foco O que você faz para tirar suas metas do papel?

Responda ao questionário elaborado pela coach e escritora Paula Abreu para
saber a quantas anda a concretização do seu sonho.

 

Quanto tempo você dedica hoje para
realizar sua meta?


A   Dedico um tempo pequeno, mas diário, para realizar minha meta.

B   Penso nesse assunto todas as vezes em que não me sinto realizado.

C   Só penso no assunto no momento de escrever a lista de metas no fim do ano.


Os outros sabem da sua meta?

A   Todas as pessoas com que me relaciono sabem dessas metas.

B   Poucas pessoas sabem, tenho receio de contar esse objetivo.

C  Ninguém sabe, esse é um segredo que guardo a sete chaves.

Como é seu planejamento com relação a sua meta?

A  Tenho um planejamento a longo prazo, com detalhes financeiros e de como tirar o
sonho do papel.

B  Tenho uma ideia de quais são os passos que tenho que seguir, mas não é nada oficial.

C   Não tenho nem ideia de por onde começar.

Quando você pensa na sua meta:

A  Visualizo todos os detalhes dela realizados, sei até qual será o sentimento que terei com relação a essa realização.

B   Penso nos detalhes, mas não consigo imaginar como realizar a meta.

C   Sempre que penso na meta, vejo de uma forma muito distante e inalcançável.

Quando você pensa na meta realizada, qual seu sentimento?

A   Realização, sou muito determinado, me planejei e mereci cada resultado que conquistei.

B   Sentiria-me muito feliz, mas sinto um pouco de medo com relação a esse objetivo e a mudanças que terei que passar na vida.

C   Nem imagino, só de pensar na meta, eu me frustro, porque sei que não vou conseguir.

 

Resultado

Mais respostas A
A meta está do seu lado. Parabéns! Você está a um passo de realizar sua meta, agora é só perder o medo e colocar o plano em prática.

 

Mais respostas B
Quase lá. Você sabe qual é seu sonho, quer realizar a meta, mas ainda tem um pouco de receio. Um coach ou outro profissional podem ser a ajuda que falta para tirar esse planejamento do papel.

 

Mais respostas C
É sua meta mesmo? É o que te move todos os dias? Se não, vale avaliar se você está fazendo isso por você, ou apenas para ser aceito em um grupo social, por exemplo. Vale repensar e pensar melhor ou até ir atrás de descobrir qual é seu propósito de vida.