PERFIS DE SUCESSO - JOANA DARQUE BEZERRA LIMA E SáVIO CORTêS DE MENESES »

E do cano fez-se arte

Há três anos e meio, casal de Samambaia faz, por encomenda, luminárias e outros itens de decoração a partir de PVC. O trabalho começou depois que eles ficaram desempregados

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postado em 26/02/2017 16:43 / atualizado em 28/02/2017 16:18

Coordenação motora, prática, bom gosto, talento e uma pequena furadeira são alguns dos elementos necessários para transformar canos em obras de arte. E nisso, Joana Darque Bezerra Lima, 44 anos, e Sávio Cortês de Menezes, 40, se tornaram mestres. A partir de cilindros de PVC, o casal grava figuras, recorta e monta peças para criar luminárias, mandalas, relógios de parede, placas, colunas de luz, bases para fonte de água, chaveiros e quebra-cabeças pedagógicos. Tudo ao gosto do freguês: o trabalho é feito exclusivamente por encomenda e pode conter desenhos de formas geométricas, personagens, animais, símbolos de bandas e times de futebol, logomarcas, santos e figuras sagradas, castelos, motos, carros, flores, palavras e o que mais a imaginação permitir. O nome do negócio é Art pelo Cano. Desde o início da empreitada, em 2014, o artesanato é a única fonte de renda do casal, que tem três filhas, de 4, 12 e 17 anos.


“Eu e meu marido ficamos desempregados e, enquanto esperávamos uma recolocação no mercado de trabalho, começamos a fazer luminárias com sobras de cano PVC que encontrávamos em obras”, recorda Joana. Com o detalhismo e o cuidado que imprimiram as obras, não demorou para que a demanda crescesse. Hoje, o faturamento mensal fica em torno de R$ 5 mil. “O que faz dar certo é a dedicação, a preocupação com os detalhes e o acabamento, além do cuidado com o cliente”, garante Sávio. “Nosso diferencial é a qualidade, o atendimento e a arte. Temos um estilo: as bordas das nossas obras são sempre do mesmo modelo”, completa Joana. O empenho dá resultados. “Graças a Deus, é muito satisfatório. Todo mundo que vê nosso trabalho fica apaixonado. Nunca aconteceu de alguém reclamar”, afirma Sávio. “Estamos satisfeitos com a procura. Além disso, os clientes fazem questão de agradecer e elogiar”, acrescenta a artesã.


Por isso, a maior propaganda da Art pelo Cano é o boca a boca, mas o casal também divulga o trabalho participando de feiras a partir de editais da Secretaria de Turismo, e, atualmente, tem produtos à venda num espaço da pasta no Liberty Mall. Uma das grandes galerias das peças produzidas por Joana e Sávio é o O’rilley Irish Pub, na 409 Sul. “É um bar de rock para o qual fizemos 20 luminárias. Toda semana tem cliente que vê lá, quer encomendar e nos liga”, conta Joana.


Os pedidos chegam principalmente pelo Facebook. Os produtos podem ser buscados em Samambaia, entregues via Correios, no local de preferência da pessoa (com uma taxa extra) ou num lugar de grande circulação, como uma estação de metrô ou rodoviária. Itens com imagens de Nossa Senhora Aparecida e coruja são campeões de venda, além das figuras de time de futebol para homens. O preço das luminárias (que não inclui as lâmpadas) depende da relação entre diâmetro e altura: as de 30cm x 100m custam R$ 60; as de 40cm x 150cm, R$ 90; e colunas altas, R$ 200. “Não dou desconto porque estou há três anos sem alterar esses valores e tenho muito gasto com energia. Se a pessoa comprar em grande quantidade, damos alguma lembrança personalizada”, conta Joana.

Parceria

Sávio, natural de Lago do Junco (MA), e Joana, de Central (BA), se conheceram em Pirenópolis (GO). Na época, os dois viviam em Brasília e, à medida que o relacionamento floresceu, foram morar juntos. E lá se vão 19 anos! “Desde que me entendo por gente, faço artesanato. Minha mãe sempre fazia alguma coisa ou outra, como ponto cruz, croché… Com o tempo, pesquisando, aprendi muitas técnicas, como pintura em MDF, arte francesa em papel, bonecas de pano”, conta. Por isso, além de trabalhar com o marido, Joana dá aulas de artesanato na Fundação Bradesco, no Serviço Social do Comércio (Sesc) e na Academia de Letras de Taguatinga. “Como o objetivo é gerar renda para as mulheres capacitadas, procuro sempre ensinar novidades e coisas que realmente sejam possíveis de vender”, diz.


Ela tem dotes artísticos desde pequena, mas ele não se interessava pela área. “Como homem, eu não gostava nem de apreciar artesanato, mas a Joana precisava de ajuda e eu tive que me envolver”, conta o maranhense. “É preciso praticar bastante: no começo, perdi muito material, pois, se cortar errado, já era. Hoje, estou quase chegando no nível perfeito”, garante. “Normalmente, baseio os desenhos em imagens da internet que mostro para o cliente. A parte mais difícil é escavar. Depois, tem que lixar, uma parte demorada”, conta. “O Sávio acabou se apaixonando pelo artesanato. Hoje, eu fico com acabamento e montagem, enquanto ele faz o corte”, afirma Joana. O trabalho, que começou em casa, passou para um espaço na Feira Permanente de Samambaia, que o casal usa exclusivamente como ateliê.