PERFIS DE SUCESSO - CéLIA MARIA DE ALMEIDA CRUZ »

Pioneira no Noroeste

O primeiro restaurante self-service do bairro foi aberto como café e floricultura, mas mudou de finalidade por causa da demanda dos clientes. A mudança de ramo compensou

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postado em 12/03/2017 09:10 / atualizado em 14/03/2017 20:55

 

Saladinha fresquinha, couve refogada no ponto, torresmo crocante, farofa, carne de panela, frango assado ou ao molho, escondidinho, filé de peixe, lasanha e feijoada aos sábados são algumas das delícias servidas por Célia Maria de Almeida Cruz, 59 anos, proprietária do Flor de Minas Bistrô e Mercearia. O primeiro restaurante self-service do Noroeste (que vende a comida por R$ 46,90/kg de segunda a sexta e por R$ 49,90/kg aos sábados, domingos e feriados), aberto em 2013, mantém um sabor e um jeito de fazer caseiro em todos os alimentos, inclusive nas sobremesas, como pudins e mousses, feitas por Graziele, 37, filha de Célia. Ela é mãe ainda de Kênia, 39, e Tatiane, 35, que fica no caixa na hora do almoço. O marido, Geraldo Gomes Cruz, 61, e os netos, de 18, 10 e 8, também aparecem de vez em quando para ajudar. A casa serve apenas almoço e é escolhida por empregadas domésticas, porteiros, pedreiros, vendedores, corretores de imóveis e outros trabalhadores do bairro, mas também por moradores.


“Nunca pensei, pelo fato de estar no Noroeste, que deveria ter os preços lá em cima, como muitos fornecedores diziam que eu podia. Eu quero atender a todos os tipos de pessoas”, explica a empresária. Durante a semana, ela recebe de 90 a 100 clientes por dia; nos sábados, o número varia de 120 a 150. “Eu gosto muito de recepcionar. Recebo como faria na minha casa.” Além da hospitalidade e do sabor da comida, a mineira acredita que conquistou o público por ser muito correta, honesta e sincera. A demanda tem sido tanta que ela planeja ampliar as operações. “No futuro, penso em abrir para café da manhã e happy hour à noite, mas apenas nos fins de semana”, revela. Apesar de pensar à frente, ela só avançará quando tiver certeza. “Pretendo crescer, mas com cautela. Como estamos em momento de crise, é preciso botar os pés no chão”, percebe.


Gabriela Studart

 

O rendimento bruto mensal do negócio varia de R$ 60 mil a R$ 70 mil. Uma parte desse montante é destinada a cobrir o aluguel do espaço. “Quando abri o restaurante, a loja que aluguei estava totalmente crua, então, fiz um investimento muito alto em reforma para deixar o espaço pronto. Abri as portas com muitas dívidas, mas, dois anos depois, quitei tudo”, comemora. “Sou imensamente grata aos clientes do Noroeste, que me acolheram. Quando possível, quero vir morar aqui, tanto para ficar mais perto do restaurante quanto porque eu me apaixonei pelo bairro, pois, aqui, eu me sinto numa cidade interiorana”, conta ela que, hoje, vive no Jardim Botânico. Célia faz todas as compras pessoalmente pela manhã. “Não gosto de armazenar para ter tudo fresquinho: compro carnes três vezes por semana, cereais e verduras todos os dias. O pessoal do Atacadão, no fim da Asa Norte, já me conhece, de tanto que vou lá. Mas também tenho fornecedores que vão até o restaurante”, revela.

A floricultura virou restaurante
Quem visita o estabelecimento hoje em dia não imagina que ele foi aberto com outra proposta. A família de Célia é dona da floricultura Flores do Paranoá, na 104 Norte, e foi dona da Flores do Planalto, na Asa Sul, unidade que durou 25 anos. Com essa expertise, a mineira de João Pinheiro (MG) quis levar esse ramo ao Noroeste. “Tive a ideia de montar um espaço que fosse, ao mesmo tempo, café e floricultura. Ronaldo Costa Couto (que foi ministro na gestão de José Sarney) nos deu um livro e, na dedicatória, escreveu ‘aos meus amigos, flor de Minas’. Fiquei com isso na cabeça e passei a ter o sonho de ter um sítio com esse nome. Só que o restaurante veio antes”, conta. Quando a loja foi aberta, em 2013, o Noroeste era bem diferente, tinha bem menos moradores e estabelecimentos comerciais. “Só tinha o Fran’s Café, a revistaria e o salão de beleza. Diziam que eu era louca de abrir um negócio num lugar com poucos moradores, mas nunca tive medo. Um mês depois de abrir, os clientes começaram a pedir para a gente servir almoço”, recorda.


Célia não era muito chegada à culinária, nem mesmo em casa, mas resolveu aceitar o desafio. “Eu nunca fui de cozinhar, então meu tempero principal foi o amor, força de vontade e carinho pelos clientes. Foi muito difícil, porque eu fazia tudo sozinha. Nos seis primeiros meses, todos entendiam que era só uma comidinha simples para atendê-los”, conta. Na época, apenas Célia e a filha do meio tocavam o negócio sozinhas. Depois disso, a empresária ampliou o espaço com mais uma loja e contratou empregados. “Hoje, são dois cozinheiros profissionais e dois ajudantes”, diz. Mesmo com a entrada de funcionários, o Flor de Minas (saiba mais pelo link bit.ly/2mtiLQ4) não perdeu o tempero de Célia, que é marcado basicamente por alho e cebola. “Quase não usamos pimenta, pois muita gente não gosta”, explica. “Eu tinha experiência com contabilidade por causa da floricultura, mas o restaurante é um desafio diferente: a despesa fixa é muito alta”, conta.