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Inovação que vem da roça

Professor de pedagogia resolveu modernizar o negócio dos pais, produtores rurais, ao lançar serviço de entrega de kits de verduras na casa dos clientes. A proposta recebe cerca de 25 pedidos por dia

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postado em 26/03/2017 13:44 / atualizado em 26/03/2017 14:15

 

 

Já pensou em substituir a compra semanal de legumes e hortaliças no mercado por um entregador que leva esses ingredientes diretamente da roça até sua casa ou seu trabalho? O iraniano radicado em Brasília Pejman Samoori, 45 anos, pensou e criou a Caixa Verde. A iniciativa começou a atender os primeiros clientes em janeiro de 2016. É possível escolher entre diversos tipos de kits. O tradicional (com agrião, alfaces americana, crespa e lisa, brócolis, cebolinha, coentro, couve-manteiga, couve-flor, hortelã, pepino japonês, rúcula, salsa e tomate cereja) custa R$ 40 e o de legumes (abobrinha, abóbora, batata, batata doce, berinjela, beterraba, broto de feijão, cebola, cenoura, chuchu, ervilha, milho verde, pimentão, tomate e vagem), R$ 60.


Há ainda pacotes que trazem um mix de opções para solteiros e famílias, um kit totalmente orgânico, um apenas de frutas e outro de castanhas. As entregas são feitas a partir de encomendas (pelo WhatsApp, nos números 9-8157-5836 e 9-8199-1900, ou pelo telefone 3456-0708). “Recebemos cerca de 25 pedidos por dia. O estilo de compra varia bastante: alguns pedem uma vez por mês, outros, uma vez por semana”, revela Pejman. “O volume de vendas ainda está abaixo do que eu gostaria, mas sei que o projeto tem potencial e espero chegar a 100 encomendas por dia”, acrescenta. Entre as vantagens do negócio está o fato de os preços serem mais acessíveis que os de supermercados e de os produtos serem mais frescos.


“O produto é colhido cedinho e levado ao consumidor final; diferentemente do supermercado, em que os produtos ficam lá por dias. É uma forma de ter uma alimentação mais saudável”, compara Pejman. “Além disso, apesar de vender tudo mais barato, conseguimos mais ganhos para a rede de agricultores que nos ajuda: no sistema dos grandes mercados, as verduras são oferecidas quase de graça e ainda é preciso pagar para que elas fiquem nas gôndolas. Os lucros ficam só com o empresário”, observa. A invenção também é sustentável. “Isso economiza combustível e energia, pois levamos esses alimentos para diversas casas e, assim, evitamos que várias pessoas se locomovam até o mercado”, afirma.

Laços de família

 

Gabriela Studart
 

Além de ser uma solução interessante para o público, a Caixa Verde (saiba mais em www.facebook.com/caixaverdebrasil) foi uma maneira que Pejman, professor universitário de pedagogia, encontrou para trazer inovação a um negócio familiar. Os pais dele, Ali Samoori, 77, e Zhila Samoori, 68, são iranianos e vieram para Brasília na década de 1980. No início, o casal teve um restaurante, mas, no começo dos anos 1990, se voltaram para a produção agrícola, com a qual Ali tinha certa experiência por ter crescido numa área rural do Irã, onde foi pastor de ovelhas. A família mantém plantações em três sítios (localizados em Arniqueiras, no Incra e em Vargem Bonita) e fornecem mercadorias em atacado para supermercados no DF e no Norte do país, especialmente em Manaus e Amapá.


“Minha mãe é dona de casa e sempre ajudou meu pai, que cuida da produção rural”, conta Pejman, que tem uma filha de 4 anos e fica responsável pela Caixa Verde com a ajuda da irmã, Mitra Samoori, 22, mãe de uma menina de 2 anos, que cuida da divulgação da iniciativa. “É assim que estou dando uma cara nova ao negócio da família”, esclarece. No total, os parentes têm oito funcionários: quatro da Caixa Verde e quatro para a produção rural. Para abastecer as encomendas enviadas às casas dos clientes, são usadas hortaliças da produção da família, verduras produzidas em parceria com outros lavradores e frutas compradas de outros produtores. “Já os itens orgânicos são de agricultores agroecológicos com certificação. A colheita é feita sem passar pelo nosso galão para não haver contaminação”, esclarece Pejman.


Antes de colocar a ideia em prática, Pejman pesquisou bastante. “Na Europa, é bem mais comum romper esse circuito de vários intermediários e receber produtos em casa. Vi que muitas iniciativas do tipo deram errado porque não eram geridas por alguém que faz parte da produção, mas, sim, por alguém da área de transporte”, esclarece. Ele acredita que a dedicação dos pais é o ingrediente responsável por ter feito o trabalho no campo dar certo. “De segunda a segunda, meu pai acorda às 3h e vai para a roça. Se a gente leva ele para descansar, fica até estressado”, comenta. Ele cita ainda como razões para o êxito princípios da família, como honestidade, respeito, união aprendidos com a fé Bahá’í, religião monoteísta iniciada no Irã que defende a união espiritual de toda a humanidade.