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Meu coaching é com cavalos

Já pensou em desenvolver habilidades importantes para o mundo do trabalho como liderança, criatividade e autoconhecimento a partir do contato com equinos? O método, anteriormente aplicado no exterior e em outras cidades do Brasil, chegou a Brasília em outubro do ano passado. Descubra sobre essa técnica aqui

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postado em 09/04/2017 14:56 / atualizado em 09/04/2017 16:03

Paulinho Menezes/Divulgação

“A missão era guiar o cavalo por vários obstáculos. Para direcioná-lo, peguei firme na rédea para me impor e ele travou. Tentei de várias formas, sem sucesso. Eu me afastei, peguei na pontinha da corda, fui puxando e ele me seguiu. O animal sabia que eu mandava, mas não queria ser forçado a fazer algo. Naquele momento, percebi: assim deve ser o verdadeiro líder, uma pessoa inspiradora e não alguém que usa a força para conseguir algo.” O relato da gerente de assuntos públicos em uma multinacional Simone Garcia, 42 anos, é resultado da participação em um treinamento da Brasil Equus Coaching, ocorrido em 1º e 2 de abril, na Vila Equestre Equilíbrio, no Centro Hípico do Lago Sul. O objetivo do programa — que promove diversos eventos — é embasar, por meio da convivência com cavalos, o desenvolvimento de competências voltadas ao mundo do trabalho, como liderança, autoconfiança, foco, criatividade, segurança, trabalho em equipe, empatia, assertividade e autoconhecimento.


Com MBA em gestão, Simone Garcia conheceu o método inovador no evento do último fim de semana e ficou encantada com a prática. “O cavalo não é um objeto inanimado, te traz percepções, te provoca. Quando o bicho não obedece, você se frustra, mas percebe que está fazendo algo errado”, comenta. A partir da vivência, a mineira relata que aprendeu a ter mais sensibilidade, em vez de agir “como um trator que atropela tudo”. A gestora está animada para colocar os aprendizados em prática. “Agora, vou ouvir minha equipe de verdade, sem pensar em rebater, mas escutar abertamente e, assim, construir junto com os demais uma gestão respeitosa e humana”, promete.

 

Paulinho Menezes/Divulgação
 

Aprendizado animal
Quem escuta falar sobre a técnica de coaching com cavalos ou equus coaching (em inglês) pela primeira vez pode estranhar, mas o método foi criado a partir da ideia de que os equinos têm diferenças, mas também muitas semelhanças com o ser humano. Por isso, o contato com eles traz aprendizados que podem ser replicados em outros ambientes. Em geral, as dinâmicas com os bichos não incluem montaria (mas há também atividades com essa finalidade) e englobam, principalmente, a prática de guiá-los, a pé, fazendo-os passar por obstáculos. Tudo, é claro, sem maltratar os animais. A técnica foi trazida para Brasília em outubro de 2016, por meio do Brasil Equus Coaching, o único a trabalhar dessa forma na capital federal. O programa foi criado por Andreia Prata, psicóloga e especialista em equoterapia; Luca Andrade, psicóloga e master coach; e Fernanda Lambach, 45 anos, jornalista, que monta cavalos há três anos. O trio demorou seis meses para formatar o programa, a partir de conhecimentos prévios e adquiridos em cursos.


“O cavalo é um espelho do que você sente e de como age. Por exemplo, se estiver inseguro ao guiá-lo, ele não te seguirá. Algumas equipes ficam confusas na hora de realizar um trajeto e o bicho percebe. Outras pessoas conseguem se organizar de uma maneira clara e gerar mais confiança”, explica Fernanda Lambach. “Em uma sessão de coach regular, feita em uma sala, sentimentos e fatos são racionalizados, o que faz com que a pessoa não esteja aberta para se perceber e ver o que precisa mudar. A interação com cavalos busca acelerar o processo de desenvolvimento pessoal, que pode ser mais lento em atendimentos comuns”, afirma Andreia. “O animal nos tira da zona de conforto, nos desarma. O primeiro contato já é impactante, pelo tamanho e pela personalidade, mostrada a partir do jeito de liderar da pessoa, respondendo a estímulos”, completa Luca Andrade.


Como qualquer técnica de desenvolvimento pessoal, o sucesso depende da dedicação de cada participante. “Coach não é terapia, o que fazemos é ajudar as pessoas a responderem a reflexões próprias. Por exemplo, numa dinâmica, uma participante percebeu que não conseguia superar o medo de realizar uma atividade. A partir daí começamos a provocar questionamentos, para que ela mesma reflita e responda”, afirma Fernanda. Os cursos, com duração média de dois dias cada, envolvem contato de grupos de oito a 10 pessoas com equinos e um atendimento individual posterior. Também é possível promover consultas a grupos corporativos. “Nesse caso, recebemos a inscrição da empresa e estudamos com os gestores quais pontos devem ser mudados. Assim, criamos exercícios específicos que trabalhem as fraquezas do time. Algumas vezes, separamos por cargos: fazemos um programa com executivos, outro com gerentes e outro com empregados operacionais”, diz Andreia.

 

Paulinho Menezes/Divulgação

As aulas são realizadas no Centro Hípico Lago Sul, na Vila Equestre Equilíbrio, de propriedade de Andreia. Para garantir uma interação segura, os cavalos são escolhidos a dedo de acordo com a atividade a ser ministrada — os mansos, de equoterapia, são para contatos e dinâmicas leves; os de personalidade mais forte são reservados para desafios maiores. Para evitar acidentes, os participantes passam por uma palestra sobre a interação com cavalos. “Dizemos do que o bicho não gosta. Por exemplo, se você pôr a mão no pescoço dele, sem ter tido contato prévio, o animal pode se assustar. Também não é indicado ficar atrás dos cavalos, algo que os instrutores sempre alertam durante as dinâmicas”, ressalta Fernanda.

 

Método diferente
A origem da técnica é incerta. A iniciativa é popular em outros países, como México, Estados Unidos, Bélgica, Alemanha e Espanha.


No Brasil, cursos semelhantes são oferecidos em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

 

Conhece-te!
As criadoras do Brasil Equus Coaching acreditam que o autoconhecimento é um fator determinante para melhorias no ambiente profissional que é estimulado por meio do contato com equinos. “Às vezes, a pessoa chega esperando trabalhar a liderança, mas descobre que não se conhece, não sabe seus medos e defeitos, nem se aceita. Então, temos que começar por outro ponto: primeiro, trabalhar a si mesmo para, depois, liderar outros”, pontua Fernanda. Luca relembra casos de participantes que tiveram surpresas sobre si mesmos ao iniciar o contato com os cavalos. “Alguns chegaram aqui confiantes e cheios de si, mas não fizeram o animal sair do lugar porque o bicho refletiu a insegurança deles. Aí ouvimos dessas pessoas: ‘achei que me conhecia, mas não é a verdade’. É surpreendente”, comenta. “Encarar-se é para quem tem coragem, nem todos dão conta. Então, quando os participantes percebem algo, conversamos e os ajudamos a entender como lidar com aquilo. É assim que, com o tempo, competências são desenvolvidas”, pontua Andreia.

Eu participei

Régia Vitória, 29 anos, se inscreveu em aulas do Brasil Equus Coaching pelo interesse por cavalos e pela vontade de aprimorar o autoconhecimento e a habilidade de liderança. Atualmente estudando para concursos, a jornalista com MBA em comunicação empresarial e mídias digitais participou de dois encontros do programa. “Eu passei a prestar atenção a vários detalhes que fazem toda a diferença no ambiente de trabalho, como postura, tom de voz e tipo de olhar”, revela. “Tive que lidar com um animal que é três vezes maior que eu. Isso mexe com medo, insegurança e emoções fortes e me estimula a descobrir como fazer para que esses sentimentos não atrapalhem meus objetivos”, afirma. Agora, Régia planeja aplicar as mudanças necessárias em sua vida. “Eu descobri que preciso de mais foco e de procrastinar menos. É preciso ter clareza de quem somos, como somos e o que queremos”, conclui.

 

Saiba mais

Brasil Equus Coaching

Próxima edição: 20 e 21 de maio, módulo com 12 horas
de duração
Investimento: R$ 700 (o valor pode ser dividido em duas vezes);
até 28 de abril, a inscrição custa R$ 650
Inscrições: pelo telefone (61) 3367-5345 ou
pelo e-mail brasilequuscoaching@gmail.com.
Informações: facebook.com/brasilequuscoaching

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa