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PROFISSIONALIZAçãO »

Para garantir empregabilidade

Mais enxutos e baratos, os cursos de qualificação sãomais acessíveis e demonstram ter eficácia: mais da metade das pessoas que participaram de formações do tipo conseguiram trabalho na área

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postado em 16/04/2017 13:38 / atualizado em 16/04/2017 13:54

Gabriela Studart
 

Preparação direta para o mercado

Mais curtos que graduações e formações técnicas, os cursos de qualificação profissional costumam ser bastante específicos e ter alta carga prática. Trata-se de uma boa opção para quem precisa se atualizar, complementar os estudos, encontrar trabalho, mudar de carreira ou até abrir um negócio. Segundo pesquisa do IBGE,


mais de 40 milhões de pessoas têm interesse em participar de aulas do tipo

 

Nem superiores, nem tecnológicos, nem técnicos: os cursos de qualificação profissional ou de formação inicial e continuada (FIC) são uma categoria totalmente à parte. Esse tipo de capacitação tem uma abordagem prática, preparando para a entrada no mercado de trabalho em um período de tempo menor e exigindo menos recursos financeiros. Aulas da modalidade são uma ótima oportunidade para quem procura o primeiro emprego, recolocação profissional, atualização ou até uma mudança de carreira. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no fim de março, fez um retrato da situação de cursos de qualificação no país em 2014.  A análise concluiu que a modalidade traz resultados: mais da metade das pessoas que participaram de formações assim trabalharam na área das aulas.


É o caso de Francisco Misael Albuquerque, 18 anos. Ele fez um curso dessa modalidade sobre programação ainda no ensino médio e conseguiu emprego como instrutor numa escola de profissionalização. “Eu sempre quis entrar cedo no mercado: quanto mais experiência, melhor. É interessante começar logo se você quer ser um bom profissional”, acredita. Entre os que concluíram cursos do tipo, mas não ingressaram no setor, uma parcela expressiva (31,1%) cita a falta de vagas como principal motivo; mas outras razões também se destacaram na Pnad, como ter conseguido emprego em outra área (16,2%), falta de interesse (15,3%) e decisão de continuar os estudos (13,2%).


Mesmo entre os que não travaram carreira na área de capacitação, 90,5% declararam que o curso foi útil para a vida profissional, especialmente pela aquisição de novos conhecimentos e competências. A modalidade tem ganhado cada vez mais atenção: em 2014, cerca de 40 milhões de pessoas tinham interesse em fazer algum curso do tipo. “Não são muitos os que estavam realizando qualificações no Brasil na época da pesquisa (cerca de 3 milhões), mas a quantidade de interessados é muito significativa”, analisa Marina Águas, analista do IBGE e responsável pela divulgação da Pnad.


A vontade de se engajar em capacitações do tipo é justificada pela maior acessibilidade da modalidade de ensino. Segundo o relatório do IBGE, a qualificação é democrática, uma vez que muitos dos cursos não exigem um grau de escolaridade prévio para a participação. As aulas são procuradas tanto por quem tem nível fundamental quanto por graduados. Na visão de Gricélia Melo, diretora de Operações do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), cursos de qualificação ajudam a sanar um problema do empresariado: falta de mão de obra qualificada. “Por isso, entre os resultados dessas formações estão o aumento da produtividade das empresas e a movimentação da economia”, acredita.


Rogério Gabriel, fundador e presidente do Grupo Prepara, de cursos profissionalizantes, concorda. “Empresas procuram pessoas que consigam aplicar conhecimentos na prática: em muitos casos, é mais interessante contratar um profissional com conhecimentos específicos e que saiba aplicá-los do que um que tem uma formação superior, mas fica restrito à teoria”, comenta.

Prontos para o mercado
“Num cenário de crise como o que vivemos, as empresas querem economizar em vez de gastar capacitando trabalhadores para uma função”, observa Danilo Porto, coach na empresa de treinamento Crescimentum. Assim, candidatos que passaram por um curso de qualificação saem na frente dos concorrentes. “Muitas vagas têm demandas específicas que uma formação desse tipo é capaz de suprir”, acredita. Gricélia Melo, do Sesi e do Senai, observa que a demanda por pessoas que fizeram cursos profissionalizantes é justificada pela alta carga prática da modalidade.


“Ao sair do curso, o aluno está apto para trabalhar”, explica. Concluintes de qualificações entrevistados pela Pnad de 2014 citaram o conteúdo das aulas (62%), o certificado de conclusão (20%) e a orientação para encontrar trabalho na área ou abrir o próprio negócio (13,7%) como os principais motivos para terem conseguido um emprego relacionado à capacitação.

 

Não confunda!
Cursos de qualificação profissional não são técnicos. Eles são caracterizados por menos tempo de aulas e mais especificidade no assunto de que tratam. Em geral, a carga horária é de até 400 horas. Em comparação, cursos técnicos costumam ter de 800 a 1.200 horas de aula, divididas em até três anos. Já formações tecnológicas consistem em um tipo de graduação que, em geral, é mais curto que um bacharelado.

 

Prioridade na educação

Em nota enviada por e-mail, o Ministério da Educação garantiu que a qualificação profissional é uma prioridade para a pasta e avaliou que esses cursos “ampliam as chances de empregabilidade de egressos”. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec/MEC) prevê que, ainda este ano, sejam ofertadas mais de 750 mil vagas em cursos de formação inicial e continuada a distância.

 

Eu fiz

 

Lis Gabriela Cappi
 

 

A educadora física Carla Ferraz Loureiro, 59 anos, tem boas expectativas de recolocação ao combinar diferentes formas de educação profissionalizante. Ela faz curso técnico em enfermagem durante o dia e, à noite, aproveita para complementar a formação em cursos de qualificação em temas correlatos, como as aulas de qualidade total e eficiência em função venosa do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Professora da rede pública, ela pretende trabalhar na área de saúde depois de se aposentar, o que deve ocorrer em dezembro. “O curso técnico oferece o básico do conhecimento:  faço formações de qualificação para me aperfeiçoar em áreas específicas”, explica.

 

Gabriela Studart
 

 

Nilvan Poeck, 21 anos, fez um curso de qualificação em hidráulica e aquecimento solar no Senai de Taguatinga e, um mês depois do fim das aulas, conseguiu um emprego na área. “Eu aprendi todas as habilidades para exercer o cargo que ocupo hoje graças ao curso”, conta ele, que é inspetor de vendas na Chama Alternativa, empresa de instalações industriais e residenciais de gás e água quente. Com a formação, em novembro de 2016, o jovem participou da Olimpíada do Conhecimento, competição nacional de profissões técnicas, e teve um bom resultado: a equipe dele foi a vencedora da categoria construção e edificações. Para o estudante, o curso de qualificação foi um complemento essencial que garantiu empregabilidade enquanto ele cursa o 6º semestre da graduação em engenharia civil no Centro Universitário Iesb. “Na faculdade, a gente aprende muita teoria, mas, na formação profissionalizante, nós adquirimos conhecimento prático e teórico direcionado”, afirma.

 

Lis Gabriela Cappi
 

 

A arquiteta Fernanda Moreira, 31 anos, fundou um escritório em Palmas (TO) depois de fazer uma qualificação sobre o programa de computador Revit, que permite a criação de plantas de construção. “Era grande a demanda por projetos feitos com a plataforma e havia muita gente interessada em aprender a usá-la, por isso achei importante me capacitar”, relata. Em 2013, ela precisou se mudar para a capital federal e, hoje, é professora da Universidade Católica de Brasília (UCB). “Eu aplico os conhecimentos adquiridos na capacitação nas aulas e ofereço cursos de extensão, então a formação sobre o software surte efeitos positivos até hoje”, comemora.

 

Estude

Confira instituições que oferecem cursos de qualificação:
» Instituto Federal de Brasília (IFB): www.ifb.edu.br
» Sesi: www.sistemafibra.org.br/sesi
» Senai: www.sistemafibra.org.br/senai
» Senac: www.senac.br
» Pró-Educar Saúde: proeducarsaude.com.br
» Centro de Educação Profissional (Cened): www.ceneddf.com.br
» Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF): www.sinduscomdf.org.br
» Central Geral dos Trabalhadores do Brasil: cgtb.org.br
» Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil: www.icepbrasil.org.br
» Secretaria do Trabalho do DF: www.trabalho.df.gov.br
» Escola Técnica de Ceilândia: etcdf.com.br

 

Oportunidades

A Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal (Sedestmidh-DF) mantém o programa Pronatec Mulheres Mil, em parceria com a Casa da Mulher Brasileira. A iniciativa capacitou mais de 231 mulheres que sofreram violência doméstica, entre elas, Fernanda Viana, 38. Ela concluiu o curso de recepcionista no programa, em outubro de 2016. Enquanto procura trabalho, ela concentra forças no projeto Revitalize, feito em parceria com outras cinco vítimas, que pretende acolher e acompanhar casos de violência doméstica. “O curso foi essencial para a superação da dificuldade em que eu me encontrava e ganhar forças para começar o meu projeto”, relata.


A Sedestmidh também oferece, desde julho de 2013, formações profissionalizantes para pessoas inscritas no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico) por meio do programa Fábrica Social. As inscrições para o processo seletivo de 2017, que oferecerá 1.450 vagas em cursos de qualificação, estão previstas para serem abertas no fim de maio. O número para inscrição é a Central 156. “Estamos falando de inclusão socioprodutiva. É gratificante ver que a pessoa sai do curso com emprego e renda”, afirma o secretário da pasta, Gutemberg Gomes. Saiba mais em: www.trabalho.df.gov.br.

 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa

 

 

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