ENTREVISTA - SéRGIO MENDéZ »

Tecnologia a favor dos profissionais digitais

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postado em 16/04/2017 14:21 / atualizado em 16/04/2017 14:26

Arquivo Pessoal
Num cenário de crise, poder recorrer a um espaço on-line que liga candidatos em busca de oportunidades a empresas com  chances promissoras é uma boa pedida. Essa é a proposta da Bandit, só que apenas para trabalhadores do mercado tecnológico, como programadores, profissionais de marketing digital, desenvolvedores de softwares e aplicativos. O site foi criado pelo espanhol Sérgio Mendéz, 38 anos, fundador da Prolancer, plataforma de contratação de freelancers que conecta 23.005.402 empregadores e profissionais de 247 países. Graduado em gestão e empreendedorismo pela Baruch College e mestre em interação humano-computador pela Universidade de Michigan, Sérgio é apaixonado por programação. Foi essa paixão que o trouxe ao Brasil, em 2010, para explorar o mercado de computação e desenvolvimento.


A start-up, com escritórios no Brasil, na Argentina e na Espanha, foi lançada em dezembro de 2016, mas a ideia estava na mente de Sérgio havia alguns anos, quando ele ainda era CEO da Prolancer, primeira plataforma criada por ele, voltada apenas para contratação de freelancers. A ideia deu tão certo que a empresa foi vendida em novembro de 2016. No novo projeto, a Bandit, em poucos meses de funcionamento, Sérgio reuniu 50 empresas e 25 mil profissionais. Esse número só cresce: cerca de 500 trabalhadores ingressam na plataforma por semana. Ele garante que há muitas vagas na área, especialmente para os que se qualificam mais.

 

O que você fazia antes de criar a Bandit?
O meu último emprego foi com desenvolvimento de projetos digitais para publicidade em São Paulo. Eu saí de lá em 2011 para criar a Prolancer, projeto ao qual me dediquei por cinco anos em tempo integral.

De onde vem o lucro?
Todas as vezes que um candidato é contratado, cobramos um percentual da empresa em que ele trabalhará.

Criar uma plataforma de tecnologia é muito difícil no Brasil?
Eu acho o aspecto administrativo do negócio muito burocrático e tento não perder muito tempo com ele. Como tivemos experiência com a Prolancer, ao longo dos anos, aprendemos a lidar melhor com as exigências legais daqui.

Como surgiu a ideia de desenvolver a Bandit?
A Bandit surgiu a partir de pedidos de parceiros empregadores da Prolancer. Os clientes começaram a pedir profissionais para ocupar cargos fixos em empresas. A plataforma faz parte de um grupo internacional, a start-up Bandit Solutions, com sede em Barcelona. Atuamos nos mercados de Brasil, Argentina e Espanha. Queremos expandir para o restante da Europa, Estados Unidos, México e alguns países da América Latina a partir deste ano. A equipe total é de 50 pessoas, sete delas no Brasil.

Como você teve a ideia e criar a Prolancer?
A partir de uma experiência pessoal. Eu era um freelancer desenvolvedor em São Paulo e vi que era difícil achar profissionais temporários em programação, marketing e até criação de conteúdo quando precisei encontrar pessoas para desenvolver alguns projetos comigo. Percebi que não havia um local que reunisse esses perfis e decidi criar um. Nos primeiros três meses, a plataforma cresceu muito bem. Depois de vermos esse sucesso inicial, desenvolvemos as funcionalidades do projeto. A primeira versão da Prolancer era muito simples, uma página em que as empresas postavam projetos em busca de pessoas. A última versão, em 2016, era bem mais sofisticada, com espaços para financiar ideias e fazer pagamentos. Fomos evoluindo, sempre observando as necessidades da empresa.

Qual é o grande diferencial da Bandit?
Somos um local de negociação, cujo objetivo é reduzir o tempo de contratação de profissionais digitais — as empresas demoram, em média, mais de um mês e meio para achar esse tipo de perfil, no melhor dos casos. Queremos diminuir esse tempo em 70%; para isso, fazemos um recrutamento preliminar que pode ajudar. Ajudamos os dois lados a se encaixarem. Após o cadastro, existe um filtro tecnológico, em que o profissional faz um teste para avaliar habilidades. Nessa etapa, de cada 100 pessoas, apenas 10 passam: 90 ficam de fora por não terem conhecimentos ou qualificação. Esse filtro é muito importante porque as empresas sabem que só disponibilizamos perfis capacitados. A etapa seguinte é uma entrevista com nossos especialistas, em que é levantado o perfil do candidato. O relatório é inserido no cadastro da pessoa e ajuda os empregadores a encontrá-la mais facilmente.

Como você analisa o mercado de trabalho digital no Brasil?
O mundo tecnológico hoje em dia é um motor de crescimento, sobretudo para a população mais jovem. Mesmo assim, há um grande aumento de demandas e o deficit de profissionais é muito grande. Sempre falamos com nosso diretor-geral, que está na Espanha, sobre a necessidade de formar mais programadores. Há uma gama de oportunidades, o deficit está crescendo, pois o número de profissionais não aumenta. Calcula-se que, em 2020, haverá uma lacuna de 900 mil trabalhadores na área na Europa. No Brasil talvez não haja uma defasagem tão alta como esta, mesmo assim, será grande. Por isso, se você tem um sobrinho ou um filho que não sabe em que se graduar, incentive-o a ser programador: ele terá trabalho garantido desde o primeiro dia de procura (risos).

A crise econômica afetou o setor?
Cargos mais rasos, ou seja que exigem pouca profissionalização, foram afetados. Contratações para postos mais elevados, juniores ou seniores, estão em alta. A economia não está crescendo como queríamos ver, mas as vagas estão abertas! A Espanha teve uma crise em 2008, mas meus amigos de tecnologia da informação nem sabiam o que estava acontecendo, porque sempre tinha várias oportunidades para eles. O mercado digital é um segmento protegido porque o mundo está digitalizado: tudo é feito on-line.

Qual é a dica que você pode dar para que profissionais
da área digital tenham sucesso em tempos de crise?
Estando ou não empregado, mantenha-se atualizado. Uma permanência longa em um mesmo projeto torna o conhecimento obsoleto. A tecnologia se renova o tempo todo.

 

Acesse!
A plataforma está disponível em br.bandit.io. Para participar, é necessário fazer um cadastro. Basta ter uma conta do LinkedIn, de onde são extraídas as habilidades e o currículo. Algumas informações adicionais são pedidas. Os aprovados pelo filtro tecnológico de conhecimentos são entrevistados por Skype. Os recrutadores fazem uma revisão mais qualitativa e traçam o perfil do profissional. A última etapa é o mural de candidatos, em que os empregadores podem usar ferramentas de buscas para encontrar a pessoa ideal a partir dos dados coletados.

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa