PERFIS DE SUCESSO - KILBER QUEIROZ, KERSON QUEIROZ, MAO TE SE TUNG QUEIROZ E FLáVIO SANTOS »

Irmandade da culinária

Em cinco restaurantes e três refeitórios, irmãos da Paraíba atendem 2.500 pessoas por dia. Em casas que servem pratos à la carte e self-service, eles veem, no bom atendimento e na qualidade dos alimentos, o segredo para o crescimento

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postado em 30/04/2017 12:35 / atualizado em 01/05/2017 18:50

Gabriela Studart

Nascidos em uma família dona de um restaurante de carne de sol em Condado (PB), quatro irmãos deixaram a cidade natal, ainda na juventude, para trabalhar com gastronomia em São Paulo. Depois de anos aprendendo os segredos da arte de servir e cozinhar bem, vieram para Brasília atuar no ramo. Flávio Santos, 42 anos, Kerson Queiroz, 40, Kilber Queiroz,  38, e Mao Te Se Tung Queiroz, 34, hoje, são responsáveis por cinco restaurantes — Mambaí, Cangaia, Tapera Brasileira, Encontro e Aropemba — e três refeitórios na capital federal. Com 60 funcionários no total, os estabelecimentos atendem cerca de 2.500 pessoas por dia. A família dos paraibanos é formada por 13 filhos. Os quatro em Brasília não são os únicos atuantes no ramo culinário: outros três são donos de restaurantes, dois em São Paulo e um na Paraíba.


Flávio, Kerson, Kilber e Mao Te Se Tung se reúnem semanalmente para falar sobre o andamento das casas, discutir erros e tomar decisões. “A gente ajuda um ao outro a trocar cardápio, divulgar, filtrar clientes, entender o movimento”, observa Kerson. Apesar de eles serem bem unidos, cada um é responsável por empresas diferentes. O mais velho é dono do Encontro (saiba mais pelo telefone 3224-4629), que serve prato feito, lanches e caldos na 510 Sul e, em sociedade com Kilber e a ajuda da mulher, Samara Oliveira, 38, mantém o Tapera Brasileira (3224-4629), self-service no Setor Comercial Sul. Kilber é proprietário ainda do restaurante Cangaia (3323-9591), no Setor de Rádio e Televisão Sul, que serve bufê e pratos à la carte. Kerson é dono do bar, pizzaria e restaurante Mambaí (facebook.com/restaurantemambaibrasilia), no Park Design (shopping especializado em móveis localizado no Guará, próximo ao Casa Park) e, em maio, vai inaugurar a pizzaria Dom Guga no Sudoeste. Com a esposa, Klecia Chaves, 30, comanda três refeitórios em funcionamento dentro de empresas do Grupo Saga.


Mao Te Se Tung coordena, com a ajuda da esposa, Franciene Lustosa, 35, o restaurante à la carte Aropemba (3047-4045), no condomínio Living Superquadra, no Park Sul, que atende exclusivamente os moradores do local. “Como é um público de poder aquisitivo mais alto, a crise não teve muito efeito aqui. Faço muito evento aqui dentro também, como festa de Dia das Mães”, diz Mao Te Se Tung, conhecido como Marcos. Os demais estabelecimentos sentiram os efeitos da recessão e medidas foram tomadas. “Nos adaptamos: lançamos pratos executivos e opções mais em conta nos restaurantes”, completa Flávio. É unânime entre os irmãos a opinião de que o bom atendimento e a qualidade dos alimentos são fatores essenciais para o sucesso. “Na nossa rotina, estamos sempre próximos dos clientes, passando de mesa em mesa”, conta Flávio. “Formamos vínculos de amizade e fidelização com os frequentadores. No caso do Cangaia, 90% das pessoas vão lá todos os dias”, observa Kilber.


Outro relacionamento importante se dá com os funcionários. “Toda a comida é feita, em princípio, por nós. Com o tempo, treinamos pessoas para nos ajudar”, explica Flávio. “Cativar o empregado é ainda mais importante do que cativar o cliente para ter um bom resultado. Somos uma família e, como tal, temos que trabalhar juntos para que todos saiam ganhando”, completa Kilber. Os empresários veem a mão de obra como uma das principais dificuldades dos negócios. “Falta gente capacitada e principalmente interessada”, percebe Kerson. Outro fator essencial para o sucesso é a afinidade com a área. “Eu não me canso de cozinha nunca”, garante Marcos. “Adoro trabalhar com gastronomia, para mim, não tem nada melhor”, complementa Kerson.

História
“Começamos a trabalhar na gastronomia com 18 anos em São Paulo. Iniciamos como cumim (ajudante de garçom) e fomos progredindo, passamos para recepcionista, maître, subgerente, chef... Assim, aprendemos o que sabemos. O Flávio e o Kilber se casaram com gente de Brasília e se mudaram para cá, há cerca de 17 anos. Como somos muito unidos, o restante acabou vindo também”, conta Kerson, que está no DF há um ano e três meses. “Aprendi todas as minhas receitas em São Paulo. A massa da minha pizza, por exemplo, não leva ovo, leite nem açúcar”, conta.


O primeiro a se aventurar pela capital paulista foi Flávio, que é irmão de criação dos demais. “O pai deles é meu padrinho e dono de restaurante. Eu entrei para a família aos cinco anos. Meu pai mesmo era dono de churrascaria. Então, fomos criados nessa área. Em São Paulo, nos restaurantes em que trabalhamos, fazíamos cursos todos os meses e nos aperfeiçoamos bastante”, revela Flávio. “Eu, por exemplo, tive experiência com culinária árabe, japonesa, indiana, churrasco… A minha especialidade mesmo é risoto. O que mais gosto no meu trabalho é de cozinhar”, conta Mao Te Se Tung. A experiência foi marcada por sacrifícios. “Saí da Paraíba com 17 anos e fiquei sete anos sem ver minha mãe”, revela.