PERFIS DE SUCESSO »

Sócios, amigos e inovadores

Um publicitário e um cientista da computação estão por trás da startup brasiliense que produz soluções de educação financeira para entidades de previdência complementar. Aberto em 2013, o negócio teve um faturamento de R$ 2 milhões em 2016

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 14/05/2017 17:30 / atualizado em 14/05/2017 19:44

 

Com um visual moderno, alegre e colorido, cores fortes, quadros nas paredes e confortáveis puffs, a sede da startup Engrenagem Virtual, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), tem a imagem que se espera de empresas que trabalham com tecnologia e criatividade. Apesar disso, o negócio foi criado para fornecer soluções para o mercado financeiro, tradicionalmente mais formal e sisudo. “Finanças sempre foram um tabu no Brasil. A população, em geral, não tem educação financeira na escola ou na faculdade. Queremos ser uma engrenagem para ajudar a mudar esse setor e como ele é visto”, comenta o publicitário Leonardo Rocha, 35 anos. Ele é sócio do cientista da computação Pedro Ivo Carneiro, 31, na empreitada. Os dois se uniram para trazer inovações e tornar o mercado de fundos de pensão, em que ambos trabalhavam, mais atrativo e acessível ao público. Aberta em março de 2013, a Engrenagem Virtual (saiba mais em engrenagemvirtual.com.br) é especializada na criação de programas de relacionamento, plataformas e conteúdos para entidades de previdência complementar. Segundo os donos, é a única empresa brasileira focada nisso.


Um dos objetivos é promover educação e inteligência financeira e esclarecer as regras e as vantagens dos planos de previdência por meio de cartilhas, hotsites, vídeos, podcasts, newsletters, infográficos, testes, enquetes, simuladores e palestras. Com uma equipe de 11 pessoas, a startup é responsável não apenas pela produção dos materiais, mas também pela aplicação deles. “Nossa equipe joga nas 11. A gente desenvolve, implementa e mantém”, comenta Leonardo. Atualmente, a companhia cuida de plataformas de 21 instituições financeiras — entre bancos, seguradoras, cooperativas de crédito, entidades de previdência complementar — com mais de 420 mil inscritos em todo o país. “Oferecemos um pacote básico de ferramentas e, de acordo com a relação com a entidade e o passar do tempo, fazemos propostas para agregar adicionais, como simuladores diferentes para ajudar a aumentar a consciência financeira do participante”, explica Pedro. Um dos diferenciais é que a empresa aplica ferramentas de business intelligence para conhecer as necessidades do público e de cada cliente e, assim, gerar estratégias customizadas. “Se o objetivo de alguém é comprar um carro, a plataforma guiará conteúdos sobre esse assunto para ele. Assim, é possível saber quanto é preciso investir para alcançar o resultado desejado no futuro”, exemplifica Leonardo.


Gabriela Studart

 

Um dos desafios é fazer com que os participantes voltem a acessar a plataforma. Para isso, fizemos uma mudança para que apareçam primeiro os conteúdos que têm mais as ver com a pessoa”, conta Pedro. O público-alvo dos fundos de pensão tem, em geral, até 45 anos. “Procuramos fazer a experiência de navegação o mais lúdica e amigável possível. Fundo de pensão não precisa ter essa cara séria. Por isso, chegamos nesse mercado cheios de cores, com uma pegada jovem”, observa Leonardo. Os empresários acreditam que a startup ajuda a suprir uma lacuna do setor. “Historicamente, os planos de previdência são muito fechados: o cliente entrava, sabia quanto ganharia no final e só voltaria a conversar com a entidade depois de 35 anos. Então não havia uma comunicação constante. Só que o mercado mudou. Assim, surgiu a necessidade de se aproximar do participante”, observa Leonardo. O problema é que as entidades previdenciárias não costumam investir nisso. “Diferentemente de um banco, essas instituições, apesar de mexerem com dinheiro, têm o propósito de economizar, pois não podem ter fins lucrativos. O orçamento é bem restrito, então tivemos que nos adaptar”, analisa Pedro.

Riscos calculados
“Eu trabalhava numa corretora de seguros e o Pedro, numa agência de publicidade e desenvolvemos projetos juntos para fundos de pensão até que resolvemos lançar algo nosso, entre amigos”, conta Leonardo. Em parceria com Hugo Teixeira e Pablo Alvim de Miranda — que tiveram que se afastar das atividades por causa de outros compromissos e, hoje, são sócios financeiros —, Pedro e Leonardo desenvolveram o produto e conquistaram o primeiro cliente em três meses. O investimento financeiro inicial que viabilizou o início das atividades foi de Álvaro Kelmer, sogro de Leonardo, que atua como consultor do negócio. Para colocar a ideia em prática, Pedro precisou abandonar uma empresa de mídia indoor que tinha fundado e o publicitário deixou o emprego como gerente-executivo nacional de uma seguradora para se arriscar na nova empreitada.


“Na época, meu filho estava com oito meses e eu tinha acabado de comprar um apartamento, então era um momento bem delicado. Toda a minha família era contra. Tive medo, mas acreditei no meu taco. Seguimos a máxima: comece pequeno, pense grande e cresça rápido”, conta Leonardo, pai de dois filhos de 1 e de 5 anos. Os riscos valeram a pena: depois de seis meses de funcionamento, a startup passou a cobrir os próprios custos e, em 2016, teve um faturamento de mais de R$ 2 milhões. Os donos do negócio sentem o peso da responsabilidade de fazer a empresa dar certo e não foram poucas as vezes em que viraram noites e até trabalharam sábado e domingo. Durante a semana, a dupla se dedica integralmente à Engrenagem Virtual, mas tem outros negócios: Pedro é sócio de uma loja de moda íntima e Leonardo tem sociedade em empresas de tecnologia, varejo e treinamento. “Essa experiência prévia com o empreendedorismo foi importante para termos maturidade e certa dose de paciência para não nos desesperarmos com o ritmo de evolução”, acredita Leonardo.

 

Entenda o assunto
Consistem em planos

de fundação ou sociedade civil que gerem o patrimônio de contribuições de participantes com o objetivo de proporcionar rendas futuras. As instituições do ramo não têm fins lucrativos e são chamadas de entidades fechadas de previdência complementar