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Correio Braziliense

PERFIS DE SUCESSO - ANSELMO LUíS DE MIRANDA »

Ofício: reparador de panelas

Agente de portaria aposentado conserta utensílios de cozinha na 105 Norte há 25 anos. Cuidado com as peças, dedicação e o fato de gostar da atividade ajudam o mineiro a conquistar a clientela

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postado em 28/05/2017 14:25 / atualizado em 28/05/2017 14:27

Gabriela Studart

 

Em tempos modernos, em que o consumo e o descarte de bens são estimulados na mesma medida, há quem ainda ganhe a vida ao reparar objetos. A especialidade de Anselmo Luís de Miranda é reformar e possibilitar novo uso a panelas de todos os tipos. Cabos ou alças que se soltaram; tampas, borrachas ou válvulas de segurança que não funcionam mais à pressão; e uma série de outros defeitos são solucionados com rapidez pelo mineiro nascido em Bambuí, município a 270km de Belo Horizonte.


Dos 64 anos de vida, ele passou 40 em Brasília, 25 dedicado ao ofício de consertar panelas, sempre no mesmo local: a comercial da 105 Norte. Hoje, Anselmo fica no ponto das 9h às 15h30. “Se eu tiver as peças, conserto na hora. Se não, faço orçamento e a pessoa busca depois. Dependendo do caso, também posso buscar na casa do cliente”, comenta. Ele faz os reparos usando rebite, fixador mecânico metálico. “Dura bastante”, garante. Anselmo também amola alicates, facas e tesouras usando lima.

Atividade duradoura
Questionado sobre os motivos que o ajudaram a atrair a clientela por 25 anos, Anselmo, que é um homem simples e de poucas palavras, desconversa: “não sei”. No entanto, quem o observa atrás do balcão em que atende a freguesia, prepara orçamentos e põe a mão na massa pode encontrar algumas pistas dos segredos para a permanência no posto. Entre eles, o cuidado dedicado a cada peça e o prazer que sente com a atividade. “Eu gosto do que faço”, explica. A dedicação é recompensada. “Tem gente que elogia e me dá 10”, brinca.


Renda extra
O pai de quatro filhos (de 34, 30 e 17 anos — os caçulas são gêmeos) e avô de três netos está aposentado há cinco anos e foi agente de portaria num colégio particular em Sobradinho, cidade em que mora desde que deixou Minas Gerais em busca de trabalho. Ele começou a consertar panelas como bico e forma de ocupar as horas de folga. “Eu trabalhava das 16h às 23h, aprendi a fazer isso com um pessoal que conheço em Sobradinho para ganhar um troco e preencher o tempo livre”, conta.


“Quando eu estava no emprego, tinha mais correria, conciliando as duas coisas. Hoje, está mais tranquilo.” Anselmo atende de cinco a seis pessoas por dia. Ele vê motivos tanto para aumentar quanto para reduzir a demanda: por um lado, ele percebe que, atualmente, existem menos concorrentes no ramo de consertar panelas, por outro, nota que as pessoas preferem, muitas vezes, comprar algo novo a optar pelo conserto. Anselmo não tem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), mas emite recibo para os clientes.