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Correio Braziliense

PERFIS DE SUCESSO - JOSé ANTONIO MOREIRA »

De auxiliar de cozinha a empresário

Ele trabalhou numa rede de restaurantes onde foi promovido até se tornar gerente. Por fim, largou tudo para abrir o próprio negócio: uma hamburgueria com duas unidades em Águas Claras

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postado em 04/06/2017 13:46 / atualizado em 04/06/2017 20:34

Gabriela Studart

 

José Antonio Moreira, 41 anos, vive em Brasília há 18. Ele passou metade desse tempo trabalhando nas redes de restaurantes Marietta e Marvin e o restante gerindo o próprio negócio. “Comecei como auxiliar de cozinha, depois fui promovido para atendente, caixa, subgerente e, por fim, gerente”, lembra. O que faltou em estudos (ele estudou até o segundo ano do ensino médio) sobrou em aprendizado por meio da prática e de treinamentos de que participou ao longo da carreira. “Acho que progredi e fui promovido muitas vezes porque meu objetivo era o crescimento profissional. Sempre trabalhei com o critério de que vale mais a pena manter a porta aberta onde estou do que esperar o emprego dos sonhos, então sempre fiz meu melhor”, conta. A migração para o empreendedorismo veio por querer outra via de continuar crescendo.



“A função de gerente envolvia muita responsabilidade: eu estava estressado, tinha pouco tempo para a família e minha então esposa recomendou que eu fizesse terapia”, relata ele, hoje divorciado e pai de dois filhos, de 19 e 13 anos. Na recepção, ao aguardar o atendimento para a terceira sessão num consultório de psicologia, José Antonio folheou uma revista e viu uma reportagem sobre a pimenta-cumarim. “Foi o ‘clique’ que faltava para me desligar da empresa e montar o meu negócio”, revela. A partir daí, nasceu a ideia para abrir a Cumarim Burger Grill. Poucos meses depois, ele pediu demissão e usou a experiência no ramo gastronômico para botar o projeto em prática. “Minha ideia era oferecer um produto intermediário, com alta qualidade, mas preço acessível, para poder puxar clientes de classes diferentes”, revela.

A ideia era abrir um espaço no Plano Piloto, mas, sem avalista, José Antonio só conseguiu alugar uma loja de 25m² em Águas Claras, onde tudo começou. Hoje, a rede é composta por duas unidades de 250m² cada uma na cidade: na Rua Manacá e na Rua 33/34 Norte. A primeira atende 9 mil clientes por mês e a segunda, 7,5 mil. O próximo passo é abrir uma loja no Plano Piloto, na 204 Sul, ainda este ano. “Será um espaço de mais de 400m², mas ainda não temos data de inauguração”, explica. A expansão é demandada pela própria freguesia. “Existe uma cobrança boa”, comemora. O negócio tem 55 funcionários e é classificado como empresa de pequeno porte (categoria com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões. “Pode ser que a gente se desenquadre este ano”, prevê.
Especialidade da casa

As lanchonetes servem sanduíches (com preços que variam de R$ 19,10 a R$ 43,70) e grelhados. Da primeira categoria, o campeão de vendas é o X Brasil, que leva ovo, bacon, hambúrguer da casa, maionese, molho barbecue, muçarela e vem acompanhado de batata frita e molho cumarim (levemente apimentado). Na segunda, um prato que se destaca é o Franguinho Grill. Para garantir a qualidade e a suculência dos hambúrgueres, José Antonio montou um açougue próprio.

Sacrifícios
Goiano de Carmo do Rio Verde, José Antonio veio para Brasília tentar a sorte. “Na época, eu tinha tomado prejuízo grande com plantação de tomate, fiquei cheio de dívidas, meu pai vendeu um terreno para me ajudar”, lembra. Ele ficou hospedado na casa de um amigo com o seguinte propósito: se conseguisse emprego em uma semana ficaria na capital federal, caso contrário, voltaria para Goiás. “Vim na segunda e, no sábado, me chamaram para uma vaga numa padaria. Meu primeiro contracheque foi de R$ 194”, lembra. Pouco tempo depois, foi selecionado para trabalhar na rede Marietta. Para dar conta de pagar o aluguel de um quartinho e se manter, precisou fazer sacrifícios.

“Houve um tempo em que meu almoço era só leite com café e pão. Foi o jeito que achei para gastar menos”, lembra. Outro momento difícil foi a perda dos pais. “Eles não me viram abrir meu negócio. Tudo o que faço é dedicado a eles e a Deus, pois foram os primeiros a acreditar em mim.” A conclusão é que todo o esforço valeu a pena. “Estou muito satisfeito. Sou muito grato, inclusive, pela minha equipe. Tenho pessoas muito boas ao meu lado, que estão dispostas a viver esse sonho comigo. Meu gerente, por exemplo, está aqui desde o primeiro dia”, elogia.