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O autoconhecimento é o melhor caminho para construir uma boa imagem pessoal

Com essa ferramenta, é possível garantir que a aparência seja condizente com o conteúdo

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postado em 25/06/2017 11:43 / atualizado em 26/06/2017 17:12

 

 

Compreender a si mesmo
em todas as dimensões (personalidade, profissão, tipo físico, o universo em que está inserido) é a chave para construir aparência e estilo adequados para você, algo importante para crescer na carreira.

 

Lanna Silveira

 

O peso do autoconhecimento na imagem pessoal

 

A imagem pessoal é algo que se constrói todos os dias, a partir de comportamentos, valores e também do visual. O problema é que, às vezes, os trajes escolhidos não refletem o perfil profissional da pessoa. Para que o jeito de se portar e de se vestir transmitam a mesma mensagem, Renata Braga Artacho, consultora de estilo e imagem, publicitária e professora de curso a distância sobre o tema oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), aponta a importância do autoconhecimento. É por meio dessa ferramenta que se torna possível “descobrir ou redescobrir um estilo próprio e equilibrá-lo”. A psicóloga e especialista em gestão de recursos humanos Marcia Vazquez observa o que é preciso para se compreender. “O autoconhecimento é adquirido diariamente, quando você se pergunta o que sabe e o que não sabe sobre si mesmo. É preciso conhecer os próprios limites”, define.

Entender-se também é essencial para conciliar, com sabedoria, atributos físicos, personalidade e a adequação aos ambientes sociais e profissionais que frequenta. Assim, é possível se valorizar e conquistar aparência condizente com o conteúdo. Marcia defende ainda que se entender ajuda a aprimorar talentos e se tornar um profissional e uma pessoa melhor. “Autoconhecer-se e equilibrar peças com modelagens que favoreçam seu estilo e tipo físico ajuda e muito na construção de uma imagem. Se você se sente seguro com seu visual, passa isso para os outros”, afirma Renata. É por isso que, em vez de apontar erros e acertos, o curso do Senac, ministrado desde 2012, aposta em estimular os alunos a descobrirem quem são. Na prática, há orientações para o aprimoramento de homens e mulheres, levando em consideração aspectos pessoais, sociais e psicológicos de cada um. A metodologia consiste em abordar temáticas relacionadas a vestimentas, comportamentos apropriados em ambiente de trabalho e etiqueta no meio corporativo.

O respeito ao dress code da empresa é importante, mas é possível conciliá-lo com o seu estilo. Para os que menosprezam a relevância da aparência, a professora Renata deixa um recado: “Quem tem cuidado por si mesmo demonstra ter cuidado com o que executa na carreira”, destaca. Leandro Eggert, 34 anos, engenheiro eletricista e morador de Botucatu (SP), descobriu a importância disso ao participar do curso do Senac pela internet. Ele trabalha na Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) e relata que as aulas trouxeram benefícios. “Mudei um pouco o meu jeito ‘largado’ para um visual mais dentro da minha idade e do ambiente profissional”, conta. A principal mudança foi em relação às cores: antes Leandro vestia peças de tons chamativos, como verde-claro. “Agora, uso cores neutras (cinza escuro, preto, azul-marinho, por exemplo), camisas lisas, com listras finas ou estampa xadrez”, diz. Como o engenheiro atua em obras ou instalações, não foi necessário adotar um perfil mais formal.

 

Arquivo Pessoal
"Mudei um pouco o meu jeito ‘largado’ para um visual mais dentro da minha idade e do ambiente profissional”
Leandro Eggert, engenheiro, fez um curso sobre imagem pessoal

Aprenda a cuidar da sua aparência
O curso Estilo e Imagem Pessoal Web TV tem 20 horas de duração e custa R$ 82,30 pelo site www.ead.senac.br/cursos-livres. Os participantes recebem certificado on-line. Para passar, é preciso responder uma prova com 10 questões (a nota mínima é 7).

Guarda-roupa na repartição

 

» A Câmara Legislativa vai fiscalizar as vestimentas dos frequentadores do órgão. Segundo Portaria lançada em 7 junho, está proibida a entrada e a permanência de pessoas com regatas, bermudas, roupas muito curtas e bonés Poucos depois, em 13 de junho, o órgão decidiu suspender por 20 dias (prorrogáveis por mais 20) a medida para permitir um período de adaptação para trabalhadores e visitantes.

» Em São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) apresentou novos modelos de uniformes para funcionários. Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aposentaram vestes marrons para usar peças amarelas a fim de aumentar a segurança e a visibilidade. Além disso, servidores de 32 regionais tiveram que passar a vestir a cor azul.

 

Três perguntas para / Gloria Kalil

 

Miro/Divulgação
Consultora de moda e jornalista, Gloria Kalil é um ícone quando se trata de aparência, comportamento e etiqueta. Autora dos livros Chic, Chic homem, Alô, Chics! e Chic[érrimo], ela acaba de lançar um verdadeiro manual de como se vestir e se portar no mundo do trabalho: Chic profissional. Na obra, ela dá exemplos de comportamentos que parecem ser chiques, mas não são. Entre eles, não prestar atenção ao dress code da empresa. Isso vale tanto para aparecer com visual despojado num ambiente tradicional quanto para o contrário: vestir roupas formais num espaço mais descontraído não pega bem.

O que o público pode esperar do seu novo livro?

Vai além de um livro de moda: é uma espécie de panorama sobre o formal e o informal, abordando a questão do desemprego e as novidades de empresas que estão surgindo. Hoje, o mundo está conectado e cheio de possibilidades; pessoas que têm costumes e hábitos diferentes ganham espaço. O livro traz perspectivas e soluções para sanar dúvidas sobre comportamento. Existem várias empresas formais e extremamente informais. Há expectativas e códigos de aceitação em diferentes ambientes. Para cada situação, há uma adequação.

É importante olhar para si mesmo e manter a personalidade na hora de se vestir?

Muito. Todo mundo tem um estilo. O que digo é o seguinte: o guarda-roupa de trabalho é um pouco diferente do social e de lazer. Não é nem tão fashion nem tão informal, tem características próprias. O caso da jornalista Renata Vasconcellos (que apresentou o Jornal Nacional de quimono e virou meme nas redes sociais) é um ótimo exemplo. Se a apresentadora aparecesse em um evento de moda ou coquetel com a roupa, estaria tudo bem, no entanto, virou meme porque o noticiário é um local formal. Roupas de última moda geralmente não se dão bem com local de trabalho.

Quais os principais erros do brasileiro ao se vestir?
É muito difícil dizer. Não há uma lista pronta. Se vai trabalhar em um emprego formal, é preciso olhar e analisar porque é nesse mundo que você vai tratar. Ao mesmo tempo, usar terno e gravata para trabalhar em casa não faz sentido.

 

Editora Paralela/Divulgação
Chic profissional — para circular e trabalhar no mundo globalizado
Autora: Gloria Kalil
Editora: Paralela
224 páginas
R$ 44,90

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recebi um feedback da equipe. E agora?

 

Lanna Silveira
 

Quando o autoconhecimento não é o forte do trabalhador, comentários de colegas e chefes podem ajudar a identificar se existe algum problema com a imagem pessoal, mas é preciso estar aberto ao feedback. Lucas Sousa Moreira, 22 anos,estudante de marketing, percebeu isso em seu primeiro emprego. “Comecei a trabalhar, em 2013, como operador de caixa das Lojas Americanas. Depois virei fiscal”, conta. “Sempre fui um bom funcionário, o problema é que eu brincava demais com os colegas”, diz.  “Com o passar do tempo, comecei a melhorar e tomar atitudes de acordo com meu posto. Foram coisas que aprendi com os outros e meus superiores e que me tornaram um profissional mais sério”, diz.

Letícia Gomes, 21, é biblioteconomista e também ouviu comentários acerca de si mesma. A jovem acatou algumas avaliações, mas não seguiu todas, pois levou em consideração a função executada e a faixa etária. “Trabalho no Sesi (Serviço Social da Indústria) do Gama há pouco mais de um ano. Nunca levei puxão de orelha, mas, nos primeiros dias, fui confundida com uma das estudantes. Um rapaz chegou a me barrar, falando que eu precisava estar em aula; depois, houve uma vez em que uma funcionária comentou que eu devia me vestir apropriadamente”, recorda. “Ignorei um pouco. Preciso usar roupas que sejam confortáveis, pois fico o dia inteiro me movimentando e trabalhando com crianças. Além disso, sou a mais jovem da equipe, mesmo entre os estagiários, e isso influencia o que visto.”

 

Adaptação ao ambiente

 

Arquivo Pessoal
 

“A postura e a forma de andar ajudam a compor a aparência”, aponta a consultora de imagem Bruna Guadaim. Segundo ela, “cuidados básicos com a higiene são fundamentais”. Além disso, é preciso analisar o dresscode (código de vestimenta) da empresa e se adaptar. Na Quero Bolsa, empresa que gerencia programas de concessão de benefícios estudantis em mais de 1 mil faculdades, o ambiente é eclético. Lindsey Bueno, 35, é gestora da Felicidade (setor criado para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores) na empresa e afirma que o local tem como filosofia a “disciplina consciente”.

Trata-se de um modelo em que os funcionários monitoram a si mesmos, sem fiscalizações de superiores hierárquicos. O que vale é o bom senso. As restrições são mínimas: “basta vir vestido”. Por isso, é possível encontrar funcionários com os mais variados estilos. “Aqui tem gente que vem de chinelo, que anda descalça pelo escritório, de pijama, assim como tem pessoas que vão em busca de parcerias e saem mais formais. No nosso escritório, a regra é se sentir feliz e confortável”, garante Lindsey. “Acreditamos que a pessoa, ao ser ela mesma, e estando confortável com o que veste, terá alta performance”, conclui.

 

Atitude é tudo!


Além das roupas, o comportamento é crucial para a construção da imagem pessoal. Confira condutas para adotar ou evitar:

» Trabalhe a proatividade: trabalhadores proativos agregam mais à empresa e não passam despercebidos.

» Não seja uma pessoa explosiva: saber controlar a emoção e manter a calma em adversidades é essencial.

»  Bom humor: ninguém precisa ser duro ou rígido para ser um bom funcionário, basta não aderir a excessos. Humor, alegria e vitalidade são características que não precisam ser excluídas.

» Não tenha medo de perguntar: busque se informar, saiba lidar com as pessoas e peça feedbacks para melhorar.

» Compartilhe os valores da empresa: trabalhe para ajudar a instituição na missão dela.

» Tenha atitude: demonstre iniciativa, seja organizado e se empenhe profissionalmente.

» Saiba separar a vida pessoal da profissional: se é amigo do chefe, lembre-se de que, dentro da empresa, ele é seu superior. Isso não significa deixar de conversar ou almoçar juntos.

» Dê feedbacks corretamente: sem broncas ou exigências. Caso precise avaliar um funcionário, faça em privado e se atenha a assuntos e acontecimentos atuais.

» Educação é primordial: respeitar e cumprimentar os colegas são atitudes simples que fazem a diferença.

» Tenha cuidado com as redes sociais: durante o expediente, acessar esses sites implica deixar de fazer atividades do serviço, a não ser que sites de relacionamento sejam sua ferramenta de trabalho.

Fonte: Mari Lannes, coach, dona da Lannes Coaching & Treinamentos

 

 

 

* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa