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Princípios da liderança de imperador chinês viram livro

Princípios milenares para ter sucesso numa posição de comando continuam atuais, entre eles os ensinamentos do imperador chinês Tang Taizong, do século 7, que foram compilados num livro. Segundo especialistas, buscar inspiração em líderes de sucesso, do passado e do presente, é positivo. Confira dicas para se aprimorar

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postado em 02/07/2017 14:36 / atualizado em 02/07/2017 14:51

Arquivo Pessoal

Exercer a liderança não é tarefa fácil. Para quem está dando os primeiros passos ou precisa aperfeiçoar a própria postura como cabeça de uma equipe, é válido aprender com célebres autoridades do passado. Apesar de, no mundo ocidental, não ser tão conhecido quanto Napoleão, da França; Gengis Khan, da Mongólia; ou Augusto, do Império Romano; Tang Taizong é considerado um dos maiores líderes da história. A dinastia Tang (618-907), vista como a época de ouro da China, foi uma das mais longas e bem-sucedidas, em grande parte, por causa dos esforços desse imperador. Os valiosos ensinamentos dessa figura histórica foram compilados no livro O guia do líder, que traduz e contextualiza com os dias de hoje sabedoria e estratégias milenares. “O reinado desse imperador foi marcado por um grande número de realizações inteligentes, inovadoras e ousadas, estabelecendo um alto padrão para todos os líderes que viriam depois”, explica o autor da obra, Chinghua Tang, na introdução.



Economista graduado pela London School of Economics e o primeiro chinês a concluir um MBA na Universidade de Harvard, ele baseou o texto em conversas travadas entre o imperador do século 7 e ministros do reino. Cada trecho traz princípios que “resistiram ao tempo” para pessoas em posições de autoridade, sejam governantes públicos, empresários, chefes, sacerdotes, professores e até pais. Entre os pré-requisitos de um bom líder, ele lista gentileza, modéstia apropriada, boa comunicação, postura, autopercepção, humildade, tolerância e justiça. Saber ouvir, delegar, trabalhar em equipe, escolher os melhores membros para o time e identificar pontos fracos e fortes dos subordinados para ajudá-los a se desenvolverem são algumas das atitudes-chave no comando. A jornada de um líder, como percebeu o imperador Tang, é permeada de armadilhas que permanecem atuais — entre elas, se cercar de funcionários bajuladores que impedem que o chefe enxergue os próprios erros.

De acordo com a coach de carreira Andrea Brilhante, espelhar-se em pessoas que obtiveram sucesso em posições de comando, como Tang Taizong, é uma forma muito eficiente de conseguir bons resultados. “Usar metamodelos (metodologia que se baseia em referências e, a partir disso, fazer perguntas a si mesmo) é importante para tudo na vida, mas você tem que desenvolver um sistema próprio”, pondera.   

Para ela, a forma mais prática de se tornar um bom líder começa pelo autoconhecimento. “É preciso saber quais são seus pontos fortes e os aspectos que precisa desenvolver para conseguir liderar”, diz Andrea, que é administradora com MBA em marketing e em gestão de pessoas com ênfase em liderança organizacional. Ela defende que não existe receita pronta para se tornar um bom gestor, afinal cada contexto requer um perfil específico. No entanto, Andrea acredita que todo líder deve ser facilitador e apoiador, ou seja, estar sempre ao lado dos subordinados, ajudando-os no que necessitam. Mesmo assim, o apoio não precisa ser idêntico para todos, pois faz-se necessário adaptar-se a cada colaborador a fim de extrair os melhores resultados de cada um.

Diferenças de personalidade, idade, formação, valores afetam o processo. “Não dá para tratar diferentes como iguais. E justamente entender o perfil dos membros da equipe é uma das maiores dificuldades dos líderes.” Um desafio listado pela psicóloga Ana Cristina Rosa Garcia, gerente executiva de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil, é inspirar e motivar o time. “A liderança muda de acordo com o andar da humanidade, mas o desafio geral é obter os melhores resultados da forma mais eficiente, com os colaboradores engajados, instalando na equipe um propósito”, diz. Pós-graduada em gestão de pessoas, ela acredita que quase todo perfil de liderança pode ter sucesso hoje. “São necessários líderes diferentes para situações diferentes. Só não tem mais espaço para chefes autoritários e que não sabem ouvir: a flexibilidade é cada vez mais importante”, afirma. Andrea Brilhante alerta que nem todos podem assumir a frente de uma equipe e que é um grave erro colocar gente despreparada em posições de autoridade. “As pessoas são promovidas para cargos de liderança porque são boas executoras, mas isso não as torna boas gestores”, observa.

Técnica

Teatro inspirador

“Capacidade de sonhar, bom humor, confiança, não julgar, saber ouvir são atributos e valores essenciais para a liderança que temos dentro de nós mesmos, às vezes, eles estão só adormecidos”, explica a administradora Cleuza Brandão, especialista em gestão por competência pela Universidade de São Paulo (USP). Existem muitos caminhos para ativar essas habilidades, inclusive meios lúdicos. Cleuza aposta nas artes cênicas para isso. Ela coordena o Teatro Amarração, que usa a dramaturgia dentro das empresas como forma de desenvolver a liderança em executivos. A iniciativa começou há 11 anos. “O líder tem que saber lidar com pessoas e conquistar a confiança da equipe. Para isso, podem ser usadas diversas ferramentas, como o teatro”, diz.

 

Planeta Estratégia/Reprodução
Leia!
O guia do líder — A sabedoria e as estratégias de sucesso do maior imperador da China
Autor: Chinghua Tang
Editora: Planeta Estratégica
170 páginas
R$ 39,90

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aprenda com quem chegou lá

 

Lanna Silveira
 

 

Confira experiências de pessoas à frente de equipes com o desenvolvimento das habilidades de direção

 

O segredo é inspirar

A bioquímica Alessandra Barbosa, 42 anos, gerente-adjunta de exames automatizados do Laboratório Sabin, é conhecida por inspirar os subordinados. No posto há pouco mais de um ano, ela comanda 60 funcionários de quatro coordenadorias diferentes. A trajetória dela na empresa começou há seis anos e foi marcada por uma série de ascensões: em 2013, Alessandra assumiu a chefia da coordenadoria técnica da empresa e logo foi promovida a gerente. A profissional reconhece a importância de competências técnicas e comportamentais num cargo de chefia, mas está convencida de que o amor vale mais.


“O mais importante é que sou apaixonada pelo que eu faço, por isso sou honesta, simples, e humilde. O líder deve passar confiança, honestidade e ter capacidade de inspirar”, acredita. Para Alessandra, o maior desafio de autoridades é lidar com as diferentes características das pessoas. “É preciso ter a capacidade de liderar e obter resultados conciliando tudo isso”, diz. “Mas, acima de tudo, o líder tem que ser humano porque, se não, a gente se torna só chefe.” Luciana Almeida, 28, coordenadora técnica do Sabin, considera Alessandra um exemplo a ser seguido. “Ela é extremamente inspiradora, é o que a diferencia. Sabe detectar os perfis e o campo de cada pessoa e consegue que todo mundo faça o trabalho da melhor forma possível”, explica.

 

Aprimoramento constante

 

Lanna Silveira

“Saber lidar com grandes mudanças, conhecer bem o time e reconhecer os talentos e as características individuais de cada um são alguns dos desafios do líder”, elenca o economista Márvio Melo Freitas, 39, diretor da Controladoria do Banco do Brasil e presidente do Conselho de Administração da BB Tecnologia e Serviços. Para chegar a esse cargo, percorreu uma longa estrada: foram 17 anos trabalhando no banco, entre funções gerenciais e técnicas. “Foi uma construção diária, mas eu não imaginava que chegaria aonde eu cheguei”, diz ele, que fez MBA em controladoria na USP. Para se tornar um bom gestor, Márvio se inspirou em pessoas mais experientes. “Foi muito importante buscar apoio nos chefes que eu tinha, verdadeiros líderes que me ensinaram muito”, conta. Logicamente, todos têm defeitos e qualidades, o segredo está em extrair o melhor de cada um. “É preciso identificar as atitudes positivas e se espelhar.” Outro passo foi investir nos estudos, em cursos sobre sistema financeiro, mercado global, governança corporativa, entre outros assuntos: afinal, um gestor precisa ter muito conhecimento sobre a área em que atua. “A formação acadêmica é essencial, por isso busquei aprimoramento e especialização na área, além de sempre aliar a experiência acadêmica à vivência do dia a dia”, explica.

 

O desafio de engajar

 

Lanna Silveira

Tatiana Duarte, 42 anos, se preparou muito para chegar ao cargo de assessora de Recursos Humanos dos shoppings Brasília, Taguatinga, Terraço, Iguatemi e JK. Administradora, pós-graduada em recursos humanos, atualmente, faz cursos de coaching e um MBA em gestão de empresas para se aprimorar e atender as necessidades do cargo. “Para o desenvolvimento da liderança, é necessário estudo contínuo, buscar qualificação e muita leitura porque tudo muda muito rápido, há novas tendências e novas tecnologias”, relata. A gestora também diz ter sido importante ter superiores em quem se inspirar. “A minha antiga chefe, por exemplo, era uma grande mulher e profissional. Admiro muito o olhar diferenciado que ela tem com relação às pessoas e a preocupação com o bem-estar sem esquecer as entregas. Além disso, aprendi com ela sobre humildade, simplicidade e comprometimento”, disse. 

 

 

 

 

 

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa