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Empreendedorismo deve ser ensinado desde a infância

Essa é uma das conclusões do Conhecer Seminário Internacional de Educação Empreendedora, promovido em Belo Horizonte pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Estimular a descoberta e o desenvolvimento de talentos e competências é um dos passos para ensinar o empreendedorismo na escola

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postado em 16/07/2017 16:07 / atualizado em 16/07/2017 16:15

O empreendedorismo não é um talento nato: a capacidade de abrir e conseguir sucesso num negócio pode ser aprendida em todos os níveis de ensino e deve ser incentivada desde a infância. Essa é uma das conclusões do Conhecer — Seminário Internacional de Educação Empreendedora, ocorrido em 4 de julho em Belo Horizonte, com organização do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Segundo Heloisa Meneses, diretora técnica do Sebrae Nacional, talentos e aptidões individuais precisam ser trabalhados no ambiente escolar. O problema é que existe uma homogeneização nos sistemas de ensino e no formato de relacionamento entre alunos, professores e diretores. Isso faz com que todos os estudantes sejam tratados da mesma forma, o que dificulta a identificação de habilidades.


“Quando crianças e jovens conseguem ter experiências que ajudam a identificar e incentivam as atribuições em que eles são bons, que se descobre o sucesso nessas pessoas”, avalia a economista e mestre em desenvolvimento agrícola. “Nem todos serão bons em matemática ou física, mas se alguém tem talento em artes, isso precisa ser estimulado. Em nosso sistema, não só o educacional, mas em todos os momentos da vida, temos a cultura da punição e da não valorização do que somos de fato”, acrescenta. Por exemplo, ao tirar 10 pontos numa prova de português e 2, numa de física, o mais provável é que o estudante seja julgado pelo péssimo desempenho na matéria de exatas em vez de elogiado pela nota boa em linguagens.

A diretora acredita que, a partir do momento em que os jovens têm contato com experiências inovadoras, se tornam agentes de transformação onde quer que estejam. “Ao aprender conceitos e habilidades — como persistência, que envolve acreditar em um sonho e correr atrás dele —, as pessoas se diferenciam umas das outras. Trabalhar o empreendedorismo com crianças no ensino fundamental quer dizer desenvolver competências e atitudes”, analisa. “Desse modo, os jovens podem empreender em casa, sendo um funcionário público, empregado numa empresa privada ou de fato abrindo o próprio negócio”, acredita. “Nós não vamos ensinar como abrir uma empresa para quem tem 7 anos, mas vamos dar dicas e elementos para que estudantes dessa faixa etária melhorem a autoestima, se tornem atores de transformação da própria vida que, depois, vão influenciar a família e, por fim, a comunidade”, conclui.

 

Empreendedorismo em projetos 

 

Lá da Favelinha

 

Helano Stuckert
 

“O empreendedorismo torna você protagonista daquilo que você gosta e é capaz”, acredita Kdu dos Anjos, 26, morador do Aglomerado da Serra, a maior favela de Belo Horizonte (MG). Ele é rapper desde os 14 anos e sentia vontade de ajudar as pessoas da comunidade. Em 2014, fundou o Lá da Favelinha, que inicialmente funcionava como biblioteca e escola de rap, mas, em janeiro de 2015, virou um centro cultural. O projeto conta com 16 professores voluntários divididos entre educação e arte.

Atualmente, os jovens beneficiados participam de oficinas de teatro, dança, inglês, espanhol, rap, acro ioga, culinária, artesanato, capoeira, jiu-jitsu, comunicação, violão e percussão. Além disso, eles têm a chance de conferir apresentações culturais. “Ver o aluno levando ingresso de teatro e dança para uma família sem renda fixa para conferir algo de que eles gostam é saudável, não tem preço”, enfatiza Kdu. Hoje, o Lá da Favelinha atende, gratuitamente, em média 400 jovens por mês. O sustento vem de financiamento coletivo por meio da plataforma evoecultural.com/ladafavelinha. O esforço vale a pena, na opinião de Kdu.

 

Casa do Presente

 

Paulo Márcio

Despertar a capacidade criativa e conhecer os potenciais de adolescentes. Esse é o grande objetivo da Casa do Presente, escola experimental criada há um ano em São Paulo que atende 60 estudantes. Fugindo do modelo tradicional de sala de aula, as atividades não são feitas num local fixo. A argentina Maria Lujan Tubio, 36 anos, é a idealizadora do projeto e tem um currículo extenso: é graduada em literatura comparada pela American University of Paris, doutora em licenciatura comparada pela Penn State University na Pensilvânia e pós-doutora em comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Ela conta que as vivências — como prefere chamar as aulas — abordam temáticas escolhidas pelos jovens. “Nós quebramos a cabeça para ser criativos e escolher lugares transformadores para cada atividade”, explica.

Foi por meio de uma maratona on-line que Maria definiu o formato da unidade: ela se baseou no ideal de escola dos sonhos de 40 jovens. O empreendedorismo foi um dos pontos pelos quais os alunos manifestaram interesse. “Além de 25 professores, nós procuramos profissionais que tenham contato com o mundo real, que vivem isso no dia a dia para falar aos alunos”, observa Maria.
 

 

 

* A estagiária, sob supervisão de Ana Paula Lisboa, viajou a convite do Sebrae

Leia, na próxima edição, entrevista com Juliano Seabra, diretor da entidade de fomento ao empreendedorismo Endeavor