PERFIS DE SUCESSO - MARIA ABADIA CHAVES BARBERATO E MARCELINO BARBERATO »

Casal gerencia sítio com plantações de orgânicos, cursos e salão de eventos

Propriedade em Taguatinga oferece diversas atividades à comunidade e tem atraído cada vez mais o público. Conheça a receita de sucesso dos empreendedores

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postado em 13/08/2017 16:14

 

No meio da cidade, um refúgio da natureza. “É um oásis, todo verde. A temperatura chega a ser de 3°C a 5°C abaixo do registrado em volta”, afirma o engenheiro civil Marcelino Barberato. Ele e a esposa, a odontopediatra Maria Abadia Chaves Barberato, ambos de 59 anos, são os proprietários e responsáveis pela grande gama de atividades do Sítio Geranium (www.sitiogeranium.com.br), no Núcleo Rural de Taguatinga, na via de ligação entre essa cidade e Samambaia. São 13,6 hectares dedicados à preservação e à educação socioambiental (por meio de visitas de turmas escolares e grupos, além de cursos sobre agricultura urbana, agroecologia, agrofloresta, abelhas nativas etc.), à produção de alimentos orgânicos e agroecológicos e à promoção de eventos (há um espaço para festas, como casamentos).


Com tanta beleza, a área atrai a comunidade ainda para a feira de venda de frutas e verduras orgânicas, o viveiro (focado em ervas medicinais e árvores ornamentais) e aulas de diversos temas, como ioga (ministradas por Abadia), bordado e pathwork. No entanto, o público não pode frequentar o local livremente: as visitas são agendadas e pagas. Afinal, aquele não é apenas ambiente de trabalho: é lá que a dentista e o engenheiro civil vivem. A chácara começou apenas como propriedade privada dos dois, em 1986. “Compramos o sítio por causa de uma tragédia. Nosso filho se intoxicou com agrotóxico e morreu. Morávamos na Octogonal e queríamos um lugar novo para viver, não conseguiríamos mais morar em apartamento”, rememora Abadia. Na época, o filho do casal tinha um ano e meio.

 

Marcelo Ferreira

 

Foi no Sítio Geranium que o casal criou os filhos que vieram depois, a assistente social e farmacêutica Luana e o engenheiro civil Thauame, que, hoje, ajudam na gestão dos trabalhos da propriedade. Abadia continua trabalhando como dentista, num consultório próprio em Taguatinga; e Marcelo fica a maior parte do tempo dedicado exclusivamente à propriedade rural, mas atua como autônomo em projetos. Para dar conta das atividades e do crescimento da demanda, os dois estão num processo de redução: o marido pediu demissão e a esposa quer se aposentar. “Hoje atendo em consultório só uma vez por semana”, conta.

 

Autossuficiência

 

Marcelo Ferreira
 

 

Eles não se preocupam em parar de ter renda de fora do sítio. “Como nosso custo é alto, reinvestimos a maior parte do dinheiro no sítio, mas não ficamos no prejuízo”, garante Abadia. “Uma das coisas que mais me agradam é saber que, morando aqui, vou ter trabalho para sempre e estarei contribuindo para o universo”, comenta Marcelino. O negócio é uma microempresa. O Sítio Geranium conta com equipe de 20 pessoas: 12 trabalham na horta e o restante em serviços gerais e escritório. “Tem 15 anos que temos equipe de agricultores trabalhando aqui. O crescimento foi devagar, há oito anos está mais forte e tem bombado mesmo há três”, relata Abadia. Tanto ela quanto Marcelino gostam mesmo é de botar a mão na terra. “A minha atividade preferida é quando tenho tempo de plantar”, diz a dentista. “Eu gosto mesmo é de sistemas agroflorestais e agricultura orgânica”, acrescenta o engenheiro.


Marcelo Ferreira

 

“O que fez o Sítio Geranium dar certo por todo esse tempo foram amor e dedicação. É um trabalho holístico, agrega todas as áreas: permacultura, agroecologia, sistemas orgânicos e agroflorestais; tem entretenimento, tem o trabalho pedagógico...”, reflete Marcelino. No ano passado, o espaço recebeu visita de 6.500 crianças de turmas escolares; este ano, foram 3.500 até agora. Abadia cita ainda outros ingredientes do sucesso: o apelo ecológico e a beleza do espaço. “As pessoas vêm do Plano Piloto comprar verdura orgânica aqui, pela qualidade e também porque é um lugar agradável. Valorizam nossa responsabilidade social”, cita. Nesse aspecto, o casal fundou a ONG Mão na Terra, para viabilizar oficinas e outras atividades em escolas.

 

Marcelo Ferreira

 

A feira de orgânicos do sítio (com alface, rúcula, abobrinha, pepino, salsinha, cebolinha, couve, brócolis, couve-flor e outras variedades de produtos) é bastante procurada e recebe clientes às terças e sextas-feiras, às 9h. Nos outros dias, as verduras são oferecidas em outros pontos: 315 Norte, Sobradinho, Lago Norte, Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal), Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) e Ceasa (Centrais de Abastecimento do Distrito Federal), às quartas-feiras e sábados, das 6h às 12h; na 309 Sul e na 303 Norte, aos sábados, das 6h às 12h. O espaço de festas do sítio, com capacidade para até 400 pessoas, é disputado e tem se tornado o carro-chefe. “Os eventos dão maior retorno financeiro e é preciso muito cuidado ao mexer com isso, pois você trabalha com o sonho das pessoas. Já estamos abrindo a agenda de reservas de 2019”, comemora Abadia.