ENTREVISTA CARLOS WIZARD »

Carlos Wizard, fundador das escolas de inglês, dá entrevista sobre negócios

O curitibano foi o pioneiro em empreender no ensino de idiomas no Brasil a partir da abertura de uma escola na casa dele que, mais tarde, foi vendida por R$ 2 bilhões. Hoje, trinta anos depois, ele é dono de um império de empresas nos ramos de educação, esportes, produtos naturais, calçados, alimentação e cosméticos

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postado em 13/08/2017 16:18

Arquivo Pessoal

 

Em 1987, um rapaz de origem humilde, o mais velho de sete irmãos, filhos de um caminhoneiro autônomo e de uma costureira, abriu uma escola de inglês que se tornaria uma das redes líderes no ensino de idiomas no Brasil, a Wizard. Carlos Roberto Martins, 60 anos, até adotou a marca como sobrenome e se tornou Carlos Wizard. O cientista da computação e estatístico pela Universidade Brigham Young, em Utah (EUA), por meio da ajuda financeira da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, encontrou no aprendizado de línguas estrangeiras o trampolim para o empreendedorismo.


Depois de se formar, em 1986, voltou ao Brasil. Para complementar a renda, começou a dar aulas de inglês, o que acabou se tornando mais lucrativo que o emprego. De lá para cá, a rede cresceu e o empresário diversificou os ramos de atuação e adquiriu outras oito redes de ensino  e, assim, formou o Grupo Multi Educação que, em 2013, foi vendido por R$ 2 bilhões para a editora britânica Pearson. Em maio daquele ano, Carlos passou a ser dono de 35% da rede de escolas de idiomas Wise Up.


Editora Buzz
Hoje, pai de seis filhos e avô de 16 netos, ele comanda outro império: a rede de produtos naturais Mundo Verde, a BR Sports (marcas Topper e Rainha, da Alpargatas), o fast-food de comida mexicana Taco Bell e a Ronaldo Academy (em parceria com o ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno). Este ano, com as filhas Thais e Priscila Martins, anunciou uma nova empresa de cosméticos de venda direta: a Aloha Oils. Com base em tanta experiência, Carlos Wizard escreveu o livro Do Zero ao milhão.

 

Por que você se interessou por idiomas?
Minha professora gostava de trazer músicas para as aulas e eu achava as canções estrangeiras incríveis. Meu pai me deu um gravador de fita cassete e desenvolvi o hábito de gravar canções, ouvir, e tentar escrever as letras. Mas o momento mais importante foi quando eu tinha 12 anos e a vontade de aprender mais da língua inglesa aumentou. Meus pais não tinham condições de me inscrever em uma escola particular, mas conheceram missionários mórmons que começaram a me dar aulas particulares gratuitas. Eles incentivaram em mim o sonho de me graduar no exterior.

Por que se interessou em se graduar em ciência da computação e estatística nos Estados Unidos?
Eu não sabia qual curso queria fazer, mas, na época, as áreas de tecnologia estavam em ascensão e davam a garantia de emprego. A bolsa da igreja me ajudou muito, mas foi um período de orçamento muito limitado — éramos minha esposa, meus gêmeos pequeninos e eu. Quando me formei, consegui um  emprego, em Ohio, no qual fiquei um ano e depois fui transferido para o Brasil.

Qual a importância de escolas particulares de inglês?

Lamentavelmente o ensino público no Brasil é muito fraco e não fornece ao aluno bom conhecimento de línguas. Isso faz com que seja necessário uma escola particular para suprir. No Brasil, apenas de 2% a 3% da população fala inglês fluentemente. Quando decidi voltar ao país, foi para suprir essa necessidade.

Você contou com apoio da família?
Vou ser sempre grato a minha esposa, Vânia Pimentel. Ela sempre esteve do meu lado, dava aulas, cuidava das responsabilidades da escola e dos filhos.

Por que você decidiu adotar Wizard como sobrenome?
Foi um momento de inspiração, mas, hoje, digo que foi de loucura. A empresa tinha apenas um ano e uma franqueada falou: “você tem que adotar a marca como sobrenome”. Ela deu exemplos de donos de duas redes que fizeram isso. Não concordei. Cedi quando ela lançou um ultimato: “se você não adotar o nome, eu vou”. Então adotei.


Como surgiu a vontade de abrir outros negócios?
Costumo dizer que eu sonhei a Wizard e meus filhos sonharam o grupo Multi Educação. Meus filhos mais velhos estudaram nos Estados Unidos e retornaram com uma visão maior de negócio. Resisti, mas eles me convenceram com a seguinte ideia: se você não comprar a concorrência, um estrangeiro chegará ao Brasil e o fará, nos deixando para trás.

Por que você decidiu vender a Wizard e o grupo Multi?
Na verdade, eu não decidi vender a empresa. Foram os britânicos que resolveram comprar meu negócio (risos). Eu tenho a satisfação de dizer que criei a maior rede de ensino de idiomas do planeta. A Pearson fez uma proposta irrecusável. É claro que não é fácil para o fundador se desfazer de algo, mas, no mundo dos negócios, precisamos agir com a razão e não com a emoção.

Quais são as qualidades de um empreendedor de sucesso?
São várias. Primeiro, tem que se identificar com a atividade. Segundo, precisa ter uma equipe que dividirá as tarefas com ele. Terceiro, pense em um negócio cuja ideia seja viável para o Brasil inteiro. Em quarto lugar, é necessário focar no cliente, não adianta criar algo com o que o consumidor não se satisfaça. O quinto aspecto é ter controle da parte econômica. Também continue investindo em si mesmo, fazendo treinamentos e cursos.

Que mensagem você pode deixar para jovens no início da carreira?
O que falta para o jovem é conectar talento e ideias com as necessidades do mercado. É preciso propor uma solução para uma necessidade do mercado.

Como foi escrever seu livro?
Sucesso só é sucesso de verdade quando é compartilhado. Minha intenção foi escrever, de forma didática, as minhas experiências e mostro que, se eu consegui, outras pessoas também podem fazer da mesma forma. Se o livro ajudar a inspirar empreendedores, terei cumprido minha missão.

 

 

 

*Estagiária sob a supervisão de Ana Paula Lisboa