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Ivaldo Cavalcante movimenta a cena cultural de Taguatinga com galeria e bar

Espaço ainda congrega biblioteca, sinuca, cineclube e sebo de vinil. Fotógrafo profissional está satisfeito com os resultados do projeto, que começou em 2002

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postado em 27/08/2017 14:35 / atualizado em 28/08/2017 19:35

Antonio Cunha/CB/D.A. Press

 

Figura conhecida em Taguatinga, Ivaldo Cavalcante, 61 anos, implementou uma verdadeira transformação cultural na Praça da CNF, onde fica situada a Galeria Olho de Águia. De propriedade dele, o espaço de 200m² congrega bar, sinuca, biblioteca com 4 mil itens, sebo de vinil e, o mais importante, é voltado para a arte: as paredes e cada cantinho do lugar são cheios de quadros, fotografias, esculturas e instalações. “Ao longo dos anos, o espaço ganhou fama. Sempre foi prazeroso e, agora, que me dedico só a isso, gosto ainda mais da Galeria Olho de Águia. É um espaço cultural bem consolidado”, afirma. “Apesar da crise, a gente consegue mobilizar o público porque a galeria é diferente, sempre há coisas interessantes para ver. Sempre invento algo novo: há dois meses lancei o sebo de vinil e pretendo colocar uma lojinha de tatuagem lá dentro”, conta.


Em geral, o local recebe 150 pessoas por semana. O público é variado e engloba de adolescentes a idosos. “O clima é familiar”, esclarece. A maior parte dos frequentadores, inclusive, é conhecida de Ivaldo, que cresceu em Taguatinga. Ele tem o costume de fotografar a freguesia para postar no Facebook, hábito que tem boa repercussão na internet. “A página tem 4 mil acessos por semana.” A trilha sonora do local, que é escolhida pelo público, é sempre rock’n roll. Questionado sobre o motivo de o negócio ter dado certo até hoje, Ivaldo tem algumas hipóteses. “Minha rede de contatos ajudou. Além disso, Taguatinga tinha uma cena cultural de noite, a que eu dei continuidade”, explica. Um ponto positivo é que os visitantes vêm não só dessa cidade, mas de Plano Piloto, Lagos Sul e Norte.

 

Antonio Cunha/CB/D.A. Press

Artes
Há um calendário para expor o trabalho de pessoas da comunidade, por meio do projeto Artista do Bairro — em geral, são duas exposições por mês. “A gente cede o espaço. Em caso de venda de alguma obra, retemos 15%. Taguatinga ainda não tem um mercado forte de compra de arte, então varia bastante. Há mostras em que vendemos todas as peças, em outras, nenhuma”, explica. O próprio empresário tem um veio artístico: fotógrafo profissional, ele trabalhou em diversos veículos de comunicação, incluindo o Correio Braziliense, de 1991 a 1997. Entre as honrarias que conquistou pelo olhar sensível que transmite pela câmera estão Prêmio Internacional Rei da Espanha (1994), Concurso Internacional de Fotografia Humanitária Luís Valtuenã (1998 e 1999), Aqueduct (2000 e 2002) e Concurso Internacional “Photo for Peace – Photo For Tolerance” (2009).

 

“No total, ganhei mais de 30 prêmios internacionais”, diz ele, autor dos livros Taguatinga: duas décadas de cultura  e Brasília — 25 anos de fotojornalismo. Ivaldo tem fotos expostas em museus da Espanha e da Argentina. Natural de Crateús (CE), ele se mudou para o DF aos 4 anos e é conhecido, entre os amigos, como Kabeça. O negócio se encaixa na categoria microempreendedor individual (MEI) e não tem viés unicamente comercial: Ivaldo se preocupa com a formação do público. A galeria é, inclusive, parceira do projeto Jovem de Expressão. “Os adolescentes vão lá, batem papo, aprendem sobre fotografia, mostro os livros”, relata. Os filhos Morisson Rodrigues Cavalcante, professor de geografia, e Brizza Rodrigues Cavalcante, fotógrafa, o ajudam no negócio quando necessário.

Início
A Galeria Olho de Águia abriu as portas pela primeira vez em 2002. “Na época, eu trabalhava em jornal. Foram quatro anos funcionando só aos sábados. Estava complicado e dei um tempo”, lembra. “Aos poucos, voltamos, construímos o cineclube, o bar Faixa de Gaza, a biblioteca Gervázio Baptista, o cineclube...” Em 2012, ele retomou o espaço cultural e passou a abrir diariamente. Na época, Ivaldo conseguiu apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC) para o projeto Imagem sem Fronteiras, que leva ao público o trabalho de fotógrafos de renome mundial. Em 2016, ele conseguiu aporte do FAC novamente.


A rotina de Ivaldo é composta por comprar bebidas e comida para servir no bar — bolinho de bacalhau, quibe e batatinha são populares entre a clientela — e orquestrar a programação cultural. Apesar de não trabalhar mais em jornal, Ivaldo não para quieto e continua a fazer fotos e documentários, financiados com o dinheiro que ganha na empresa.

 

Saiba mais

www.facebook.com/GaleriaOlhodeAguia
www.instagram.com/galeriaolhodeaguiaoficial
Funcionamento: de terça a sexta, das 15h à 1h; e sábados, a partir das 17h30.