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Quer saber o que separa os profissionais que são bem-sucedidos dos demais?

Especialistas elencam uma série de fundamentos, entre eles, as capacidades de traçar metas, trabalhar duro, superar desafios, manter o foco e tolerar cenários de incerteza

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postado em 17/09/2017 10:58 / atualizado em 19/09/2017 21:16

 

 

Ao ter conhecimento de histórias de profissionais de inegável sucesso, não é de se estranhar que a seguinte pergunta ronde a cabeça dos trabalhadores comuns: como eles conseguiram chegar lá? Luiz Fernando Garcia, autor do best-seller Pessoas de resultado, tem uma teoria: indivíduos que se destacam dos demais no mundo laboral têm atributos em comum. Ele confirmou as suspeitas por meio de pesquisa com 1.200 empresários de São Paulo (dos quais 188 sobressaíram), utilizando a matriz de orientação ao resultado (fruto de pesquisa com mais de 300 teses de mestrado e doutorado de 32 países) a fim de mapear a personalidade deles. Entre os participantes acima da média, 93% tinham as seguintes qualidades: capacidade de visualização, superação de desafios, manutenção do foco, criação de mapas de percurso (preestabelecer tarefas e metas e executá-las em prazos determinados), expectância e drive (traçar estratégias e, quando necessário, agir rapidamente para mudá-las), tolerância à incerteza e autorreforço para a autoestima.


Márcio Scanove
São essas as sete características que ele aborda em detalhes no livro, lançado em 2003 e relançado recentemente com adição de capítulos sobre as diferenças entre as gerações, o protocolo de resiliência (impacto do estresse no trabalho) e o Teste de Apercepção Temático (TAT), que revela se a personalidade de alguém é mais voltada para comandar, cuidar de pessoas ou realizar (caso de quem consegue materializar desejos com mais facilidade). A pergunta que fica no ar é: como dominar as habilidades necessárias para o sucesso? “Um cérebro pode ser treinado para ser mais voltado para resultados. Isso vai depender de algumas coisas: de como foi a criação de 0 a 7 anos, do ambiente onde o indivíduo se encontra, da conscientização dos pontos fortes e fracos e das técnicas específicas para lidar com cada um deles”, defende Luiz Fernando Garcia, psicólogo, administrador de empresas e especialista em marketing com certificado de notório saber em empreendedorismo pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo o autor, a tolerância à incerteza é crucial para quem quer ser uma pessoa de resultados. “Esse conceito significa saber lidar com a possibilidade de fracasso e com a dúvida, inerente a qualquer escolha na vida”, esclarece. A manutenção do foco também é um ponto que merece destaque. “As pessoas não têm dificuldade em ter objetivos, mas de mantê-los porque, a todo tempo, somos pressionados a nos desviar deles”, esclarece. Ainda sobre esse tópico, Garcia frisa a importância de saber dizer não para oportunidades que podem afastá-lo do propósito determinado anteriormente. Além da criação de mapas de percurso, expectância e drive, o psicólogo destaca a relevância da capacidade de visualização. “O cérebro não consegue funcionar se não idealizarmos aonde queremos chegar”, elucida. A dica que o autor dá é sempre traçar uma meta atingível, construída também de acordo com as exigências do mundo e não somente para atender uma ambição individual.


“Quando as pessoas são protagonistas da própria história e são comprometidas com elas mesmas, são mais voltadas para resultados, pois são mais curiosas e corajosas”, analisa Andréa Medina, sócia da Sunrise, consultoria de treinamento e desenvolvimento humano. Segundo ela, no contexto atual, em que as empresas adotam modelos de gestão cada vez mais enxutos e horizontais, pessoas focadas são essenciais. Graduada em pedagogia e hotelaria e especialista em gestão empresarial, Andréa observa que os principais obstáculos rumo às metas estabelecidas são a mudança constante de foco e a falta de resistência a mudanças. “Hoje em dia, o que serve de manhã pode ter perdido a utilidade à noite”, diz, referindo-se à necessidade de ter adaptabilidade às novas dinâmicas de mercado. Não gostar do que se faz também é um obstáculo. Por isso, é importante que o trabalho esteja ligado aos propósitos pessoais do indivíduo, àquilo em que ele acredita.

 

 

Luciana Ferry
Foco e visualização

O contador e especialista em controladoria e auditoria Davi Fantino, 34 anos, abriu um escritório de contabilidade no ano passado e enfrentou muitos obstáculos. Ele se interessou pela atual área de atuação quando era assessor de unidade estratégica no setor de contabilidade no Banco do Brasil. Foco, persistência e capacidade de visualização foram algumas das habilidades usadas na jornada empreendedora. “Os seis primeiros meses foram complicados, não tive clientes. Com o tempo, minha empresa deu uma alavancada”, comemora. Com sede no Deck Norte, a Fantino Contabilidade tem seis colaboradores.


Para Raquel Albuquerque, 30, o empreendedorismo se tornou meta e também maneira de conseguir bons resultados na vida profissional e familiar. A arquiteta sofria com a alta carga de trabalho. Sem poder dar a atenção que desejava à filha, na época com dois anos, e ao marido, entrou em depressão. Após começar a fazer terapia, decidiu abrir, no ano passado, o próprio escritório, a Albuquerque Construção, retomando um sonho antigo.


“Foi uma decisão muito difícil, pois eu fornecia a renda principal da casa, mas cheguei a um ponto em que ou eu saía da empresa ou ela acabava comigo”, desabafa. O negócio tem sede no Setor Hoteleiro Norte. A arquiteta fugiu dos diversos conselhos que ouviu para mudar de emprego ou prestar concurso público e precisou fazer sacrifícios, mas não abriu mão do objetivo traçado. “Matamos um leão por dia para manter o negócio de pé. Agora que estamos tendo lucro, olhamos para trás e vemos que tudo valeu à pena”, conta.

 

Perfis de destaque

 

Conheça histórias de pessoas que fizeram a diferença e se destacaram com bons resultados em suas áreas de atuação

 

Carlos Vieira/Esp. CB/D.A Press
De menino do aeroporto a delegado

Ismael Batista, 35, é delegado do 27º Batalhão da Polícia Civil do DF (PC-DF), no Recanto das Emas. Ele cresceu em Samambaia e ajudava a cuidar dos três irmaãos menores até que tomou uma atitude inesperada: aos 9 anos, fugiu de casa. O delegado conta que não sofria abuso. “Se me perguntarem o motivo da fuga, até hoje não consigo responder. Foi algo que apenas deu na minha cabeça”, lembra. O destino escolhido foi o aeroporto, lugar que o fascinava, pois sonhava em ser piloto de avião. Passou oito meses dormindo por lá. “Técnicamente, fui criança de rua.” Ele  fez amizade com a funcionária de uma empresa de aluguel de carros que se tornaria irmã adotiva dele. “Ela me levou para passar um fim de semana na casa dela.” Lá, foi acolhido pela mãe da moça. “Entretanto, ela impôs a condição de conseguir a autorização da minha mãe biológica.”


O reencontro foi turbulento.  Apanhou pelo sumiço de meses. “A princípio, a Baixinha (minha mãe biológica) foi relutante a me deixar ir morar com minha nova família. Porém, cedeu”, diz. “Minha mãe (adotiva) disse que, se eu fosse bem nos estudos aquele ano (1991), ela me colocaria num colégio particular”, recorda. Na nova escola, enfrentou o preconceito.“Já chorei por causa do racismo e isso não terminou: até hoje sou discriminado pela cor de pele”, afirma. Depois de tentativas frustradas de passar no vestibular da Universidade de Brasília (UnB), Ismael investiu em concursos. Foi aprovado no Banco Regional de Brasília (BRB), no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e no Supremo Tribunal Federal (STF), quando decidiu estudar direito numa faculdade particular. Depois da formatura, em 2013, correu atrás de ser delegado. “Foi uma bênção passar.” Hoje, é exemplo de superação e de adaptação. Além do foco e do esforço, ele frisa a importância da mãe adotiva: “Nada teria sido possível sem o amor dela”. 

 

Lição: não aceitar a realidade

A mineira Marina Faleiros, 54, tinha um futuro traçado desde pequena: ser empregada doméstica, como a maior parte das meninas da região. Contudo, não aceitou esse destino. “Estudar foi a rebeldia da minha vida porque vi que era a forma de conseguir um mínimo de decência”, conta. Na época, acreditava que frequentar a escola lhe permitiria trabalhar como vendedora ou professora. Ela nem imaginava que a dedicação a levaria ao cargo de juíza titular da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia. As barreiras não foram poucas. Aos 15 anos,virou empregada doméstica. Todo o sacrifício compensou quando Marina foi aprovada no vestibular da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Ou era a federal ou nada porque eu não podia pagar. E ainda tinha mais um ponto importante: o restaurante universitário, pois eu não tinha onde comer.”


Além da determinação e do foco, o apoio da família foi fundamental. “Meu pai era trabalhador braçal e minha mãe, dona de casa. Mas eles tinham uma preocupação muito grande com os filhos, queriam que eles estudassem para sair daquela situação. Minha mãe que me ensinou a ler.” Outro fator determinante foi nunca se intimidar, mesmo quando parecia que tudo conspirava contra ela. “Eu não queria decepcionar minha família, então desistir não era uma opção. Quando tive que sair de casa para estudar, várias pessoas fizeram comentários desagradáveis de que aquilo não daria certo. Eu precisava provar o contrário”, recorda. “Hoje, fico feliz quando sou contatada por pessoas que reconhecem meu trabalho. Gosto do que faço”, conclui.

 

Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press
Da caixa de engraxate aos milhões

Filho de uma dona de casa e de um trabalhador rural do sertão da Paraíba, Janguiê Diniz, 53, sempre soube aproveitar as oportunidades de ganhar dinheiro. “Aos 8 anos, montei meu primeiro empreendimento: uma caixa de engraxate”, lembra. Foi a primeira das várias atividades que exerceu. “Uns negócios deram certo, outros, não.O importante é que nunca desisti”, diz. A fim de continuar os estudos, mudou-se para a casa de um tio em Recife, onde cursou o ensino médio e entrou para a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Pessoas que mudaram de vida por meio da educação se tornaram meus espelhos”, conta.


“Em Recife, precisei estudar e trabalhar, mesmo assim, nunca perdi o foco”, observa ele, que também se graduou em letras e é mestre e doutor em direito. Manter-se firme atrás da meta de mudar de vida fez o ex-engraxate se tornar multimilionário: ele é a 83ª pessoa mais rica do país, segundo ranking da revista Forbes.  O espírito empreendedor e acreditar na educação foram a base para que, em 2003, ele criasse o grupo Ser Educacional, que oferece mais de 1.200 cursos.  “Era um sonho fundar uma instituição de ensino superior, já que eu era professor”, diz. Janguiê publicou 16 livros, entre eles uma autobiografia, e se tornou o presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes). Como conseguiu tudo isso? Para ele, a resposta é simples: “Traço meus objetivos e estudo todos os passos para conquistá-los”.

 

Leia

 

Pessoas de resultado — Descubra como você pode se destacar sempre e ser bem-sucedido em tudo que fizer
Autor:
Luiz Fernando Garcia
Editora: Gente
163 páginas
R$ 29,90

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cultura da excelência — As inspiradoras histórias da Fundação Estudar, que dissemina os valores do trio de empresários mais bem-sucedido do Brasil
Autor:
David Cohen
Editora: Primeira Pessoa
204 páginas
R$ 29,90* Estagiários sob supervisão e Ana Paula Lisboa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Perfis de destaque

 

 

Arquivo Pessoal
Acreditar que é possível

Quem esbarra com o servidor do Banco do Brasil em Recife Ubirajara Gomes da Silva, 37, não imagina que ele viveu na rua por 14 anos. O que o salvou foi a capacidade de visualizar uma saída: passar num certame público. “Conseguir emprego já é difícil, imagine para alguém sem experiência ou lugar para morar. Enxerguei nos concursos a salvação”, conta. Foram vários os desafios enfrentados, mas Ubirajara não pensou em desistir. “Nem meu pai nem minha mãe quiseram me
criar, então fui viver com a minha avó, mas ela me espancava. Com 14 anos, fui para a rua”, recorda. Em 2001, ele voltou a estudar e fez supletivo, com um atrativo de sobrevivência: “eu ia para a escola à noite por causa da merenda”.


Ubirajara acessava a internet em bibliotecas públicas. “Eu procurava todos os concursos que davam para fazer e estudei o máximo que consegui. Eu não tinha nenhuma apostila. Recebi ajuda de uma moça que trabalhava no banco do estado e pagou a minha inscrição.” Ele usava comprovantes de residência de amigos para poder se registrar. Das 150 questões da prova, Ubirajara acertou 116 e foi convocado para assumir o cargo de escriturário em 2008. Ele ainda sonha alto: quer assumir um cargo no Banco Central ou então se mudar para Brasília e trabalhar na área de investimentos ou de programação do banco. Para chegar lá, ele tem um elaborado planejamento. “Vou fazer uma faculdade na área de tecnologia da informação. Tempos atrás, consegui uma bolsa, mas tive que me afastar da formação. Agora, vou procurar outra”, idealiza.

 

Resiliência é o segredo 

Para Daniel José da Silva de Oliveira Filho, 29, estudar economia era um sonho distante, pois, de onde vinha, poucas pessoas chegavam ao ensino superior. “Somos 11 irmãos. Minha mãe era diarista e meu pai, de 94 anos, era copeiro”, conta, com orgulho, ao dizer que a mãe, de 79 anos, não precisa mais trabalhar e se prepara para estudar psicologia. Em meio às dificuldades, Daniel passou no vestibular do Insper. “É uma faculdade muito boa, mas muito cara. Consegui bolsa da Fundação Estudar e tinha só R$ 10 para passar cada dia — metade eu usava em passagens e o resto em alimentação; várias vezes, ficava o dia inteiro sem comer nada”, lembra. “Os desafios foram importantes porque percebi que conseguiria superá-los.”


Com o dinheiro de um trabalho de meio período numa fábrica de madeira, fez intercâmbio na Suíça. Depois de formado, começou a trabalhar no mercado financeiro até achar outro jeito de impactar o mundo: um trabalho voluntário na Jordânia com refugiados, o que o motivou a voltar a estudar. Ele conseguiu bolsa de mestrado em relações internacionais na Universidade Yale, nos EUA. Hoje, faz palestras e tem um canal no YouTube, em que discute como a educação muda vidas. “O importante é continuar persistindo, investir mesmo quando você acha que não vai dar certo. Também é importante procurar boas referências”, ensina.

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
Para fazer a diferença 

Luciana Almeida, 48, começou a trajetória profissional no conglomerado de empresas (de ramos como empreendimentos, hotelaria, corretora de seguros e administração de consórcios) Bancorbrás, como secretária, aos 19 anos. Hoje, ela é gerente executiva de Comunicação e Normas. “Meus pais, comerciantes, diziam que não queriam que eu trabalhasse cedo, mas não segui esse conselho: com 13 anos, tive meu primeiro emprego em uma loja de móveis”, conta. “Durante o ensino médio, fiz um curso de técnico bancário”, diz. Ao encerrar o ensino médio, foi trabalhar na gráfica de um jornal da capital e, pelo bom desempenho, foi convidada para trabalhar na Bancorbrás. A busca constante por conhecimento também abriu muitas portas.


“O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) foi meu grande parceiro, lá fiz uma variedade de cursos: cobrança e faturamento, recepcionista, auxiliar administrativo e mensageiro.” Durante os 28 anos na instituição financeira, houve momentos de dúvidas. “Tive medo de não corresponder às expectativas da empresa e fiz graduação em estudos sociais. Passei no concurso para ser professora da Secretaria de Educação e conciliei as duas atividades por um ano, mas pedi exoneração do serviço público e continuei aqui”, diz. Para Luciana, a parceria com o local de trabalho é uma via de mão dupla. “Meu primeiro objetivo era entrar na empresa e eu sabia que teria oportunidade de crescer junto. E também pude agir para que a instituição se estruturasse, aplicando todos os meus conhecimentos”, percebe. Entre as ideias dela colocadas em prática, existe o Centro de Memória da Bancorbrás (espécie de museu), criado em 2007. “É o maior legado que vou deixar.”

 

Mauro Pimentel
Fundamentos da vitória
No livro Cultura de excelência, o jornalista David Cohen detalha os princípios que norteiam a Fundação Estudar, instituição sem fins lucrativos voltada para educação e carreira. A instituição foi criada pelos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, respectivamente, o primeiro, o terceiro e o quarto homens mais ricos do Brasil segundo ranking da revista Forbes de 2017. Os três são acionistas da multinacional de bebidas AB Inbev (que engloba a Ambev) e do fundo de capital 3G. “A premissa da fundação é ajudar o país dando suporte às pessoas que querem progredir”, explica David Cohen. Para a confecção do livro, ele passou cerca de um ano entrevistando mais de 100 pessoas, entre bolsistas, conselheiros e outros profissionais envolvidos no trabalho da organização. Os seis fundamentos em que a organização se baseia para guiar profissionais à excelência são: ter metas ambiciosas, trabalhar duro, unir-se a gente boa, investir em conhecimento, assumir o papel de protagonista na própria história e almejar um impacto positivo na sociedade.


“Esses princípios empoderam o jovem brasileiro para fazer diferença na carreira, independentemente da área de atuação”, explica Tiago Mitraud, diretor-executivo da fundação. Segundo ele, esses fundamentos podem ser desenvolvidos por qualquer um, desde que haja o conhecimento do que se quer para a própria vida. A obra apresenta histórias de pessoas que seguiram à risca esses ensinamentos e, hoje, têm lugar de destaque no mercado de trabalho. Entre esses perfis de sucesso está Wellington Vitorino, 23. Filho de um padeiro e de uma técnica em saúde bucal, vendeu picolés quando criança. Foi aluno de rede pública e, no 3º ano do ensino médio, conseguiu bolsa de estudos na Escola Parque Gávea no Rio de Janeiro. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), teve bom desempenho e tirou nota máxima na redação. Como resultado, conseguiu bolsa pelo ProUni (Programa Universidade para Todos) para cursar administração no Ibmec. No segundo ano, passou a ser bolsista da Fundação Estudar.


Marcio Pisani
Isso permitiu arcar com custos adicionais dos estudos, como material didático e alimentação, e ter acesso ao apoio, à rede de contatos da organização e aos núcleos de estudos temáticos da instituição. “A Estudar dá o suporte necessário, mas é o envolvimento dos bolsistas que faz a diferença”, afirma ele, que se formou no ano passado. Hoje, Wellington está à frente do Instituto Four, responsável pelo programa ProLíder, que tem como objetivo formar lideranças entre pessoas de 18 a 35 anos e apoiar projetos impactantes. Um deles é o Grana Preta, negócio social que busca dar suporte para empreendedores negros, LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e mulheres. Outra iniciativa é o Garatea, rede que conecta voluntários capacitados para atendimento emergencial no setor público, principalmente na saúde. “Meu maior sonho é transformar a política brasileira por meio de projetos impactantes ou com um negócio”, afirma. “Ter metas ambiciosas é o fundamento mais importante; logo em seguida, vem trabalhar duro e encontrar gente boa, porque, daí, o resto é consequência.”


O brasiliense Gabriel Bayomi Tinoco Kalyaiye, 23, também tinha objetivos audaciosos e correu atrás. Engenheiro eletricista pela UnB, ele cursa mestrado em inteligência artificial na Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, com bolsa da Fundação Estudar. “Conheci alguns bolsistas da organização durante intercâmbio pelo Ciência sem Fronteiras na Universidade Cornell entre 2014 e 2015. Achei a ideia e o impacto dela fantásticos”, lembra. A partir daí, ele focou em conseguir entrar para a comunidade da Fundação Estudar. Não passou no primeiro processo seletivo de que participou, mas não desistiu.


Depois da tentativa frustrada, Gabriel estagiou na empresa de tecnologia Brightcove, em Boston, e na Kraft Heinz, no Brasil; publicou artigos em anais de conferências internacionais; e fez curso de inverno na Universidade Harvard, pago com o dinheiro que juntou no estágio. “Foi aí que eu me interessei por inteligência artificial e resolvi tentar mestrado em uma faculdade dos Estados Unidos. Em março deste ano, tinha sido aprovado em 14 instituições americanas de referência e decidi ir para a Carnegie Mellon”, lembra. No mesmo período, conseguiu uma bolsa da Fundação Estudar. “Fui para o processo seletivo muito mais bem preparado”, diz. “Eu adoro os valores da fundação. O mais importante é o de execução: de fato colocar a mão na massa e focar nos resultados a partir das ações. Minha grande meta é fazer grande impacto em um campo tecnológico, que realmente consiga mudar o dia a dia das pessoas positivamente.” Gabriel estudou o ensino médio no Centro Educacional Sigma, onde foi premiado 11 períodos consecutivos por alto desempenho.

 

O típico profissional medíocre

Atitudes para NÃO tomar
Agora que você compreendeu atributos das pessoas de resultado, confira características comuns entre os profissionais medianos — aqueles que só fazem o mínimo necessário, preferem a zona de conforto e, por isso, têm dificuldade para crescer. Segundo Fábio Jascone, coordenador de Sistemas da empresa de tecnologia de gestão Senior, não é difícil encontrar esse tipo de colaborador em todo tipo de organização. Ele lista comportamentos típicos para quem quer ser um profissional mediano para sempre:

1. Trabalhe das 8h às 18h
Seja pontual. Entre às 8h e saia sempre às 18h, mesmo sabendo que vai interromper uma linha de raciocínio ou que poderia finalizar algo importante. Prefira deixar tudo para o dia seguinte apenas porque deu 17h59 no relógio. Esta é uma prática comum de quem quer ficar na média, tem medo de se destacar e de superar expectativas.

2. Vire um muro das lamentações
Reclame. Do horário, do café, do chefe, do RH. Se não tiver motivos para reclamar, invente um. Aproveite para reclamar da empresa ou falar mal de alguém, principalmente em momentos de interação com a equipe ou outras áreas. Existem dois tipos de pessoas: as que se envolvem com a mudança e as que reclamam dela. Qual dessas é você?

3. Terceirize a sua carreira
Não se capacite nem se preocupe em aperfeiçoar seus conhecimentos — mesmo com tantas opções disponíveis na internet gratuitamente. Além disso, responsabilize a empresa (que, na verdade, não tem obrigação nenhuma com a carreira de ninguém) por não oferecer treinamentos. Essa é a fórmula para sempre estar em segundo plano. Já quem quer crescer deve lembrar que a carreira é do CPF e não do CNPJ: as certificações e as redes de contatos são da pessoa não da organização.

4. Seja dependente da empresa
Para ser um profissional mediano completo, nada como trabalhar com medo de perder o emprego ou com o pensamento de que precisa dele somente para pagar as contas. O medo é provocado por incerteza, que vem da falta de segurança, resultado da insuficiência de conhecimento para exercer com esmero a função. Isso acaba em um trabalho sem convicção, mediano. Se você sabe ou sente que lhe faltam competências para realizar com excelência as atividades, é porque realmente falta. A remuneração deve ser consequência, não razão do trabalho. E quando a remuneração, o comprometimento e o resultado não estão em harmonia, talvez seja hora de procurar algo melhor, em vez de perder tempo reclamando da lama enquanto afunda nela.

5. Faça somente o que é pago para fazer
Execute somente o que estiver na descrição do seu cargo. Quando houver espaço para demostrar que é capaz de fazer além, afirme: “Eu não sou pago para fazer isso”. Com certeza, assim você será o profissional mais mediano da empresa. Quem sempre faz somente o que deve ser feito não cria evidências que justifiquem uma promoção.

 

 

 

 

 

 

 

*Estagiária sob a supervisão de Ana Paula Lisboa