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Quero ficar na firma

Deseja se destacar como estagiário e conseguir uma oportunidade de efetivação? Então aproveite para conferir as orientações de profissionais de RH. Demonstrar interesse, compromisso, vontade de aprender, respeito às normas e pontualidade estão entre as atitudes requisitadas

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postado em 24/09/2017 14:17 / atualizado em 24/09/2017 15:24

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

 

A experiência profissional durante a graduação ou curso técnico não serve apenas para vivenciar na prática o conteúdo aprendido em sala de aula, mas também para conseguir uma oportunidade de efetivação. Especialistas dão dicas de como jovens podem garantir o emprego após o término do contrato

 

Deseja se destacar como estagiário e conseguir uma oportunidade de efetivação? Então aproveite para conferir as orientações de profissionais de RH. Demonstrar interesse, compromisso, vontade de aprender, respeito às normas e pontualidade estão entre as atitudes requisitadas

 

 

Minervino Junior/CB/D.A. Press

 

A entrega do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e a colação de grau, geralmente, não são as únicas preocupações de estudantes que estão no fim da graduação. Para muitos jovens, o futuro profissional também se transforma num motivo de angústia e ansiedade. Afinal, eles integram uma das parcelas da população que tem mais dificuldade de arranjar emprego. Entre os motivos, imaturidade e falta de experiência. No entanto, quem procurou se engajar em atividades profissionais ainda durante a graduação — como é o caso do estágio — passa a contar com um atalho para o mercado de trabalho, desde que tenha apresentado bom comportamento e resultados durante a experiência. Apenas um desempenho positivo não basta para garantir efetivação, já que o surgimento de uma vaga depende de vários fatores, como as condições financeiras da empresa e do mercado. No entanto, em face a um estagiário que deixa uma impressão primorosa, chefes e colegas farão de tudo para mantê-lo na equipe.

 

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

Afinal, trata-se de alguém visto como confiável  e que está habituado com a cultura e as atividades da empresa, eliminando a necessidade de treinamento do zero. A educadora física Lorrane Ribeiro, 23 anos, é exemplo de alguém que conseguiu garantir um espaço no mercado ainda durante a graduação, enquanto estagiava no Centro Olímpico do Setor O, em Ceilândia. A busca pela temporada na organização esportiva foi calculada para aprender, se aprimorar e garantir o primeiro emprego. “Eu pensava: que empresa vai querer contratar um profissional que não tem experiência?”, lembra. “Quando cheguei, eu tinha visto muita teoria, mas, na prática, não sabia como me comportar. Eu precisava desse aprendizado”, percebe ela, que iniciou a passagem dela na instituição no quarto semestre do curso de licenciatura. Um ano e meio depois, após a finalização da graduação, Lorrane recebeu a proposta de continuar atuando ali, mas como funcionária efetivada.

 

“Fui chamada para ser professora. Isso exige mais responsabilidade, mas, com o estágio em que atuei como monitora, ganhei mais confiança e sabia que poderia fazer um bom trabalho”, explica. Lorrane, que sempre expressou interesse em ser efetivada, elenca os motivos que a fizeram ser convidada para ficar. “Eu demonstrava interesse em aprender com todos, não só com os supervisores, mas também com os outros estagiários que tinham mais conhecimento. Sabia, também, que precisava de disciplina e comprometimento para corresponder às expectativas”, revela a funcionária que, agora, trabalha com carteira assinada há pouco mais de um ano. Para o gestor de Recursos Humanos do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) em São Paulo, Cláudio Rodrigo de Oliveira, esse tipo de comportamento contribui para formar uma boa imagem do estudante. Ele explica que “a efetivação depende muito da proatividade.”


Proatividade
“A maioria dos gestores valoriza muito o estagiário que vai além do que foi pedido. Para ser proativa, a pessoa deve se preocupar em conhecer mais a organização, compartilhar opiniões que contribuem para o crescimento da empresa, pois mostrar que está integrado ao ambiente é fundamental. Não fazer críticas com o intuito de desvalorizar a imagem da empresa e obedecer às regras da organização também são pontos importantes”, pontua. Vilson Sérgio de Carvalho, coordenador do curso de recursos humanos da Faculdade Unyleya, pondera que a proatividade é essencial, mas é preciso ter cautela, afinal o estagiário ainda é um aprendiz.

 

“O estudante quer mostrar as habilidades e todo o talento que tem, mas, num primeiro momento, precisa escutar, observar e sentir o clima organizacional. Somente depois de conhecer o ambiente da empresa, ele pode dar opiniões e sugestões”, orienta.

 

 

Relação frutífera

Não só estagiários têm chances de efetivação: jovens aprendizes também se inserem na rotina da empresa e conquistam a chance de fazer o próprio filme. Gabriela Oliveira, 21, soube aproveitar a oportunidade. Atualmente cursando pedagogia, ela foi menor aprendiz no Centro Universitário Projeção durante o ensino médio. As atividades duraram dois anos e ela desempenhava tarefas como auxiliar administrativa. Após o término do contrato, quando pensou que teria que começar a procurar trabalho, recebeu a oferta de contratação.

 

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
 


“Eu fiquei aliviada, pois a taxa de desemprego há tempos está em alta”, relata. Gabriela pretendia pedir uma carta de recomendação do supervisor para futuras seleções e, para conseguir elogios, sabia que deveria evitar alguns erros. “Nunca cheguei atrasada. Acredito que isso passa uma imagem de compromisso. Sempre demonstrei interesse, mas sabia que não era só isso. Era preciso ter coleguismo e respeitar todos os funcionários, desde os que têm cargos mais altos àqueles que têm cargos mais baixos.” O esmero com a postura se estendia aos canais virtuais.

 

 

Silvio Simôes/Esp. CB/D.A Press
 

 

Conectividade
“Com as redes sociais, nossa vida particular fica muito em evidência e qualquer descuido pode gerar uma mancha no nosso currículo. Por isso, sempre evitei me expor demais”, afirma. Esse comedimento é aprovado por Vilson Sérgio de Carvalho, da Faculdade Unyleya. “A conduta do estagiário que almeja uma colocação deve ser exemplar não só no ambiente de trabalho, mas fora dele, inclusive, nas redes sociais.” O coordenador explica que a exposição exagerada pode impedir o interesse de efetivação. “Publicações que mostram que a pessoa pode ser depravada ou que gosta de causar discussões desnecessárias por causa de conflitos de opiniões devem ser evitados”, explica. Cláudio Rodrigo de Oliveira deixa alerta aos estudantes que ambicionam a contratação: “Grandes organizações têm sempre uma pessoa específica para fazer levantamento da vida social do possível candidato. Se divulgarem fotos em noitadas ou comentários e mensagens inadequados, serão avaliados negativamente.”

 

 

 


E, claro, se a pessoa tiver difamado o chefe, colegas ou a companhia nos espaços da rede mundial de computadores, ou revelado detalhes privativos da rotina de trabalho na instituição serão limados do rol de estagiários ou jovens aprendizes com chances de efetivação. De acordo com Cláudio Rodrigo, o respeito ao horário de trabalho também é um fator imprescindível, visto que prova se o estagiário é ou não comprometido com a empresa. “Quem chega atrasado prova que não tem muita responsabilidade. O empregador entende que a pessoa pode manter esse costume depois de efetivada. Por isso, ela é descartada de qualquer possibilidade de contratação”, afirma.

 

Indícios promissores

Sinais de que você
ficará na firma

1. O desempenho de atividades seniores é um claro sinal de confiança por parte dos superiores.

2. Abertura para expressar opiniões e receptividade às ideias apresentadas serve como termômetro para medir o grau de relevância do universitário para a equipe.

3. Há vagas abertas na firma: é mais fácil preenchê-las com alguém treinado do que iniciar um processo seletivo.

4. Tarefas com datas posteriores ao final do contrato: parece que a empresa praticamente assinou a carteira de trabalho, não é mesmo?

5. O chefe veio perguntar qual a data de encerramento do contrato e se o TCC vai bem — aproveite para manifestar sua vontade de permanecer na empresa.

Fonte: Estagiários Online

 

Feira virtual de estágios e trainees

Estão abertas as inscrições da 10ª edição da Feira Virtual de Estágios e Trainees, que oferece mais de 20 mil vagas. A oportunidade vai até terça-feira (26) e os interessados poderão participar de processos seletivos de empresas de destaque no cenário nacional. Os interessados devem cadastrar currículos no site trabalhando.com.

 

Qual o perfil dos efetivados?

 

 

Arquivo Pessoal
 

 

Para Laila Jacob, consultora de Recrutamento e Seleção da TIM, na maioria das vezes, os estagiários que são efetivados agem como protagonistas. “São pessoas que têm perfil dinâmico, inovador e que gostam de novos desafios”, explica. De acordo com a gerência de recursos humanos da TIM, 57% das vagas de emprego fixo da empresa foram preenchidas por ex-estagiários. Além da pontualidade, da ética e da não exposição exagerada em redes sociais, Fábio Cairis, 27, que trabalha na companhia há quatro anos, sempre demonstrou ter interesse em conhecer a empresa a fundo durante o estágio. “O empregador observa a postura de cada colaborador. Entendi que aquela não era somente uma oportunidade de aprendizado, mas também de crescimento profissional, por isso, eu sempre me esforcei”, conta.

 

 

Arquivo Pessoal

 

 

Após cumprir os dois anos de contrato, recebeu convite para ser funcionário. “Acredito que todo estagiário deve ter humildade e saber trabalhar em equipe”, afirma. Ele deixa a dica para outros que querem ser efetivados. “Seja você mesmo. Se você é responsável e demonstra interesse, vai conseguir se destacar”, diz. Apesar de a efetivação ser um objetivo comum, ela não deve ser o único motivo para que alguém se dedique ao estágio. É preciso se empenhar mesmo se souber que não há chances de contratação imediata na empresa, pois a experiência pode abrir portas mais adiante. “O estagiário deve dar o melhor não só para ser contratado, mas também porque o comprometimento tem que fazer parte dos valores e da responsabilidade dele”, comenta Vilson Sérgio de Carvalho, da Unyleya.


O estudante de direito Leandro Freitas, 23, estagia num escritório de advocacia desde maio deste ano e sonha em ser efetivado. O jovem está no 9º período da faculdade e tem vivido, na prática, a teoria absorvida ao longo do curso. “Estou aprendendo a ter mais disciplina com meus horários e obrigações e a ser mais organizado e responsável”, pontua. O motivo para desejar ser efetivado é conquistar autonomia. “Para isso, tento ter postura adequada. Quero provar que sou maduro o suficiente para conseguir o cargo”, explica. O estudante sabe que, além de conquistar a confiança dos chefes, precisa torcer para que haja disponibilidade de vagas quando concluir a graduação. “Independentemente disso, a experiência está valendo a pena, pois eu me sinto cada vez mais preparado para enfrentar o mercado de trabalho”, conclui.

 

Calma, jovem!

Apesar de se preocupar com a trajetória profissional, o psicólogo Jonatha Santos alerta que, quando a apreensão com a carreira se torna exagerada, isso pode interferir na qualidade de vida. “Há jovens que se preocupam tanto com o futuro, que se esquecem de viver o presente”, afirma. “A prioridade, nessa etapa, são os estudos. Se entender que a rotina de estágio e faculdade vai sobrecarregá-lo, a ponto de prejudicar o desempenho estudantil, deve repensar. Se perceber que não conseguirá conciliar as atividades, é melhor não começar o estágio”, diz.

 

O passo a passo da efetivação

Daniela Misorelli, CEO do site Estagiários Online, elenca atitudes  a serem adotadas desde o início do estágio. Ela ressalta que, independentemente de ter interesse em continuar na empresa ou não, é importante ter esses comportamentos no ambiente profissional.

Dedique-se

Responsabilidade, proatividade e comprometimento são características indispensáveis para o sucesso — e não só para quem estagia, mas para todos os profissionais. Cumprir prazos, estar disposto a aprender e realizar as tarefas com eficiência são condutas básicas que contam muito na decisão do chefe de efetivar um estagiário.

Aproveite o trabalho
em equipe

Colegas mais experientes são uma ótima fonte de aprendizado. Tire dúvidas e observe como agem no cotidiano. Além disso, construir network é essencial para que surjam outras oportunidades de trabalho
ao longo da carreira.

Não tente fazer
 tudo ao mesmo tempo

Na ansiedade de mostrar resultado e se destacar, há estagiários que aceitam mais trabalho do que o tempo permite. Claro, é importante estar disposto a novas responsabilidades, mas, antes disso, é necessário cumprir a lista de tarefas principais de maneira satisfatória. Com uma boa gestão de tempo e experiência, aos poucos, o escopo do trabalho se expande naturalmente.

Ouça o feedback
Preste atenção e leve em consideração os comentários feitos em sessões de feedback. Afinal, o desenvolvimento da carreira (não só como estagiário) depende de um processo constante de avaliação e melhora. Esse também é um ótimo momento para deixar claro para os chefes que existe o desejo de ser efetivado.

 

Normas
O que diz a lei?
A Lei nº 7.788/2008, que prevê direitos e deveres dos estagiários, determina que o contratante deve disponibilizar um funcionário do quadro de pessoal para supervisionar a atuação do estudante. Esse trabalhador precisa ter formação ou experiência profissional na área do estagiário. A empresa deve também oferecer instalações adequadas capazes de proporcionar aos estudantes aprendizagem de cunho profissional, social e cultural. A lei prevê, ainda, direito a recesso remunerado (férias) de 30 dias a cada 12 meses de estágio na mesma empresa. Além disso, a carga horária é de no mínimo quatro horas diárias e de, no máximo, seis. Em período de avaliações na instituição de ensino, a empresa deve reduzir a carga horária diária pelo menos à metade em cada dia de prova.


A legislação determina, ainda, que eles não podem fazer hora extra.  A lei determina que os estagiários devem cumprir os horários e as atividades estabelecidas e devem apresentar, a cada seis meses, relatório dos  serviços executados no estágio à instituição de ensino. Além disso, se o estudante abandonar o curso de graduação, ou a escola, e se ausentar por até 15 dias consecutivos da empresa sem aviso, será, automaticamente, desligado. Para Vilson Sérgio de Carvalho, coordenador do curso de recursos humanos da Faculdade Unyleya, a lei é extremamente benéfica para os estudantes, “pois garante que o estagiário seja alguém importante na empresa.”

 

 

Confira os cinco sinais de que você será efetivado

 

1. Desempenho de atividades sênior

 

Estagiários

 É um claro sinal de confiança por parte dos superiores.

2. Abertura para expressar opiniões e receptividade às ideias apresentadas

 

 

Estagiarios

 
“Posso dizer que nós não temos um problema de grupinhos nesta escola?”
Serve como termômetro para medir o grau de relevância do universitário para a equipe.

3. Há vagas abertas

 
Estagiarios


É mais fácil preenche-las com alguém treinado do que iniciar um processo seletivo.
 
4. Tarefas com datas posteriores ao final do contrato
 
Estagiarios online


“Eu preciso saber!”
Parece que a empresa praticamente já assinou a carteira de trabalho, não é mesmo?

5. O chefe já veio perguntar qual a data de encerramento do contrato e se o TCC vai bem
 
Estagiarios


 
“Eu amo o meu trabalho, eu amo o meu trabalho, eu amo o meu trabalho...”
Manifeste sua vontade de permanecer na empresa!

 


Fonte: www.estagiariosonline.com.br

 

 

 

 

 

* Estagiário sob a supervisão de Ana Paula Lisboa