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Por mais mulheres na engenharia

Integrantes de projeto de extensão da UnB, que busca incentivar alunas de escola pública a se interessarem por exatas, foram selecionadas para apresentar artigo em Portugal. Para custear a viagem, precisam arrecadar R$ 9,2 mil até 23 de outubro

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postado em 24/09/2017 15:04 / atualizado em 24/09/2017 15:23

Robson G. Rodrigues/Esp.CB /D.A Press

 

Alunas da Universidade de Brasília (UnB) que participam do projeto de extensão Meninas Velozes foram selecionadas para apresentar artigo científico no Congresso Ibero-Americano de Engenharia Mecânica (Cibem), em Lisboa. Para que duas das 12 integrantes (que escreveram o material em coautoria ainda com quatro professoras) possam participar, elas resolveram fazer uma vaquinha on-line e buscam ajuda da comunidade a fim de custear a viagem. O fato de terem sido selecionadas para a programação em terras portuguesas é um grande reconhecimento ao projeto, vinculado à Faculdade de Tecnologia, inciado em 2013, que ministra oficinas para estudantes de escola pública de Santa Maria. Além de Portugal, as jovens tiveram ainda artigos aprovados no Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, que ocorre na Bahia, e no Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia, em Santa Catarina.


“Trabalhamos em cima da aprendizagem das alunas de graduação e, assim, abrimos oportunidades para elas apresentarem trabalhos”, explica a professora de engenharia mecânica Dianne Viana, uma das coordenadoras do projeto. Uma das estudantes que representará o grupo em terras portuguesas é Victoria Venceslau, 22 anos, que cursa o 7° semestre de engenharia mecânica. Ela destaca a importância do projeto no contexto em que estão inseridas as participantes. “Além de mudar o cenário da engenharia, que tem poucas mulheres, a gente atrai meninas para o ambiente universitário. Muitas dessas não pensam em seguir com os estudos e nós mostramos que é possível entrar na UnB”, afirma. Se conseguirem arrecadar o valor pretendido, Victoria embarcará para Lisboa com Eliza Mieka Sakazaki,  24, também aluna de engenharia mecânica.

 

 

Arquivo Pessoal

 

 

Outra integrante do projeto, Luana Mila, 26, explica que participar de congressos é importante devido ao aumento da visibilidade da iniciativa. “Ainda é difícil para a mulher que faz engenharia, por ser um ambiente muito machista. Por isso é importante que as pessoas vejam ações como esta”, destaca. “O maior ganho é ver as alunas se interessando pela área, mesmo que, por algumas vezes, escolham outros cursos. A troca de experiências também é muito engrandecedora.” Luana, que é estudante do 10º semestre de engenharia de produção, conta que, quando iniciou o curso, sentiu os efeitos do machismo. “Os homens, por muitas vezes, nos veem como menos capazes. Já teve uma vez que eu fiz um trabalho em que era a única mulher do grupo e eles queriam que eu fizesse apenas os slides. Não é raro que os homens do meu curso ignorem minhas ideias relacionadas aos trabalhos”, diz.

Efeitos na comunidade
A inciativa existe com o intuito de incentivar mais garotas a ingressarem em cursos de engenharia e consiste em uma parceria com o Centro de Ensino Médio 404 de Santa Maria, escola pública que fica próxima ao câmpus da UnB no Gama (que concentra boa parte das graduações de engenharia da instituição). “Depois de uma reflexão e vendo que a quantidade de meninas nesses cursos é bem menor do a que de meninos, o coordenador nos perguntou se havia o interesse em abrir um projeto de extensão de motivação, principalmente para alunas de escolas públicas”, conta a professora. São beneficiadas pelo projeto de 18 a 20 estudantes de ensino médio da rede pública, que se tornam bolsistas de iniciação científica e recebem aulas ministradas pelas graduandas duas vezes por mês (uma no câmpus da UnB e outra na escola).

 


Arquivo Pessoal

 

 

As oficinas oferecidas envolvem criação de imagem em 3D e uso de carrinhos de controle remoto, tudo para que o ensino de física e matemática fique mais atrativo. “A gente tem conseguido que as matérias de exatas passem a ser consideradas como opção por essas meninas”, destaca Dianne. Além da parte de engenharia, o projeto ainda conta com um grupo de professores e estudantes de psicologia e serviço social. “Dessa forma, a gente também trabalha a questão de gênero, porque o problema surge primeiro na vivência cultural. Desde cedo, os comportamentos e profissões são direcionados para meninas e meninos”, ressalta Dianne.

 

Fruto do projeto
Estudante do 2º semestre de engenharias no câmpus do Gama, Andressa Paula da Visitação, 18, nem cogitava essa opção de curso antes de participar do projeto Meninas Velozes. “Eu não tinha interesse, nem  mesmo gostava de física e matemática”, lembra. Ela foi convidada para as aulas por uma professora por ser uma boa aluna. “Com as oficinas, pude ver um pouco da aplicação desses assuntos, o que me despertou para a área”, conta. “Você pode ser feminina e trabalhar com exatas. Não podemos negligenciar as diferenças biológicas entre homens e mulheres, mas merecemos direitos e oportunidades iguais”, defende.

 

Ajude

 O congresso ocorre entre 23 e 26 de outubro. A vaquinha pode ser acessada pelo link www.vakinha.com.br/vaquinha/meninas-velozes-alem-do-horizonte. O evento ocorre desde 1993 e reúne diversos especialistas e profissionais da área. Para viabilizar a viagem, as alunas precisam arrecadar R$ 9.250 até 23 de outubro e, até o momento, angariara apenas R$ 720. Informações:

www.facebook.com/meninasvelozes.

 


 

 

*Estagiária sob a supervisão de Ana Paula Lisboa