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Intercâmbio a um clique de distância

Agências de viagens digitais trazem comodidade na hora de adquirir um pacote. A novidade ainda sofre resistência por parte do público, mas há quem tenha se rendido às graças do formato on-line e o aprovado

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postado em 24/09/2017 15:27

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

 

Antes, quem pensava em fazer um intercâmbio precisava se dirigir a uma agência de viagens física para conversar com um consultor e, assim, descobrir as opções de destino, duração, modalidade e formas de pagamento disponíveis. Com a popularização da internet, no entanto, é natural que esse setor também ganhe plataformas virtuais, por meio das quais o intercambista pesquisa países, escolas, orçamentos, tira dúvidas e adquire o programa em qualquer horário e lugar. A proposta  traz comodidade não só para o público, mas também para os que trabalham com isso, e tem se tornado tendência. Glauber Vale investiu nesse formato ao lançar a empresa de franquias digitais de intercâmbio World Travel Study (WTS). Uma das grandes vantagens para os franqueados é poder trabalhar de casa, como Glauber faz em Brasília. “Estou nessa área há 16 anos. Organizamos todos os serviços relacionados ao curso no exterior e à viagem: matrícula, orientação, acomodação, seguro-saúde, parte de vistos, traslado de chegada e demais serviços”, explica.


“Atendemos todas as nacionalidades. Temos seis franquias na Austrália e três no Brasil, todas em formato home office. Assim, não é preciso ter loja física nem gastos com funcionários. Além disso, é possível trabalhar em qualquer local ou horário”, conta. “A franquia se encaixa muito bem para jovens empreendedores, mas também para escolas de idiomas e agências de turismo.” O custo para se tornar franqueado digital é bem mais módico do que para aderir a redes presenciais: a partir de R$ 3.950. “É difícil falar em menos de R$ 200 mil quando se trata de um ponto físico”, compara. “O franqueado ganha um website, além de ter autonomia e independência para fazer divulgações próprias”, completa. A rede oferece intercâmbios para grupos específicos. “Para o público a partir de 60 anos, temos cursos de curta duração, como francês com vinhos, italiano com pinturas, espanhol com dança, entre outros.”


Aposentado do Banco Central do Brasil (BC), Francisco Félix, 63, recorreu a WTS para agendar uma viagem. “Fui para a Nova Zelândia e para Londres. Pratiquei inglês durante quatro meses em ambos os destinos. A agência on-line me ajudou com diversas alternativas”, relata. “Conheci pessoas de diversas localidades, fiz muitas amizades. Conheci um pouco da cultura de cada um dos meus amigos internacionais, além da cultura local”, ressalta. “O aprendizado é acelerado e você se torna independente.”


O empresário Ronaldo Pontual, 39, também procurou a agência WTS para pacotes de intercâmbio e decidiu levar toda a família. “Fomos para Sidney, na Austrália, e ficamos seis meses. O primeiro objetivo era conhecer o dia a dia de uma cidade grande e de um país desenvolvido e ainda estudar inglês. Minha esposa e meus dois filhos foram comigo”, lembra. “O intercâmbio foi facilitado pela assistência da empresa. Foi uma experiência única. Vi o dia a dia de uma cidade diferente num país desenvolvido e melhorei minha gramática e minha capacidade de diálogo em inglês. Vale muito a pena se organizar por agências on-line, pois é mais prático e a viagem é uma experiência única”, conta.


Em expansão
Os irmãos Bruno e Gabriel Passarelli, de, respectivamente, 30 e 26 anos, são donos da maior agência on-line de intercâmbio do Brasil. Antes de abrir o negócio, há 6 anos, eles estavam familiarizados com viagens do gênero. “Minha primeira experiência foi aos 11 anos. Isso sempre fez parte de nossas vidas e do nosso dia a dia. Decidimos então abrir a Descubra o Mundo, que não posso chamar de franquia, mas de empresa. Ela surgiu em 2011 a partir do sonho de dois irmãos apaixonados por tecnologia e viagens”, diz Bruno. O negócio, inteiramente digital, atua como ponte entre escolas e intercambistas. “Hoje em dia, temos mais de 50 mil opções de cursos em função do nosso modelo de negócio, atendemos o Brasil todo e chegamos a regiões onde não existiam oportunidades de intercâmbios” conta. De acordo com Bruno, a plataforma digital possibilitou a evolução do empreendimento.


“Personalizar o pacote em relação ao seu objetivo de forma on-line foi um avanço. Crescemos 105,39% graças ao modelo de negócio, só no primeiro semestre desse ano, totalizando 35 mil orçamentos e faturamento de R$ 300 milhões. Nos últimos dois anos (2015 e 2016), aumentamos em 1.971% o número de usuários, gerando R$ 730 milhões (valor que representa 80 mil orçamentos feitos na nossa franquia). Hoje mais de 1.600 pessoas utilizam nossa plataforma, incluindo empresas e pessoas físicas”, comemora. “O mercado nacional ainda é muito novo no âmbito tecnológico. Então acredito que o modelo digital é uma evolução, sim, mas há espaço para todos os mercados: off-line e on-line.”

 

Contraponto

Resistência
Neila Chammas, diretora de Relações Institucionais da Brazilian Educational& Language Travel Association (Belta), associação brasileira que reúne as principais instituições atuantes nos segmentos de cursos, estágios e intercâmbios no exterior, observa que, apesar de agências de viagens on-line serem uma inovação, as pessoas ainda sentem mais segurança de fechar esse tipo de pacote presencialmente. “Na hora de um alto investimento, como o que demanda o intercâmbio, o cliente, em geral, busca fazer a compra pessoalmente. Eles procuram então agências mais sólidas. As franquias digitais ajudam no primeiro contato, mas é preciso construir ainda credibilidade. Na hora de fechar a compra, a unidade física é a mais desejada”, disse.

 

Saiba mais

World Travel Study (WTS): worldtravelstudy.com
Descubra o Mundo: www.descubraomundo.com

 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa