PERFIS DE SUCESSO - JOãO BATISTA »

Meu sobrenome é versatilidade

Entre uma atividade e outra, motorista de van escolar vende cocos numa barraca e comercializa bombons preparados pela esposa. Nos fins de semana, transporta grupos para eventos e excursões

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/10/2017 14:35

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

Há 18 anos, o motorista de transporte escolar João Batista, 53, mantém a mesma rotina: acorda às 4h20, sai de casa em Santa Maria em direção ao Lago Norte, onde para em diversas residências para buscar estudantes até encher o carro. De lá, parte para a Asa Sul e deixa alunos em colégios particulares. “Passo na primeira casa às 6h. O pessoal precisa estar na escola às 7h15, então não posso me atrasar,”, explica. Quando a aula acaba, em geral, no fim da manhã ou no fim da tarde, se o colégio for de período integral, ele está lá novamente para apanhar a meninada. A fim de que tudo funcione corretamente, a pontualidade precisa se estender aos clientes. “Dou tolerância de até dois minutos. Não enfrento problemas, a galera do Lago Norte é muito boa de se trabalhar”, conta. Para garantir o cumprimento do horário com rigor, João elucida todos os detalhes no contrato fechado no início do ano com os pais, cada um por R$ 480 mensais.


O documento ainda especifica normas, como usar cinto de segurança. Atualmente, ele só transporta crianças acima de 7 anos, adolescentes e jovens. Dirigindo uma Sprinter com capacidade para levar 15 estudantes, trafega com a capacidade máxima à noite, quando busca alunos na Universidade de Brasília (UnB) em direção a Santa Maria. Durante o dia, leva de 12 a 13 pessoas na condução. Marcas registradas de João são a responsabilidade e a cordialidade. “O que acho melhor no meu trabalho é a chance de conhecer e interagir com pessoas de vários jeitos. Mantenho um bate-papo legal tanto com os estudantes quanto com os pais, nunca tive dificuldade de lidar com gente”, observa.  Na igreja (católica), desde cedo trabalhei com grupos de jovens e, antes de dirigir van escolar, fui cobrador de ônibus, sempre em contato com o público. Isso não me estressa, pelo contrário”, afirma ele, que é formado em teologia pelo Instituto São Boaventura.

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

Não é à toa, portanto, que a freguesia é fidelizada. “A maior parte das pessoas chega a mim por indicação. Tem alunos que andaram comigo e, hoje, casados, colocam os filhos na minha condução”, relata, com orgulho. Nos fins de semana, João Batista não para. Clientes não faltam e ele é contratado para transportar grupos para festas, casamentos, encontros, excursões, visitas a asilos e orfanatos. Só a rotina atrás do volante é suficiente para encher a maior parte da agenda, mas o mineiro de Patos de Minas não se contenta com isso e arranjou ainda fontes de renda alternativas. Enquanto espera o horário de buscar a clientela de volta nas escolas, não fica parado: faz bico vendendo água de coco numa barraca na 712/713 Sul. “Comecei substituindo um colega que precisou fazer uma cirurgia e, hoje, tenho um trato com o dono da barraca. Com isso, ganho mais de um salário mínimo por mês.”


Além disso, comercializa bombons trufados preparados pela esposa, Jaqueline Rodrigues. “Ela começou a fazer há três anos e tem dado muito certo. Vendo cerca de 40 por dia, cada um por R$ 1, dentro da condução e na barraca. São muitas opções de sabores: coco, maracujá, morango, leite em pó, chocolate”, diz o pai de um rapaz de 21 anos e de duas adolescentes de 12 e de 16 anos. Trabalhando manhã, tarde e noite, de domingo a domingo, João Batista está sempre com um sorriso no rosto. “Se eu ficar só em casa no fim de semana, até fico chateado. Para dar certo, em qualquer coisa, é preciso se dedicar e gostar do que faz. Esse é o segredo do sucesso”, acredita.

Vida melhor
João Batista se mudou de Minas Gerais para Brasília aos 16 anos. “Duas irmãs tinham vindo para cá e eu vim estudar e tentar a vida. Terminei o ensino médio no Cruzeiro Velho.” Aqui, foi datilógrafo no Ministério das Telecomunicações até adentrar o ramo do transporte, quando se tornou cobrador de ônibus da TCB. Depois de conhecer um colega que também trabalhava com condução escolar, resolveu conciliar as duas atividades. Com o tempo, ele precisou sair do emprego para se dedicar inteiramente à nova ocupação.