PERFIS DE SUCESSO - MARCOS ANTôNIO ARAúJO E LUCAS RAMOS »

Pai e filho comandam a Harmonia Instrumentos Musicais na 310 Norte

A loja, aberta há 34 anos, é especializada em instrumentos de corda. No acervo do espaço, há mais de 1 mil itens. Conhecimento profundo sobre os produtos, gostar do que fazem e atendimento de qualidade são alguns dos ingredientes para a continuidade do negócio

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postado em 22/10/2017 15:24

 

 

Aberta em 1983, a Harmonia Instrumentos Musicais, localizada num espaço de 90m² no subsolo do Bloco B da 310 Norte, sempre foi uma microempresa familiar. No início, a parceria era entre irmãos e, depois, passou a ser entre pai e filho. Tudo começou com Marcos Antônio Araújo, 58 anos, e o irmão dele, Humberto. Na primeira década, a instituição funcionou como escola de música. “O Beto montou o espaço e me chamou para ser sócio. Depois que ele saiu, dei continuidade à escola por um tempo”, relata Marcos. Concomitantemente às aulas, o mineiro radicado em Brasília passou a vender acessórios. A nova atividade tinha bastante procura, até chegar a dominar completamente a empresa.


Em 1993, quando o negócio foi transferido para o endereço atual, já era uma loja de instrumentos e equipamentos musicais. Atualmente, Marcos administra o projeto junto do filho, Lucas Ramos, 28. “Trabalho aqui desde os 14 anos”, conta ele. Graduado em gestão comercial, Lucas toca guitarra e uniu os conhecimentos nas duas áreas a fim de contribuir para o negócio. “Aplico muito do que aprendi sobre administração comercial, marketing e captação e manutenção de clientes aqui. A gestão do estoque e de notas fiscais são atribuições minhas”, comenta. “Boa parte do público mora na vizinhança e o sábado é o dia em que temos mais clientes”, aponta. Ele enxerga nos fatos de tanto ele quanto o pai gostarem do que fazem e de possuírem sede própria alguns dos ingredientes que fazem a empresa dar certo. Lucas cita ainda a rede de contatos como fator importante.


Marcos atribui a continuidade do negócio a conhecimentos profundo sobre os produtos, a acompanhar as tendências da cena musical e a um atendimento diferenciado, que deixa o público à vontade. “Além disso, nosso pós-venda é muito bom, por isso, até hoje, não há registros de reclamações no Procon (Instituto de Defesa do Consumidor) ou na internet. Os problemas que aparecem a gente soluciona”, garante. Marcos é pai ainda de Victor (que toca contrabaixo), Vinícius e Jade (que faz coral e harpa na Escola de Música de Brasília). A irmã de Marcos, Joana D’Arc, trabalhava na empresa até pouco tempo. Agora, o local conta com dois funcionários. Especializado em instrumentos de corda, o espaço conta com mais de 1 mil itens no acervo, entre violões, guitarras, baixos, ukuleles, cavacos, bandolins, teclados, pianos, baterias, acordeons, flautas, gaitas, amplificadores, pedais e microfones. Os modelos mais caros podem chegar a custar R$ 18 mil. “Gibson e Fender são as marcas mais conhecidas em termos de guitarra”, destaca Lucas.
Evolução

Antonio Cunha/CB/D.A. Press

 

Ao longo de mais de três décadas atuando no ramo, Marcos acompanhou de perto as mudanças do mercado. Para atender as necessidades do público por tanto tempo, foi preciso se adaptar. “A gente não mudou, teve épocas melhores e piores, mas fomos na água do que estava acontecendo”, esclarece Marcos. Desde 2014, o comerciante sente os efeitos da crise e, ultimamente, nota uma discreta recuperação. Atualmente, cerca de 200 compras mensais são feitas na Harmonia.


De cinco anos para cá, o site e a loja virtual da marca passaram a ser mais acessados. “É como um chamariz e desfaz um pouco os efeitos de estarmos num subsolo”, comenta Marcos. Antes de se fixar por lá, em 1993, a Harmonia funcionou no Brasília Rádio Center e na 706 Norte. “Eu me mudei com a confiança de que tinha me especializado o suficiente para trazer clientes à loja e, também, sinceramente, era o que eu dava conta de comprar”, lembra. “Fiquei muito tempo no aluguel e queria ter um local próprio. Era época de inflação, em que o dono do imóvel vinha reajustar o preço de 90 em 90 dias”, relata.

Expertise
“O ramo tem muitas características peculiares. Com uma cultura rasa sobre música e instrumentos musicais, a probabilidade de não dar certo é muito grande. Se, ao escolher um produto, você acertar na marca e no modelo, mas errar na cor, não vende”, explica Marcos. E, para selecionar bem o que colocar no acervo, faz-se necessário um amplo background. “Ao comprar uma guitarra 335 Gibson, se você pegar uma natural ou sunburst, em vez de uma vermelha, reduz em mais de 70% as chances de sucesso”, exemplifica. “As coisas não fazem nome à toa: no caso desse instrumento, o guitarrista de blues Freddie King o usava nessa cor nos anos 1960. O Eric Clapton era apaixonado por ele e quis uma também. Depois dele, outros fizeram o mesmo”, exemplifica. Todo esse arcabouço de conhecimentos — não apenas sobre instrumentos, mas também sobre o público — faz toda a diferença.


“Consigo identificar o que o profissional e o que o amador querem. É bem característico de Brasília ter músicos de alto nível que não vivem disso”, observa. Marcos dominou os saberes para crescer no ramo não apenas ao longo de várias décadas de trabalho: o aprendizado começou antes. “Fui DJ em discotecas de Brasília nos anos 1970 e, antes disso, colecionava vinis. Cheguei a ter mais de 10 mil discos e todo dinheiro que ganhava ia para isso — minha mãe dizia que um dia eu ainda ia andar com um disco na frente e outro atrás”, conta, aos risos. “Eu escutava muita música, perdi muito tempo da minha vida com isso, era meio que uma obsessão”, diz. Apesar de não tocar nenhum instrumento, ele se tornou expert neles e juntou a isso o tino comercial para fazer o negócio dar certo. “Vender é o que eu faço de melhor”, observa Marcos.

 

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harmoniaweb.com.br / 3347-4977 / 99653-1952