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Vagas temporárias são atalho para emprego fixo

A menos de dois meses do Natal, pipocam oportunidades de fim de ano, especialmente no comércio varejista. Para conseguir uma chance, a dica é apostar num currículo objetivo e demonstrar interesse durante a entrevista. Depois de selecionado, começa a batalha pela efetivação e, especialistas garantem, as chances de permanecer na empresa são grandes: basta se dedicar

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postado em 29/10/2017 13:18 / atualizado em 29/10/2017 13:45

Quer transformar a vaga temporária em definitiva?


Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
 

 

A menos de dois meses do Natal, pipocam oportunidades de fim de ano, especialmente no comércio varejista. Para conseguir uma chance, a dica é apostar num currículo objetivo e demonstrar interesse durante a entrevista. Depois de selecionado, começa a batalha pela efetivação e, especialistas garantem, as chances de permanecer na empresa são grandes: basta se dedicar

 

Foi dada a largada para a corrida por uma vaga temporária no fim do ano. Lojistas e industriais estão entre empregadores que reforçam a mão de obra para dar conta do recado durante as vendas e a produção de Natal e ano-novo. Em geral, as contratações ocorrem entre setembro e dezembro; e os selecionados trabalham até janeiro. Em Brasília, 31,8% dos comerciantes devem abrir cerca de 3,9 mil oportunidades do tipo, segundo expectativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio). A boa notícia é que 75,6% dos selecionados devem ser efetivados após o período de festas. A Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) espera que, no total, sejam abertas 207.590 chances temporárias no Brasil. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê o recrutamento de 73 mil pessoas nacionalmente — equivalente a crescimento de 10% com relação ao ano passado —, das quais 27% devem passar a integrar o quadro fixo.

 

Mais do que chances momentâneas, essas vagas são atalhos para o mercado de trabalho, já que as possibilidades de concretizá-las com carteira assinada são altas, como ressalta Indianara Ferreira, diretora do Suporte ao Cliente no grupo de recursos humanos NVH. “Sempre vi todos os melhores temporários serem contratados. Só depende do resultado entregue”, afirma ela, que atende varejistas há 16 anos. Afinal, a permanência na firma também é de interesse das empresas. “As companhias veem esse tipo de trabalho como uma forma de identificar talentos. Então, se a pessoa é interessada e engajada, as probabilidades de efetivação são grandes”, salienta. Carlos Cruz, diretor do Instituto Brasileiro de Vendas (IBVendas), observa que, para ser efetivado, o empregado temporário deve se destacar e mostrar razões para permanecer. “A pessoa precisa entender qual o resultado esperado e quais são as metas. Alcançando-as, há grandes chances de continuar na empresa”, garante.

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
 

 

Receita de permanência
Renata Monnerat, gerente de Marketing do Brasília Shopping, confirma a importância de vagas sazonais. “Hoje, cerca de 70% da minha equipe passou por algum contrato temporário”, diz. “Às vezes, a contratação não acontece imediatamente, mas quando surge uma vaga, a gente se lembra dos melhores”, relata. O comportamento é decisivo para isso. “O primeiro passo é ter uma postura empática com o cliente. Prestatividade, assiduidade, boa apresentação e postura também são importantes”, enumera. “É muito melhor ficar com alguém conhecido do que treinar um funcionário novo”, comenta. Assistente de Marketing no Brasília Shopping, Gabriela Mendes, 32 anos, é prova disso. Ela atuou como recepcionista temporária mais de uma vez, tanto no Natal quanto no Dia das Mães, até que apareceu o convite para continuar no shopping. “A equipe sempre me incentivou, ao dizer que este era o meio de conseguir um emprego fixo”, conta. Também foi o jeito encontrado por ela de retomar a carreira.

 

“Tive minha filha e fiquei quase quatro anos afastada. Então, usei esse caminho para voltar ao mercado.” O segredo para a permanência foi a dedicação. “Sou muito comprometida”, garante ela, que é graduada em relações públicas. Após a efetivação, Gabriela foi recepcionista por um ano até realizar o sonho de atuar na área de formação, passando a ser assistente de Marketing há oito meses. “A vaga surgiu e, como eu tinha qualificação, me deram essa oportunidade”, relembra. Atendente no fraldário do Iguatemi Brasília, Vanezia Pereira, 37 anos, começou na função devido a uma vaga temporária aberta em março deste ano, para cobrir uma licença-maternidade. O que fez a diferença para permanecer na empresa foi o fato de ela sempre dar o melhor de si e ser bastante responsável. “Eu estava consciente de que era algo provisório, com possibilidades de se tornar fixa. Então sabia que precisava demonstrar um diferencial. Eu tinha confiança desde o início nisso”, conta.


Graduada em recursos humanos, Vanezia deixa conselhos para aspirantes a empregados. “Não pode desanimar de forma nenhuma: a vaga temporária é um passo inicial para o crescimento. Às vezes, a efetivação pode não vir de forma imediata, como foi comigo, mas pode aparecer depois de alguns meses, pois o supervisor pode se lembrar de você”, aconselha. Técnico em design gráfico, Adriano Mendes, 29, quer seguir os passos de Gabriela e Vanezia planeja usar as vagas sazonais como atalho para superar o desemprego, que já dura dois anos. “Mandei currículo para vários lugares e estou disposto a ocupar qualquer função. Nesta época de fim de ano, as chances de conseguir trabalho aumentam”, ressalta. Ele tem vivido de oportunidades temporárias. “O que tem me salvado são os trabalhos como motorista intermitente, em que cubro férias de funcionários.” Ele aposta que o investimento em educação pode ajudar a diferenciá-lo, por isso cursa faculdade de ciência política.

 

Para chegar lá

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
 

 

Antes de pensar na sonhada efetivação, é preciso conquistar uma oportunidade de fim de ano. O número de vagas temporárias abertas apresentou queda nos últimos anos, com ligeira recuperação em 2017.  Segundo Carlos Cruz, do IBVendas, independentemente da quantidade, este é um período propício para conseguir emprego, especialmente entre os mais capacitados. Por isso, é preciso estar preparado para as oportunidades que surgirem. “Dá para encontrar muitos cursos gratuitos na internet”, indica. Na visão dele, quem tenta entrar no mercado pela primeira vez não precisa desanimar. “Muitos varejistas contratam pessoas sem experiência, desde que tenham vontade de trabalhar e brilho nos olhos”, afirma o administrador. Graduada em administração e marketing pela Universidade Bond, na Austrália, Indianara Ferreira lista dois pontos essenciais na disputa: o currículo e a hora da entrevista. “O primeiro é a porta de entrada para as empresas visualizarem as competências do candidato. Quanto mais bem estruturado estiver, mais ele se destacará”, diz. Já a entrevista é a chance de mostrar seu potencial: é importante chegar sabendo o histórico e o momento atual da empresa.” Segundo ela, não adianta tentar embromar: “É preciso mostrar que é qualificado para a vaga e mostrar proatividade, mas sendo verdadeiro e transparente”.

 

Arquivo Pessoal
 

 
A pedagoga Suzzany Cristini de Araujo, 27 anos, começará a trabalhar como noelete no Terraço Shopping em 12 de novembro. Este é o terceiro ano seguido que Suzzany conseguiu vaga temporária — das outras vezes, ela atuou como vendedora, atendente em palestras e boneca russa durante uma exposição temática. “Durante a conversa com o recrutador, sou muito sincera e me mostro bastante disponível”, conta. Ela acredita que ganhou a oportunidade de ser noelete por causa das experiências anteriores. “Meus últimos trabalhos falam por mim. Sou cadastrada numa empresa de vagas do tipo e eles me indicaram também”, afirma. Suzzany não se interessa pela efetivação, apesar de acreditar que são altas as chances para quem busca isso. “Larguei o emprego fixo para estudar para concursos”, explica. Na primeira vez em que ela trabalhou nessa categoria, na função de vendedora, chegou a ser efetivada numa loja de roupas, onde ficou por um ano. Para ficar no cargo depois de janeiro, ela percebe que algumas características são necessárias. “Eu sempre procuro mostrar disponibilidade, pontualidade e esforço, que eu acho crucial”, ensina.

 

Palavra de especialista

Temporário com direitos


A lei autoriza a contratação de temporários quando há aumento de demanda — é o caso do fim do ano, mas é necessário seguir algumas formalidades. Esse tipo de oportunidade é tão formal quanto qualquer outra e a pessoa precisa ter carteira assinada durante o período. Outras garantias são: remuneração equivalente ao recebido por funcionários na mesma função na empresa, respeito ao piso da categoria ou salário mínimo, jornada máxima de oito horas por dia, pagamento de hora extra, férias e 13º salário proporcionais (de acordo com a Lei nº 6019/1974). A contratação deve seguir regras e disposições legais para evitar a autuação do Ministério do Trabalho. A reforma trabalhista, ao entrar em vigor em novembro, pode beneficiar esses trabalhadores: com ela, o contratante terá que oferecer refeição e assistência médica ao empregado temporário. Apesar dessa nova legislação trazer nuances não tão benéficas, acredito que, devido a ela, as chances de contratação podem aumentar. Se a pessoa for efetivada, não há necessidade de exigência de tempo de experiência e, nesse caso, o contrato anterior deve ser rescindido após o pagamento de todos os direitos.
Ana Luísa Castro, advogada trabalhista do escritório Kolbe Adragados Associados

 

Manual para ser selecionado

A consultora de RH Indianara Ferreira, especialista em gestão de negócios, dá o passo a passo para conquistar uma vaga temporária:

1) De olho no calendário
Em outubro, novembro e dezembro, são abertas vagas no varejo. Em setembro, a oferta vem da indústria, porém, em 2017, essas contratações começaram no fim de julho. Outubro é a época em que lojas maiores contratam; em novembro, lojas menores tendem a ampliar o contingente. Estar atento às datas é muito importante, não só para garantir o emprego por mais tempo, mas também para ter mais chances de mostrar serviço e ser contratado como fixo.

2) Atenção ao contrato
Apesar das mudanças na legislação, o trabalhador temporário ainda conta com os mesmos direitos do efetivo, como hora extra e descanso semanal remunerado. Não é bico. Por isso, preocupe-se com o contrato. Se gostarem de você, em janeiro, esse tipo de oportunidade se torna efetiva, mas faça questão de ganhar os direitos do período.

3) Currículo é porta de entrada
No documento, seja assertivo, curto, objetivo e direto. Cite as últimas três experiências profissionais, destaque cursos relacionados com a vaga, além de deixá-lo personalizado à área buscada.

4) Procure agências
Esse tipo de empresa, especialmente quando especializada em trabalho temporário, é a melhor opção para a época. Vale a pena ainda acessar o site do Ministério do Trabalho (trabalho.gov.br) e verificar se a agência tem registro.

5) Fator humano conta
Para essas vagas, geralmente são buscados requisitos básicos, como ensino médio completo, idade entre 18 e 45 anos, simpatia, comunicação clara e trabalho em equipe — ou seja, o relacionamento interpessoal conta muito. Vale a pena desenvolver essas habilidades. As entrevistas reúnem muita gente e o critério de seleção é rígido: então demonstre que consegue prestar atenção em tudo e efetivar uma venda, por exemplo. Ter um contato que possa te indicar para a vaga é muito positivo.

6) Cuidado com as redes sociais
Não é só para vagas efetivas que departamentos de RH costumam analisar os perfis dos candidatos na internet. Agredir pessoas e marcas on-line é um comportamento malvisto. Uma loja não vai contratar quem acabou de difamá-la na internet, ou mesmo quem fez um comentário preconceituoso ou de ódio.

7) Não se distraia
Olhos atentos são sempre úteis. Andamos o tempo todo por comércios, dos mais simples, de bairro, até os mais famosos, em shoppings. Esta época é fértil. Aproveite para verificar anúncios de vagas nas vitrines e deixar currículos conforme anda pela cidade — sim, entregar de porta em porta ainda é uma estratégia que funciona.

 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa