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Em entrevista, Ricardo Diniz dá dicas para jovens que querem chegar ao topo

Executivo paulista esteve à frente de diversas empresas e mostra o caminho das pedras para iniciantes em livro recém-lançado. Trabalhar duro e não desistir do que se quer estão entre os conselhos presentes na obra

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postado em 29/10/2017 14:17

Arquivo Pessoal

 

Ricardo Diniz tem larga experiência no comando de empresas e chegou a liderar o YPO (Young Presidents Organization), organização global de CEOs em que continua membro ativo. Há cinco, é vice-presidente do Bank of America Merrill Lynch — grande banco de investimentos nos Estados Unidos — no Brasil e da Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI). A partir da trajetória trilhada para chegar lá, ele escreveu o livro Como chegar ao topo nas empresas.  “Na capa, aparece um executivo lá no alto, mas uma bolinhanão está na mão dele. Isso porque, não importa aonde você chegue, sempre tem um objetivo a mais a ser conquistado”, comenta o paulista de 59 anos. A obra é tanto uma autobiografia quanto um guia para o sucesso no mundo dos negócios.


Ricardo começou a carreira como estagiário de engenharia civil numa metalúrgica. Ainda jovem, abandonou a área para correr atrás do sonho de liderar uma  empresa. Graduado em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele foi presidente do grupo de comunicação Thomson Reuters no Brasil e na América Latina; diretor da agência de negócios eletrônicos Broadcast, do jornal O Estado de São Paulo; e sócio-fundador da Meca Teleinformática, vendido para O Globo. Fez cursos de curta duração nas universidades de Michigan e Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Como surgiu seu livro?
Reuni uma série de conselhos que dei a amigos e pensei: acho que isso daqui está bacana. Então, estruturei uma apresentação melhor para ajudar os leitores.

Qual era seu diferencial para chegar ao topo?
Eu tinha esse objetivo e o persegui muito. “Deus ajuda quem cedo madruga”. E é mesmo. Não tem vitória sem esforço. No livro, ficam claras as barreiras que enfrentei, pois ele é separado por desafios. Apostei muito em mim. É lógico que houve sorte no caminho, mas lutei muito para ir atrás do primeiro e do segundo emprego... Batalhei ao tentar mostrar um diferencial enquanto era estagiário. Por fim, sempre visualizei minhas metas: eu escrevia no papel o que desejava. “Em 15 anos, quero chegar ao cargo de presidente”, por exemplo.


Entre os conselhos presentes na obra, quais são mais importantes?
O primeiro é trabalhar duro. Outro é não pensar só no próprio crescimento. Quando você enxerga a evolução como coletiva, dá condições para as outras pessoas se sentirem parceiras. Se você pensar apenas no ‘eu’, dificilmente construirá algo de que possa se orgulhar amanhã. O começo da carreira não é fácil, todos somos picados pela mosca da ambição e do ‘eu’. Quanto mais você se igualar aos outros e trouxer todo mundo para o mesmo time, melhor. Entenda também que, no mundo, não há somente vitórias. Aprendi uma coisa muito bacana com Olavo Setúbal (executivo responsável pela expansão do Banco Itaú). Perguntei a ele: “qual é a razão do seu sucesso?”. A resposta foi surpreendente: “é o fato de eu ter acertado 51% na vida”. Achei aquilo de um brilhantismo e de uma humildade enormes. Saber lidar com os momentos em que não se faz gol nos ajuda a crescer.

Qual conselho você pode deixar as  jovens que ainda não sabem
que caminho seguir?

A leitura é um grande caminho. Eu não tinha Google ou Amazon. Hoje, dá para fazer várias pesquisas e há uma infinidade de oportunidades. É importante também nunca esquecer o diálogo. Meu livro é fruto de muita conversa com vários jovens. É preciso viver não só no mundo virtual, mas também no físico e olhar as pessoas. Então, o conselho que dou a jovens é: pesquisem. A cultura faz com que a gente diminua bastante esse sentimento de insegurança, normal na juventude. Passei por isso, tive muita dificuldade em escolher qual faculdade seguir, apesar de saber aonde eu queria chegar. Quando você se decidir por uma coisa, não a abandone no meio do caminho, vá até o fim.

Como foi transitar por companhias concorrentes, como Meca, Broadcast e Reuters?
Era o caminho natural. Acabei passando para a concorrência quando saí do O Globo para o Estadão. O primeiro ainda tentava entender aonde iria o mercado de notícia sobre bolsa de valores em tempo real, por isso comprou a Meca — mas ela não era o foco da empresa na époeca. Já no Estadão, a Broadcast era foco, tinham colocado muita energia naquilo. Foi uma passagem dura, mas necessária para a continuidade da minha carreira. Quando a Reuters comprou a Bridge — provedora de dados para a Meca e uma empresa que eu representava —, vi a oportunidade de ir para um negócio internacional.

De que forma você transparecia e transparece a ética profissional no ambiente corporativo?
Sempre sendo muito transparente com os funcionários quanto aos objetivos da empresa. É preciso falar abertamente sobre lutar pelo mesmo objetivo. Dá uma sensação de “poxa vida, o cara está sendo franco”.

Uma parte do livro compila 50 tuítes seus. Como se dá sua interação com as redes sociais?
Acabei usando as redes sociais, graças a um amigo que, toda sexta-feira, me passa dizeres de pessoas conhecidas com mensagens positivas. Então percebi que seria legal passar coisas boas ao público e comecei a publicar frases no Twitter. Quanto mais você estiver imbuído de mensagens positivas, mais o mundo vai lhe sorrir. Quanto mais você ajudar o próximo e estiver disponível para as pessoas, melhor será. Quando mais experimenta dar, mais recebe. Exerço o propósito de passar boas mensagens nas redes sociais e também no livro.

O que você ainda quer alcançar?
Neste estágio da vida, quero ajudar os outros a encurtar os caminhos para chegar ao topo por meio de bons ensinamentos. O livro é uma parte do que faltava. Mas falta muita coisa. Ainda estudo, vou à Universidade Singularity no Vale do Silício. E tenho muita coisa para aprender; é importante nunca parar.

 

10 princípios para conquistar o topo

Confira conselhos de Ricardo Diniz para o êxito empresarial

 

1) Defina propósitos — o que, para o autor, é definir o próprio caminho — das escolhas feitas no decorrer da vida profissional e deixe a intuição fluir sobre elas.

2) Valorize as relações humanas, cultivando vínculos de longo prazo. Não espere sempre que o cliente venha a seu espaço — observe-o para entendê-lo melhor e fazê-lo se sentir valorizado.

3) Se você quiser ser empresário e fazer sucesso, precisa conviver com incertezas. O risco não pode ser unilateral.

4) Seja sempre transparente nas suas relações profissionais para gerar confiança e fortalecer alianças.
5) O cliente é o centro de todo processo: gestão, administração, atendimento, tudo gira em torno dele.
6) Tenha um olhar seletivo para ver o lado positivo das coisas. Não se deixe cegar pelos obstáculos

7) Esteja pronto para mudanças repentinas. Nesses casos, paciência e persistência serão suas armas mais poderosas.

8)  Enfrente as novas rotinas e dificuldades, evitando tempo ocioso e ruminações e ocupando a mente de forma positiva.

9) Seja seu próprio headhunter, ou seja, não espere que ninguém o descubra e o contrate. Mantenha uma rede de contatos, descubra em qual posição e em que empresa você se encaixaria.

10) Trabalhe com prazer e viva em paz.

 

 

*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa