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Edu vende até 200 marmitas na UnB, no ICC Sul

Parmegiana de frango é o prato mais popular. Além de alunos, pessoas de fora da universidade procuram a comida dele diariamente

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postado em 12/11/2017 23:30 / atualizado em 13/11/2017 00:42

 

Quem passa pela entrada sul do Instituto Central de Ciências da Universidade de Brasília (ICC/UnB), no câmpus Darcy Ribeiro, logo sente o cheiro das quentinhas de Eduardo Andrade, 38 anos. O segundo sentido a ser encantado é a visão, já que os pratos têm aparência apetitosa. Por fim, o comerciante, conhecido como Edu, ganha os clientes pelo paladar. “As pessoas sempre elogiam muito”, conta. De segunda a sexta-feira, oferece 10 opções de prato por dia. Parmegiana e estrogonofe de frango, risoto, churrasco, filé de peixe estão entre as possibilidades, sempre acompanhadas de complementos, como arroz, feijão, macarrão, farofa de banana, salada e legumes cozidos. “Não tem menu fixo por dia. Eu sei do que o pessoal gosta e vou alternando”, explica. Cada uma a R$ 10, com exceção da lasanha (de frango, carne, palmito ou berinjela), que sai por R$ 12.


“Essa massa é minha mãe que faz e eu vendo para ela”, explica. A refeição ainda vem com uma bebida de 250ml (água, suco ou refrigerante). Eduardo trabalha nesse ponto da instituição de ensino há três anos e meio. Ele começou vendendo de 25 a 30 pratos por dia e, hoje, comercializa de 180 a 200. “E sei que haveria potencial para um número até maior, então estou me estruturando”, diz. O crescimento foi tão grande que levou tanto Edu quanto a esposa, Elis Lopes, ex-gerente de uma loja de roupas, a largarem o emprego para se dedicarem ao negócio e até construírem uma cozinha industrial no terreno de casa. Edu trabalhava como vigilante no Data Center do Banco do Brasil. Ao perceber os efeitos da recessão econômica e da inflação, notou que o salário se tornava cada vez mais curto. Para conseguir uma segunda fonte de renda, apostou num antigo hobby: a culinária. “Sempre gostei muito de cozinha, aprendi observando minha mãe”, conta.


Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

Foi então que ele passou a preparar marmitas. “Meu trabalho de vigilante era à noite; então eu preparava a comida de manhã e vendia à tarde.” O morador de Sobradinho conciliou as duas atividades por um ano e meio, mas viu que o bico tinha potencial para render muito mais e optou por largar o emprego em vigilância. “A gente sempre tem um pé atrás ao tomar uma decisão dessas, mas fui confiante porque é uma coisa que gosto de fazer”, relata. Para atender a demanda atual, Edu conta com a ajuda da mulher (responsável por preparar saladas e fiscalizar a cozinha) e de três colaboradores (que atuam na limpeza, nas vendas e no fechamento das marmitas). Mesmo com uma equipe, a lida não é fácil: ele acorda às 5h30 para começar a cozinhar. Das 10h40 às 14h, trabalha nas vendas na UnB.

 

Rotina
Ao voltar para casa, passa a adiantar os pratos do dia seguinte e só para às 22h. No tempo livre, ainda precisa fazer compras de peso. “São 75kg de arroz, 22kg de feijão, 13kg de macarrão, 10kg de farinha, 100 frangos…” Na hora de comprar, Edu tem a máxima: “Não vale a pena economizar na qualidade, sob o risco de perder a clientela”. É a esse fator que ele atribui, inclusive, o sucesso do negócio. “Não meço gastos e esforços para fazer um bom alimento. O preço da carne pode estar alto, que coloco picanha, não tem problema. Não dá para desleixar”, justifica. É claro que o jeito de Edu para a cozinha também ajuda. “Minha mãe é mineira, então minha comida é puxada para esse lado. As pessoas elogiam muito meu tempero, uso cebola, alho, coloral, chimichurri, páprica”, revela.


Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

Pai de um rapaz de 17 anos, Edu não tem folga das penelas nem nos fins de semana. “Quando estou de folga, o pessoal sempre pede para eu cozinhar, numa chácara, num clube”, afirma. Hoje em dia, ele pegou tanto a prática da rotina que nem experimenta mais o que prepara. “Mesmo assim, as receitas saem sempre com o mesmo gosto”, observa. Além de alunos e funcionários da UnB, profissionais de outros órgãos, como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), se tornaram clientes fiéis de Edu. “É uma clientela fidelizada, a maioria das pessoas compra de mim todo dia. Muitos vêm de longe e pedem para eu começar a vender em outros pontos.” Para garantir que isso continue assim, o comerciante oferece um cartão fidelidade: a cada 10 marmitas, uma sai de graça.b