FORMAÇÃO »

Vale a pena fazer MBA?

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 19/11/2017 13:26 / atualizado em 22/11/2017 15:39

Fazer MBA em que área?

 

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
 

 

Finanças, gestão de pessoas e negócios, projetos, comercial, marketing e políticas públicas e relações institucionais (especialmente em Brasília) são citados como assuntos interessantes por especialistas.


No entanto, o que mais importa é que o curso seja no seu ramo, no que você deseja se destacar

 

Enquanto a crise financeira ainda persiste no país e o desemprego permanece em alta, investir em capacitação aparece como um conselho comum de especialistas em RH. No entanto, muitas vezes, isso envolve pagar caro, por isso é preciso escolher com critérios. O MBA pode aparecer como boa opção para quem não tem formação acadêmica em administração e precisa adquirir conhecimentos sobre gestão. A questão que fica frente ao investimento de tempo, dinheiro e esforço é: vale a pena? Luiz Wever, CEO da consultoria Odgers Berndtson, não tem dúvidas: esse tipo de formação continua válida. “Alguns segmentos buscam, especificamente, profissionais com o título no currículo, como é o caso do setor financeiro, formado por bancos e outras instituições. Além disso, o indivíduo que fez uma pós do tipo geralmente apresenta perfil mais completo como gestor, o que abre portas para galgar cargos mais altos dentro das corporações”, aponta. Porém, não adianta fazer um curso apenas por fazer. “O MBA é uma ferramenta que pode alavancar bastante a carreira do profissional, desde que tenha a ver com o que ele faz”, alerta o administrador pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em gestão pela Fundação Dom Cabral (FDC).


Para acertar na hora de escolher, é preciso levar em consideração a área (afinal, há ramos do mercado mais aquecidos ou saturados do que outros) e as credenciais da instituição. Luiz Wever cita gestão de negócios, finanças e marketing como temas de concentração interessantes para MBAs. Para Emerson Barbosa, conhecido como Emerson BZ, professor de estratégia empresarial, empreendedorismo, liderança e inovação no Institute Business Education (IBE/FGV), as cinco áreas mais promissoras para se fazer MBA são gestão de pessoas, negócios, projeto, comercial e finanças. “Cada uma delas ensina uma parte importante de como levar qualquer empreendimento ao sucesso”, diz. Já José Gaspar Novelli, coordenador de pós-graduação do Ibmec-DF, considera que todos os ramos de MBA são bem visados pelo mercado. No contexto de Brasília, o destaque é políticas públicas e relações institucionais. “Um curso sobre isso trata de gestão de modo mais voltado ao setor governamental e a empresas e órgãos que são relacionados a algum dos três poderes”, explica.


Karla Alcides, diretora de programas internacionais da Katz Graduate School of Business, da Universidade de Pittsburgh, acredita que todas as áreas de aprofundamento são bem demandadas pelo mercado. “Ao conversar com recrutadores, todos falam que existe uma falta de profissionais qualificados, apesar do alto nível de candidatos disponíveis para seleção. O que o profissional precisa é saber qual o seu talento e o que gosta de fazer. Em que, no fundo, busca ser reconhecido e, a partir daí, escolher uma área de MBA”, afirma. Beatriz Rodriguez Canhaci, 23, é prova de que, em termos de empregabilidade, esse tipo de pós-graduação pode ser a escolha certeira para quem deseja turbinar as próprias competências e achar um lugar ao sol no mundo corporativo.  Analista de escritório de gestão, na empresa de software Xys Tecnologia, ela conseguiu o emprego por meio da indicação da coordenadora do MBA que faz em gestão de processos no Ibmec.


“O curso é muito voltado para o mercado. Ingressei nele em setembro de 2016 e, em novembro do mesmo ano, consegui essa vaga. Hoje, aplico, na prática, muito do que aprendo”, relata a administradora formada pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Ela escolheu a área do MBA por ter estagiado nesse ramo e por não ter tido, ao longo da graduação, muitas disciplinas voltadas a ele. “A oportunidade de trocar experiência com profissionais que atuam no mesmo setor que eu é muito enriquecedora também”, comemora. Para Beatriz, uma vantagem da modalidade de formação é que ela não foca apenas competências técnicas. “Tenho espaço para desenvolver minhas habilidades gerenciais”, explica.

 

Entenda o termo
O MBA, como sugere o significado da sigla (Master in Business Administration, literalmente mestrado em administração de negócios, em português), é um tipo de pós-graduação voltada para gestão. Apesar do nome original em inglês, no Brasil, esse grau de formação equivale a uma especialização — fato que pode causar confusão, pois, no exterior, o diploma dá ao portador o título de mestre. O primeiro curso da modalidade no país foi ofertado em 1973 pelo Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ).

 

Formação internacional

 

 

Galleta/Divulgação


Os MBAs mais bem avaliados envolvem parcerias entre universidades de diferentes países para proporcionar aos alunos uma experiência internacional. Os únicos cursos brasileiros que aparecem no ranking de 2017 dos melhores do mundo elaborado pelo jornal Financial Times envolvem esse tipo de convênio: são o da FGV e o da Universidade Presbiteriana Mackenzie. As instituições modelaram as formações em parceria com instituições de Estados Unidos, México, Holanda e China (saiba mais no quadro na página 4), trazendo como vantagem a criação de uma rede de contatos internacional. O MBA da Mackenzie, em parceria com a Universidade de Pittsburgh (EUA), é ministrado apenas em inglês e de forma presencial. De acordo com Karla Alcides, diretora de programas internacionais da Katz Graduate School of Business, da Universidade de Pittsburgh, o programa tem 18 meses de duração com caráter imersivo. Os professores vêm de diversas partes do mundo e é obrigatória a vivência de duas semanas dos brasileiros na universidade americana e de uma semana dos americanos no Brasil.

 

“Quanto mais diverso, mais rico é o ambiente de aprendizado. Além disso, contamos com professores que são orientados a provocar essas trocas de experiências em sala de aula”, conta. Além da vivência dos estrangeiros aqui e de brasileiros no país norte-americano, alunos de ambas as origens se juntam para passar uma semana na China, onde, além de aulas, fazem visitas a empresas e conhecem profissionais que aplicam conhecimento adquirido na prática. “Preparamos executivos para gerir melhor as empresas nacionais e multinacionais que atuam no Brasil com ética, sustentabilidade e diversidade”, garante Karla. A diretora frisa que, além do desenvolvimento técnico, os alunos têm a oportunidade de se desenvolverem no âmbito pessoal, na formação como líderes. “Dois pontos fundamentais para um bom MBA são pessoas e estratégia”, elenca. De acordo com ela, a procura por MBAs do tipo vem crescendo no Brasil, mas não na mesma proporção que ocorre em outros lugares do mundo, como China e Cingapura. Dessa forma, a classe executiva brasileira, que é muito competente, busca cada vez mais essa formação no exterior. “Internacionalização e trocas de experiência entre colegas de turma são indispensáveis para a formação de bons empresários.”

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
 

 
Milton Passaro Nogueira, 44 anos, concluiu o MBA Mackenzie/Pittsburgh em 2012 e conta que, apesar de ser funcionário público, o curso foi fundamental para aprimorar o currículo e para aprimorar a rede de contatos dele. “O MBA dá uma boa base de finanças, estratégia empresarial e negócios”, conta ele, que é gestor de riscos da Caixa Econômica Federal em Brasília. Ele percebe que o setor público também demanda formação em gestão para garantir boa prestação de serviços, por isso procurou o curso por conta própria. “Sempre busco aprimoramento profissional e foi pensando em me atualizar que decidi fazer o curso”, afirma o economista pela Universidade Católica de Salvador, mestre em administração pública pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em gerenciamento de risco pela Universidade Reading, no Reino Unido. “A excelência deve sempre estar no radar de qualquer profissional”, analisa Milton, que trabalhou na área comercial na AkzoNobel, multinacional do ramo de tintas e revestimentos, e na área financeira na divisão de mineração da Saint Gobain.

 

Referências de peso

 

 

Arquivo Pessoal
 

 

O Coppead/UFRJ, além de ser o primeiro instituto a oferecer MBA do Brasil, em 1973, foi a primeira escola pública de administração do país a aparecer entre os 100 primeiros na Executive MBA Ranking do Financial Times. O reconhecimento veio duas vezes consecutivas em 2014 e 2015. O curso da unidade tem 400 horas no total, sendo que 40 são executadas numa escola conveniada no exterior, 260 em formação geral em gestão e as 100 últimas são despendidas em alguma ênfase: economia e gestão em energia, empreendedorismo, estratégia, gestão de saúde, inovação e design thinking, logística e supply chain ou marketing e valuation. “Para entrar no programa de MBA do Coppead, exigimos vivência de mercado de oito a 10 anos: apreciamos a troca de experiência entre os alunos, um dos nossos diferenciais”, explica Eduardo Raupp, coordenador do curso no instituto.


As aulas são ministradas em português, mas é recomendada a fluência na língua inglesa para ingressar no curso, por conta do Módulo Internacional (uma semana intensiva de estudos oferecida no exterior, em uma escola parceira do Coppead). “Entre as ênfases, a procura pelas áreas de estratégia, de finanças (especificamente na área de valuation) e marketing tem sido o destaque e reflete, a meu ver, a demanda do mercado”, explica. Bruno Reis Freitas, 34, escolheu se aprofundar em finanças durante o curso. O analista de preços da Petrobras considera o MBA do Coppead uma boa oportunidade de aprendizado. “O curso dá uma visão ampla do funcionamento da parte financeira de uma empresa”, analisa. Graças à pós-graduação, ele tem expectativas de conseguir novas oportunidades dentro da empresa pública. Economista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), Bruno iniciou o MBA em março de 2017 e deve concluí-lo em dezembro deste ano. “Eu me matriculei por iniciativa própria. Minha intenção é aprimorar meus conhecimentos na área e me atualizar”, relata.

 

 

 

Áreas de alto potencial

Confira alguns temas interessantes para focar durante um MBA

1 . Gestão de pessoas: a área é essencial para lidar com o elemento presente em todos os processos dentro de uma empresa: as pessoas. “É um ramo essencial para a formação de um bom executivo”, define Karla Alcides. Para Emerson BZ, é um desafio enorme lidar com pessoas e engajá-las para que sejam mais produtivas, por isso, o curso se torna muito válido.

2 . Gestão de negócios: é para quem precisa desenvolver uma visão estratégica do negócio. Aconselhada para quem quer trilhar a carreira em busca do cargo de CEO ou diretor executivo de uma empresa. “É a área que dá uma formação mais completa para o gestor em todos os setores do negócio”, diz Luiz Wever. “O curso de MBA em projeto ensina a definir o objetivo, o desenvolvimento e a entrega de um projeto”, explica Emerson BZ. A área se mostra relevante no momento, principalmente pelo boom de startups. Mas não é só isso: depois de conquistar um lugar no mercado, a empresa não pode se acomodar, sob o risco de perder competitividade

3 . Projeto: toda empresa tem problemas em um ou mais setores. Eles são uma constante. Projetos são a solução.  “Diferentes de processos, os projetos têm início, meio e fim e são aplicados para a solução de abacaxis. No curso de MBA, você aprende a definir o objetivo dele, o desenvolvimento, a gestão e, por fim, a entrega”, explica Emerson BZ.

4 .  Comercial: a área de comércio é uma combinação da estratégia do marketing com vendas e vai destrinchar as diversas fases pelas quais um cliente passa até efetuar a compra de um produto — atração, despertar de interesse, desejo e a compra .O MBA na área comercial é essencial para aprimorar todo esse processo. Vender cada vez mais, e com qualidade, é o desafio. “É uma combinação da estratégia do marketing com a parte operacional de vendas”, define Emerson BZ.

 

5 .   Finanças: é de suma importância mensurar o retorno de todo o esforço despendido em um negócio e isso pode ser visto nos números. Manter a capacidade de reinvestimento é o ponto-chave para a saúde de uma empresa. “Essa área prepara o executivo para alcançar os objetivos estratégicos no setor financeiro da empresa”, afirma Luiz Wever.  Contudo, para fechar todas as habilidades necessárias para a boa condução de empresas, não podemos esquecer as finanças. Gestão financeira é uma área fundamental para a saúde de uma companhia. “É necessário medir os retornos, entender se todo esforço que você despendeu teve resultado”, conclui.

6 .  Marketing: “Esta é a área que ensina o executivo a preparar a empresa dele para enfrentar o mercado”, conta Luiz Wever.
O profissional que consegue aplicar as estratégias do marketing toma as melhores decisões e se destaca entre
os demais.

 

Cursos de pós-graduação

O Ibmec/DF está com inscrições abertas, até sexta-feira (24), para cursos de pós-graduação com carga horária de 450 horas. As oportunidades são para os programas: Global MBA (em business management, controllership e finance), LL.M. (pós-graduação lato sensu legal master em direito empresarial e em direito tributário e contabilidade tributária), MBA (cursos de especialização em finanças, gerenciamento de projetos, em gestão de marketing, negócios, processos — bpm, recursos humanos, políticas públicas e relações institucionais) e pós-graduação em direito e processo do trabalho. Os cursos de MBA têm investimentos de R$ 23.000 (à vista) ou em até 1+29 de R$ 896,42 e a pós-graduação de R$ 21.000 à vista ou em até 1 29 de R$ 818,47. As aulas começam em dezembro e as inscrições podem ser feitas pelo site www.ibmec.br

 

 

 

*Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa