PERFIS DE SUCESSO - LUIZ CLáUDIO DA MATA »

Arquiteto de jogos

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postado em 19/11/2017 14:02 / atualizado em 19/11/2017 14:39

 

 

Luiz Cláudio da Mata, 27 anos, montou a primeira casa focada em jogos de tabuleiro de Brasília: a Orgutal. Aberta em 5 de novembro de 2011, na 205 Norte, a empresa funciona como loja, pois vende games, e espaço para interação entre jogadores, que pagam de R$ 5 (de terça a quinta-feira, para algumas modalidades específicas) a R$ 10 para entrar. O local também organiza campeonatos e eventos temáticos. Luiz Cláudio é arquiteto e urbanista e, até 2015, conciliou as atividades empresariais com o trabalho na área de formação num escritório. Apesar de parecerem áreas tão diferentes, ele conseguiu fazer uma ponte entre as duas. “Procurei o local onde ficamos logo de cara porque uma das coisas mais legais dos jogos é acessibilidade: eles permitem a todo mundo se divertir, inclusive pessoas com deficiência (Luiz Cláudio inclusive faz trabalho voluntário em hospitais, levando jogos para pacientes internados). Esta quadra também é acessível por ter rampas e um design diferenciado”, relata. A proximidade com a Universidade de Brasília (UnB), o Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e o centro da cidade é outra vantagem.


A graduação, acredita Luiz, também o ajuda a ter ideias para o negócio. “Fiz arquitetura porque queria trabalhar com invenção, é um ramo que mexe com criatividade. E, numa empresa, você tem que ser criativo todo dia”, percebe. A Orgutal recebe cerca de 2 mil clientes por mês, número que salta para 3,5 mil nas temporadas de férias escolares. Apesar disso, Luiz Cláudio observa que o público-alvo não é formado apenas por estudantes e é bastante eclético. “Nosso objetivo, inclusive, é despertar a família e toda a sociedade para o jogo”, diz. “A loja tem 5 mil pessoas cadastradas e chuto que cerca de 30 mil pessoas fazem parte da comunidade de jogos de tabuleiro no DF.” O local funciona de terça a sábado, a partir das 14h entre sextas e sábados e a partir das 18h nos demais dias. Durante mais de um ano, Luiz Cláudio trabalhou no negócio sozinho, chegando a cumprir uma carga horária de 100 horas semanais no início. Hoje, ele tem dois funcionários fixos e seis freelancers.

 

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 


“O critério de seleção não é só gostar de jogo, é gostar de gente, pois o conhecimento sobre games é mais fácil de ser desenvolvido e treinado do que a personalidade, que determina a desenvoltura e o trato com o público.” O atendimento é um dos diferenciais da loja. “O ambiente é bem simples, mas as pessoas se sentem bem aqui por causa do tratamento e da receptividade”, conta. Até o fim do ano, Luiz Cláudio terá 500 jogos e expansões diferentes no acervo. Alguns dos que fazem mais sucesso entre os frequentadores da Orgutal são: Dixit, Descobridores de Catan, Room 25, King of Tokyo, Tsuru e Coup. Engana-se quem pensa que só dá para frequentar a casa de jogos em grupo: quem vem sozinho pode se divertir com games individuais ou interagir com pessoas de outras mesas, com estímulo dos atendentes. Um dos aspectos mais recompensadores de se ter um negócio na área, segundo Luiz Cláudio, é ver a alegria no rosto dos clientes. “A reação do público é muito legal. Tem gente que gasta R$ 1.500 num jogo e sai alegre como uma criança”, comenta.
Ideia

A inspiração para abrir a Orgutal veio da percepção de que a comunidade jogadora sentia falta de um local específico. “Num fórum na internet, o pessoal marcava de se encontrar, mas tinha uma insegurança porque não se sabia como era a pessoa do outro lado da tela”, lembra. A provocação para começar veio de uma conversa com o designer de games Sergio Halaban. “Ele disse: ‘poxa, quem vai investir nos jogos de tabuleiro?’ E eu respondi que estava pensando sobre isso.” Com a abertura da Orgutal e a organização de eventos temáticos, outras casas especializadas surgiram na cidade. “O mercado local se movimentou e Brasília chegou a ser o maior ponto de jogos de tabuleiro do país, título que perdemos no ano passado para São Paulo”, conta.


Como ele foi pioneiro em Brasília, serviu e continua servindo de referência para outras pessoas. “Muita gente liga perguntando como trabalhamos, pedindo dicas e eu respondo com o maior prazer. Afinal, é de meu interesse que esse mercado seja bom: uma empresa ruim prejudica a imagem do setor todo”, diz. Entre os desafios enfrentados ao ser empresário no ramo, Luiz Cláudio cita a alta carga de impostos, que encarece os produtos. Para incentivar os criadores de jogos locais, o arquiteto vai lançar, no ano que vem, uma editora de games. Outra meta é abrir uma lanchonete na casa de jogos, que atualmente oferece apenas alguns lanches, como sanduíches quentes. A gestão financeira foi uma questão complicada em vários momentos, mas o empresário superou.


“A gente já quebrou umas três vezes, mas continuou”, conta. Entre essas ocasiões, Luiz Cláudio destaca o incêndio que aconteceu no prédio da loja, em 2013. “Acordei com a notícia de que o lugar estava pegando fogo. Felizmente, o espaço não foi tão prejudicado: só ficou cheio de fumaça e cinzas”, rememora. Depois de dar a notícia de que interromperia o funcionamento por causa disso, o empresário recebeu muitas mensagens de apoio e conseguiu recrutar 30 voluntários que, num mutirão, limparam tudo e o ajudaram a mudar para uma loja no bloco ao lado. “Foi uma comunidade de clientes e outros empresários do ramo. Foi muito legal, pois exaltou nossa resiliência e mostrou a fidelidade da comunidade.”

 

Saiba mais

96199-6995 / 3045-4347 / www.facebook.com/orgutalcasadejogos