ENTREVISTA NEIL PATEL »

Conselhos de um guru

Considerado o nº 1 quando se fala em marketing digital, o britânico filho de indianos começou a investir no Brasil este ano e, em visita a Brasília, falou com exclusividade ao Correio

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postado em 03/12/2017 13:05 / atualizado em 03/12/2017 13:12

 

 

Para quem estuda ou trabalha com marketing digital, o nome de Neil Patel não deve soar estranho. Aos 32 anos, o britânico se tornou autoridade mundial na área e foi considerado o profissional número um no assunto pela Entrepreneur Magazine. Ele acumula no currículo passagens por gigantes do mercado, como Google, Viacom, General Motors e Ebay, mas nutre paixão por ajudar pequenos negócios. O filho de indianos vem de uma família de classe média com larga experiência em empreendedorismo e resolveu trazer essa expertise a terras tupiniquins. O cenário de crise não o assusta: o graduado em marketing pela Universidade do Estado da Califórnia acredita que dá para faturar milhões, em menos de um ano, investindo no nosso país. Este ano, apesar de ainda morar em Los Angeles (EUA), o guru do marketing digital abriu a Neil Patel Brasil, empresa de consultoria e treinamento que fica num escritório em Belo Horizonte. Neil coleciona várias premiações, entre elas a que recebeu do próprio ex-presidente Barack Obama, em 2015, sendo reconhecido como um dos 100 melhores empreendedores com menos de 30 anos nos EUA. Em 2013, a Organização das Nações Unidas (ONU) já o havia listado em ranking similar. Durante visita ao DF, o Correio o entrevistou com exclusividade no Brasília Palace Hotel.



Qual é o objetivo da sua visita ao Brasil?
Minha missão aqui é ajudar pessoas a fazer seus negócios crescerem e também ensinar a elas como gerar mais renda por meio do marketing digital. Eu amo os empreendedores brasileiros e alguns deles estão entre os melhores do mundo. Há muitas grandes companhias aqui e um dos homens mais ricos do mundo é o Jorge Paulo Lemann, um dos donos do Burger King.

Como você se apaixonou pelo marketing digital?
Tudo começou quando eu tinha apenas 16 anos e abri meu primeiro site. Eu paguei uma empresa de marketing para me ajudar, mas não fizeram um bom trabalho. Foi aí que eu tive de estudar o assunto por conta própria. Quando eu passei a entender melhor sobre o tema, eu me apaixonei por ele. Agora, quero ajudar pessoas com essa habilidade.

Você trabalhou em gigantes multinacionais, mas afirma
ter uma verdadeira paixão em ajudar pequenos empreendedores. Por quê?
Eu, minha mãe e meus tios éramos pequenos empreendedores. Além disso, algumas das grandes companhias do mundo foram construídas do nada por pessoas que não nasceram ricas. São os casos do Steve Jobs, criador da Apple, e dos fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin. Então é interessante ajudar os pequenos hoje porque eles podem virar os gigantes no futuro.

Por que você considera tão importante que uma empresa divida os lucros com os
funcionários?

Sem empregados, não há negócio. Então, por que não dividir os lucros com eles? A participação nos resultados motiva as pessoas a trabalharem mais e melhor. É uma prática comum e diversas companhias a fazem de distintas maneiras. Um bom exemplo são startups, que, ao dividirem os lucros com os funcionários, proporcionam igualdade dentro das empresas.

Quais são os obstáculos para um país em crise como o Brasil quando se fala de participação nos resultados?
Quando você compartilha lucros, pessoas trabalham mais, a economia cresce e todos saem ganhando. A chave não é tirar benefícios dos trabalhadores. Na recessão, empresas demitem, pagam menos e retiram benefícios, mas o segredo, nesses períodos, é dar o mesmo ou talvez até mais para os colaboradores. Muitas companhias, mesmo durante a crise, ainda estão fazendo muito dinheiro e têm condições de cuidar melhor dos empregados.

 

Quais dicas você dá para quem quer seguir um caminho empresarial?
Minha primeira dica é: trabalhe duro. A segunda é: aprenda com os erros. Um empreendedor vai, inevitavelmente, cometer falhas, mas você precisa evitar repeti-las. Se parar de cometer os mesmos equívocos, uma hora, o acerto vai ocorrer. Por fim, minha última dica é: aja o mais rápido possível. Você sempre estará em uma competição. Então, velocidade é essencial.

 

Desafio empreendedor

Proposta interessante
Mais de 5 mil empresas se inscreveram num desafio de Neil Patel para empreendedores brasileiros. O negócio escolhido, a ser divulgado em janeiro, receberá treinamento e consultoria para crescer. Alguns dos critérios de escolha são nível de alcance nas mídias sociais, faturamento e quantidade de empregados. O objetivo é que essa organização sirva de caso de sucesso. O guru do marketing digital não quis em troca nada de pagamento em dinheiro ou benefícios de qualquer natureza: a direção do empreendimento só precisava topar dividir os lucros obtidos a partir daí com os empregados da companhia.

 

Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
 


Na visão dele, isso melhora o funcionamento de qualquer firma. No Brasil, esse tipo de ação não é obrigatória e, num cenário de crise, empresários pensam duas vezes em implementar esse tipo de vantagem. Por isso, o objetivo de Neil Patel é estimular que eles sejam considerados, especialmente por pequenos e médios negócios, pois podem ajudar a acabar com problemas crônicos, como desmotivação, baixa produtividade e alta rotatividade. Para mais informações, acesse o site

 

Leia 

 

 

 

 

 

Hustle — The power to charge your life with money, meaning and momentum

Autores: Neil Patel, Patrick Vlaskovits e Jonas Koffler
Editora: Rodale Wellness; 245 páginas; US$ 14,84
Best-seller de New York Times, Los Angeles Times e USA Today, a obra, ainda não lançada no Brasil, é leitura obrigatória para qualquer empreendedor. O livro ensina a olhar o trabalho por uma nova ótica, baseada na descoberta de projetos de que você goste e em oportunidades e pessoas que estimulem seus talentos, seu crescimento e sua felicidade. 

 

 

 

 

* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa