PERFIS DE SUCESSO - ROGéRIO FRANCO E EDUARDO GOULART »

Experts em sungas

Dois amigos criaram marca de roupas de banho masculinas on-line e, em pouco mais de um ano, venderam mais de 1,2 mil unidades. Os modelos são mais cavados, porém discretos

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postado em 04/12/2017 18:30 / atualizado em 04/12/2017 18:36

 

 

Amigos de longa data, Rogério Franco, 32 anos, e Eduardo Goulart, 25, criaram o e-commerce de moda praia masculina Marino, a partir do interesse por esse tipo de peça. “Eu gosto de sungas e, sempre que viajava, acabava trazendo algum modelo diferente. Muita gente perguntava onde eu tinha comprado”, lembra Rogério, cientista político e servidor público. A partir de uma conversa, ele e o sócio chegaram à conclusão de que ali havia uma oportunidade de negócio. Eles começaram a pensar na marca em outubro de 2015. “Em shoppings do Brasil, dá para encontrar opções de boa qualidade, mas são muito caras e sem variação de modelagem. Para encomendar de outros países, o frete é pesado e a mercadoria demora a ser entregue”, afirma Eduardo, designer que trabalha num escritório de branding. As peças da loja on-line são disponibilizadas nas opções slim (lateral de 6cm) ou tradicional (lateral de 10cm).


“O tamanho que se encontra em lojas brasileiras é de 12cm, chamado de sungão, padrão usado aqui. Nós queríamos algo mais europeu e com a cara dos anos 1980”, explica Eduardo. “A maior parte das pessoas compra com lateral de 6cm porque ela é difícil de achar”, conta. “Existe um movimento de pessoas dispostas a voltar ao que era antigamente (ou seja, modelos menores, mais cavados), perdendo o preconceito com isso”, percebe Rogério. Segundo ele, o público-alvo da marca são jovens descolados. “Eles buscam algo fora do padrão da moda, mas sem ser escandaloso ou cafona”, ressalta. “Nossa sunga é básica, sem detalhe nenhum”, esclarece Eduardo. “Funcionamos como e-commerce e, se a pessoa não se adaptar com o tamanho ou tiver algum problema, tem sete dias para trocar ou pedir o dinheiro de volta”, diz.

Aprendizado

 

LC/Divulgação
 

 

A Marino é a primeira experiência tanto de Rogério quanto de Eduardo com o empreendedorismo. Para eles, o trabalho com a marca é uma atividade de meio período.  As decisões importantes e o design das peças são pensados em conjunto. Apesar de o negócio ter pouco tempo, os dois estão satisfeitos com os resultados até aqui, já que avançam constantemente. “Começamos de modo pequeno e simples e fomos melhorando. Antes nem dava para pagar com cartão de crédito: era preciso combinar transferência ou depósito”, relata Eduardo. Houve mudanças também em rotinas produtivas. “Não havia regularidade na entrega e eu acabava tendo que ir aos Correios deixar mercadorias a semana toda. De uns tempos para cá, usamos terça e quinta para isso”, lembra Rogério. As melhorias também foram estimuladas pelos clientes, com quem o contato é intenso, principalmente no Instagram.


“A maior parte dos compradores tira foto usando e marca a gente nessa rede social — e nós replicamos esses posts porque são um feedback”, conta Eduardo. “Nas conversas com o público, recebemos muitos elogios com relação a formato, corte, acabamento e custo-benefício”, completa Rogério. O crescimento da iniciativa se deve ao cuidado e ao profissionalismo dedicado ao trabalho. “Tudo é muito bem pensado: o funcionamento do site, a apresentação do produto, a embalagem, o contato com as pessoas… A gente não quer que nada pareça feito em casa”, ressalta Eduardo. Os dois sócios são exigentes, algo também importante. “A gente só faz coisas que a gente usaria”, observa Rogério. Não é à toa que clientes como o advogado Fabrício Xavier Lacerda, 27, são só elogios para a loja on-line. “Já comprei seis sungas, todas com lateral de 10cm. Gostei demais, elas vestem muito bem, são bonitas e diferentes, mas discretas, o material é de qualidade. Minha vontade é de jogar todas as que eu tinha de outras lojas fora”, conta ele, que frequenta um clube e gosta de tomar sol.

Passos iniciais
Após definir protótipos e tamanhos das sungas, o grande desafio foi encontrar, em Brasília, onde o polo de produção de moda ainda é tímido, logística para fazer a ideia funcionar. “Passamos três meses indo de confecção em confecção, visitando costureiras até achar quem pudesse fazer o serviço com qualidade e do jeito que a gente queria”, relata Eduardo. “Nós contratamos pela unidade entregue”, conta Rogério. No site da Marino, há modelos à venda a partir de R$ 70,20. Até tirar o projeto do papel, foram meses e meses de reuniões e pesquisas. A ideia virou inclusive tema do trabalho de conclusão de curso de Eduardo, que, à época, cursava desenho industrial na Universidade de Brasília (UnB). A dupla criou páginas nas redes sociais em setembro de 2016 e lançou a primeira coleção em novembro daquele ano.


Desde então, foram colocadas à venda outras duas (em março e em novembro de 2017) e a quarta deve ser lançada em janeiro de 2018. Para colocar o plano em prática, os amigos investiram, bem no início, R$ 10 mil, valor que se pagou em pouco tempo. Desde então, nunca mais colocaram um centavo no caixa da empreitada. O faturamento bruto da Marino varia entre R$ 5 mil e R$ 7 mil por mês. “Quase tudo que ganhamos é reinvestido no negócio porque nós dois não dependemos disso: temos trabalho fora daqui e queremos ver a marca crescer”, explica Rogério. Desde o início da empreitada, que é totalmente on-line, eles venderam mais de 1,2 mil sungas.

 

Saiba mais

www.usemarino.com