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Educadores físicas e donas da academia Corpo 4 contam sua história

Elas encantam o público pelo clima de comunidade do local: ali, todo mundo se conhece pelo nome. A organização também tem um lado social e abre as portas para alunos da Apae

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postado em 10/12/2017 16:15 / atualizado em 10/12/2017 16:20

 

 

Há 20 anos, as educadoras físicas Odejane Argolo, 60, e Viviani Dourado Jordão, 47, realizaram o sonho de ter uma academia própria, a Corpo 4. A empresa começou pequena, numa loja de subsolo com 400m² na 304 Norte e, hoje, ocupa um prédio inteiro, com 2.200 m² na 305 Norte, oferecendo, além de musculação, aulas, como zumba, ginástica localizada, alongamento, pilates e cycling. Na opinião das sócias, o segredo para o êxito do negócio é o amor pela atividade. “Nós somos apaixonadas por educação física e, quando você coloca paixão, tudo fica mais fácil”, completa Viviani. Assim, foi um caminho natural se dedicar ao máximo para superar as dificuldades. “No começo, a gente quase não tinha funcionário: eram só minhas filhas que trabalhavam na recepção e uma pessoa na limpeza. Eu e a Viviani dávamos aula o dia todo, panfletávamos, fazíamos de tudo”, explica Odejane.


“Nós duas viemos de baixo, batalhamos muito. Paguei minha faculdade vendendo sanduíche natural e bombom”, relata Viviani. As sócias se conheceram quando esta foi estagiar na academia do Clube do Congresso, onde Odejane foi professora e, depois, gerente. “Trabalhando juntas, conversávamos sobre abrir uma academia, mas era um sonho em princípio muito distante”, lembra Viviani. Na época, Odejane conciliava a atividade no clube com um trabalho no Ministério da Agricultura. “Houve um programa de desligamento voluntário (PDV) e consegui uma graninha. Surgiu uma academia para alugar e usei o dinheiro para comprar os equipamentos de lá. Aí lembrei das conversas com a Viviani e a chamei para entrar”, recorda Odejane.

 

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

 

 

“A gente também se desfez de alguns bens para começar”, acrescenta Viviani. A temporada na primeira loja, na 304 Norte, durou três anos, até que passaram para um piso inteiro na 305 Norte. “Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória foi essa primeira mudança, pois passamos para um lugar duas vezes maior que a nossa unidade original. Dobrar a academia foi uma vitória muito grande para quem partiu do zero”, diz. Depois disso, conseguiram um segundo e um terceiro piso no local. Para possibilitar esse crescimento, as empreendedoras contaram com uma equipe de profissionais dedicada e também com alunos fiéis. Hoje, o time tem cerca de 50 empregados. “Nós olhamos para o funcionário como uma pessoa do nosso lado, caminhando junto, e não como alguém que está atrás”, observa Viviani.

Inclusão

Um professor da academia ganhou visibilidade nas últimas semanas: o educador físico Eduardo Favaro, 35, que perdeu a audição por causa de uma meningite e, graças a um implante coclear, voltou a ouvir depois de 32 anos de surdez. O momento emocionante em que ele escutou pela primeira vez depois de tanto tempo foi gravado pela esposa e viralizou nas redes sociais. Professor de alongamento e personal trainer, trabalha na academia há mais de 10 anos. “Ele entrou como estagiário, sempre foi muito diferenciado, faz leitura labial muito bem e consegue falar de modo que as pessoas entendam. A gente ficou fascinada por ele”, conta Odejane. O mercado de trabalho impõe muitas barreiras a pessoas com deficiência, mas na Corpo 4 Eduardo encontrou portas abertas. “Nem tivemos dúvida. A aula dele é excepcional”, lembra Viviani.
Outro reflexo desse lado de inclusão da academia é a parceria com a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais): a Corpo 4 cede o espaço, gratuitamente, para que 16 adolescentes e jovens com diversas deficiências se exercitem no local. “São seis meninas na faixa de 16 a 39 anos e 10 meninos na faixa de 17 a 40 anos”, relata Dione Dantas Zimbres. Ela e Andrea Raulino, professora de educação física da rede pública, coordenam as atividades. “Eles são atletas de atletismo e treinam a parte de força, que é superimportante para as competições, ali. Todos têm deficiência intelectual ou múltipla (síndrome de Down, paralisia cerebral, cegueira)”, conta Dione. “Essa parceria é fundamental para os resultados do grupo, que participa de torneios nacionais e internacionais. Um deles chegou às Paralimpíadas de Toronto”, comemora.

Carinho dos alunos
A Corpo 4 tem 1.300 matriculados. O número, contudo, já chegou a 2.200. As sócias atribuem a diminuição à crise e à pulverização de academias e de estúdios (de pilates e personal, por exemplo). Apesar disso, as proprietárias se orgulham de ter uma cartela de clientes fiéis. “Tem muita gente que está aqui desde o começo. Outros precisaram sair, mas voltaram. Isso é muito gratificante”, comemora Viviani. “Nossa empresa é um pouco bairrista e bastante familiar. Apesar de grande, tem peculiaridades de uma academia pequena”, percebe. Algo que contribui para esse clima de comunidade são os eventos organizados pela instituição. “A Corpo 4 sempre foi conhecida por festas e excursões”, afirma Odejane.

 


Arquivo Pessoal

 

 

“As pessoas fazem muitas amizades e até começam relacionamentos aqui. No Dia dos Namorados, fizemos um painel de casais que se conheceram por causa da academia: tem 10 que inclusive se casaram”, diz. Paulo Roberto Munhoz da Fontoura Júnior, 46, e Ângela Leal, 36, estão entre os alunos que frequentam o local desde 1997. De lá para cá, Paulo mudou de endereço de casa e de trabalho várias vezes, circulando entre Lago Norte, Águas Claras, Sobradinho e Guará (onde vive hoje), mas nunca deixou a academia. “Eu venho para cá só pela academia mesmo. O foco não é apenas o exercício físico, tem união entre professor e aluno, os funcionários são muito atenciosos”, elogia o administrador. “Gosto das atividades feitas em datas comemorativas”, conta ele, que fez muitos amigos por lá.


“A minha matrícula é a nº 3. Até brinco que a Viviani e a Odejane são a nº 1 e a nº 2. Elas são sensacionais, têm conhecimento da área e buscam o bem-estar de alunos e professores”, diz Ângela. Graduada em direito e em educação física, ela entrou na academia quando morava na 304 Norte, mas, agora, vive no Noroeste. “Há muitos motivos que me fazem continuar até hoje: o clima bacana, a boa infraestrutura, o tratamento diferenciado”, elenca. Durante essas duas décadas, ela chegou a sair da Corpo 4 duas vezes (por períodos inferiores a um ano), mas retornou. “Nenhum lugar tem atendimento como o daqui, que preza pela pessoalidade. Os professores sabem nossos nomes, fazem questão de nos cumprimentar, oferecem ajuda. Aqui é meu ambiente de desestressar. É um prazer malhar aqui”, relata.

 

Saiba mais

www.corpo4.com.br