Chegou o recesso!

Hora de repor as energias

O recesso de Natal e de ano-novo, comum tanto em empresas quanto em órgãos públicos, pode ser aquela chance que faltava para relaxar, refletir e, assim, começar um novo ciclo de trabalho com o pé direito. A recomendação de especialistas é Trabalhou, descanse, como diz a música Do it, de Lenine

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/12/2017 14:32 / atualizado em 24/12/2017 15:11

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

 

Fim de ano é época de dar uma pausa no trabalho para muita gente. Em muitos casos, é preciso compensar as horas de folga, mas, segundo especialistas, vale a pena para diminuir o estresse e, assim, voltar à ativa com mais produtividade

 

O recesso não é obrigação trabalhista. Contudo, é comumente oferecido tanto na iniciativa privada, quanto no serviço público. Em algumas instituições, a pessoa pode escolher se pegará ou não a folga no período das festas de fim de ano e, caso opte por usufruir do descanso, precisa “pagar” as horas ou trabalhar a mais para deixar processos e tarefas prontos para o período de ausência. Para muita gente, independentemente do esforço necessário a fim de poder aproveitar o período, essa temporada de descanso é a oportunidade perfeita para passar mais tempo com a família, viajar, repousar, ler, estudar... Enfim, recarregar as baterias. Mesmo quem não terá essa interrupção na jornada, no entanto, terá alguns dias de quietude em virtude dos feriados de Natal e ano-novo.

Fabiano Aguiar/Divulgação

 

 

Segundo a psicóloga Lia Clerot, momentos de intervalo são muito positivos, pois o corpo humano funciona em ciclos. “O recesso serve para descanso não apenas físico, mas também mental, além de ser importantíssimo para o fator social. Dar essa pausa significa parar a rotina louca do dia a dia, essencial para que o organismo descanse e volte a funcionar de forma regulada”, afirma. Quando a pessoa é privada desse tipo de quebra no cotidiano, pode haver consequências negativas. “A ausência desse período de descanso pode gerar sérios problemas de saúde, como ansiedade, estresse, alterações na pressão arterial, além de falta de concentração e foco”, elenca.

Júlia Ramalho, coach, psicóloga e administradora, defende que o hiato de fim de ano é benéfico tanto para funcionários quanto para empresas. “Se não há serviço, não é preciso ficar funcionando, assim há redução de custos”, destaca. No entanto, há áreas em que não pode haver interrupção, por isso, há organizações que dividem a equipe e proporcionam folga em períodos diferentes. Júlia acrescenta que, apesar de ser uma ótima ideia liberar os colaboradores, há casos em que o efeito obtido pode ser o contrário do esperado. “Tem gente que fica deprimida nesta época e o trabalho é um recurso importante. Ser obrigado a parar pode não ser bom”, recomenda.

Por isso, é importante que o indivíduo tenha a opção de escolher. O problema é que, em momentos de crise econômica, mesmo quem tem vontade de pegar a folga pode ficar com receio de aderir ao recesso. “Mas precisamos nos lembrar de que até máquinas precisam de manutenção. Nosso corpo também, quando cansado, passa a não render como deveria. É preciso enxergar essa pausa como um investimento no bem-estar do profissional, que passa a trabalhar mais satisfeito e com qualidade”, explica.

 

Para espairecer
A folga pode ser de poucos dias, mas, segundo Lia Clerot, a melhor forma de aproveitá-la é se desligar do trabalho e investir no que faz bem a cada um. “Este período é para recarregar as energias. Viajar, curtir momentos ociosos em casa, ficar com a família... Enfim, experiências alheias ao meio profissional podem trazer novo vigor”, aponta. Júlia Ramalho acrescenta que essa fase é também uma oportunidade de reflexão. “Na hora em que fazemos uma pausa, podemos nos ouvir. E é importante usarmos esse tempo com coisas de que realmente gostamos”, diz.

Outra possibilidade é usar o período para ampliar os conhecimentos. “O recesso também serve para repensar a carreira. Existem cursos curtos, microlearning, se isso for o que te move. Mas temos de lembrar que não somos obrigados a produzir sempre”, explica Júlia. “De qualquer modo, participar de uma capacitação ajuda a pessoa a sair dos processos rotineiros e abre novas perspectivas”, afirma Lia. “Valorizar esse período não é só procurar um monte de coisas para se ocupar, é se conectar consigo mesmo. Viagens servem para isso, mas só ficar em casa também pode ser ótimo”, enfatiza.

Para alguns,  este é o único período do ano em que a demanda no serviço diminui, então dá para descansar. Esse é o caso do advogado Mike Carvalho, 24 anos, que usufrui da folga por causa do recesso do Poder Judiciário. Além disso, o novo Código de Processo Civil estabelece que os prazos processuais sejam interrompidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro. “Quando se trata de escritório, há uma grande quantidade de trabalho e, se não fosse isso, eu teria de trabalhar para não perder os prazos”, explica. “Assim, podemos fazer tudo que as pessoas que não precisam cumprir prazos podem fazer. Posso me organizar para viajar, estar com a minha família e traçar projetos pessoais”, comemora o funcionário do escritório Chenut Oliveira Santiago.

 

Tenho direito?

 

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press

 

 

Conheça histórias de profissionais que trabalham como papais noéis no DF 

 

Apesar de muita gente folgar nas vésperas de Natal (hoje) e ano-novo (dia 31), essas datas não são feriados; 25 de dezembro e 1º de janeiro é que são. “Pela legislação, as vésperas são ocasiões normais. É mais uma praxe liberar os funcionários, mas não há uma garantia. A não ser que existam acordos coletivos em sindicatos, como é o caso do Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista do DF)”, observa Alessandro Costa, professor de direito processual do trabalho da Universidade Católica de Brasília (UCB). “Este ano, as vésperas caem em domingos, então pode ser que empregados que trabalham nesses dias sejam liberados mais cedo”, diz.

Entre as empresas que oferecem recesso, é comum adotar sistema de banco de horas. “Isso pode ser acordado. Além disso, com a reforma trabalhista, a negociação entre empregado e empregador ficou ainda mais forte. Então o funcionário pode trabalhar uma ou duas horas a mais por dia, antes ou depois do período de folga, para compensar”, esclarece. Mestre em ciências políticas pelo Centro Universitário Euramericano (Unieuro), Alessandro destaca que o importante é que haja o diálogo entre ambas as partes. “É sempre prudente para o patrão ter a sensibilidade de liberar mais cedo o empregado para que ele possa participar das festas com os familiares porque é uma questão religiosa”, recomenda.

As férias coletivas também são uma opção para instituições que, nesta época, não têm motivos para funcionar, como é o caso do Grupo Paulo Octávio, que usa este período para liberar todos os funcionários por 15 dias. “Como a empresa fecha no fim do ano, a gente sabe que não surgirá nenhum problema”, diz Anísio Fontenelle, 40 anos, gerente administrativo na companhia. Para ele, as férias coletivas são uma boa alternativa para poder se organizar para viajar e ficar com filhos. “Eu, por exemplo, vou usar todos os dias numa viagem.”

 

Para acabar com o estresse

 

 

Leo Martins/Divulgação

 

Elcio Pires Júnior, médico

 

Na visão do médico Élcio Pires Júnior, o recesso é uma ação acertada para diminuir o estresse no ambiente corporativo. “Ele serve para diminuir o cansaço acumulado durante o ano. Em todos os segmentos, colaboradores sofrem com prazos e demandas, então a pausa ameniza a pressão”, ressalta. No caso de companhias que, devido à carga de serviço nesta época, não podem parar, Élcio, coordenador de cardiologia, cirurgia cardiovascular e Unidade de Terapia Intensiva do Hospital e Maternidade Sino-Brasileiro, destaca a possibilidade de desenvolver ações de descompressão e recreação, visando a saúde e o bem-estar dos funcionários.

 

 

 



“Tentar diminuir a carga de serviço, reduzir a jornada de trabalho ou promover pequenas pausas durante o dia para fazer um relaxamento ou alongamento será benéfico”, diz. Para empresas que trabalham com banco de horas, ele recomenda que, antes de aceitar pegar o recesso, o empregado deve observar quantas horas de serviço aquilo gerará para compensar o tempo fora. “Se não for muito extensivo e puder ser pago em longo prazo, é melhor fazer a compensação e ter o período de descanso”, afirma. Isso porque, de acordo com ele, o estresse aumenta a incidência de doenças cardiovasculares, como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e hipertensão.

 

 

 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa